REVISTA ÉPOCA: Rio Grande do Sul afunda em dívidas e onda de violência

forca-nacionalÍndices de criminalidade não param de subir. Governo está pagando o salário de funcionários públicos em parcelas. Policiais farão greve nesta quinta-feira (1º)

Há dois dias, a Força Nacional desceu em Porto Alegre com 136 homens para auxiliar o trabalho de policiais no combate à violência que acomete a região metropolitana da capital. A medida foi uma saída do governo para evitar uma nova série de assassinatos como os que viraram manchete nas últimas semanas e um pedido de socorro contra as pesadas estatísticas: o latrocínio, roubo seguido de morte, cresceu 34% na comparação entre o primeiro semestre de 2015 e 2016 no Estado. O roubo subiu 19,5%. O roubo de veículos, 16,3%; e o homicídio doloso, 6% – evidências da segurança precária de que a população dispõe.

A ideia é unir esforços entre Forças Nacionais e Estaduais. Com os salários parcelados, a Polícia Civil, no entanto, deve atender somente casos considerados graves nesta quinta-feira (1º), parando por 15 horas. “Antes de convocar a Força Nacional, o governo deve valorizar seus policiais que aqui estão, com salários em dia e condições adequadas para o enfrentamento à criminalidade”, diz um comunicado do Sindicato de Servidores da Polícia do Rio Grande do Sul, que convoca à paralisação.

A criminalidade tem como pano de fundo o pessimismo financeiro do estado, que deve R$ 50 bilhões à União, amplificado pela crise no Brasil. Uma das medidas do governo de José Ivo Sartori é o parcelamento dos salários do funcionalismo, o que tem efeito direto nas forças policiais. Na última quinzena, uma série de homicídios alertou a população sobre a cautela cada vez mais necessária na hora de sair de casa. Uma médica foi baleada no semáforo, uma mãe foi executada na frente da filha mesmo sem reagir ao roubo de um celular. Um homem, ao sair do Hospital São Lucas, localizado em uma zona universitária, foi alvo de 13 disparos na rua, e um triplo homicídio chocou os moradores de Alvorada, na região metropolitana. Um encenamento de velório foi protagonizado em frente à casa do governador. O secretário da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Wantuir Jacini, pediu exoneração.

Na quarta-feira (31), o governo decretou situação de emergência no sistema prisional. O estado ainda enviou dois projetos de lei à Assembleia Legislativa: um que cria um programa de aproveitamento e gestão de imóveis públicos e outro que autoriza o executivo a permutar imóvel por áreas construídas e destinadas a vagas prisionais. A ideia é assentar as mais de 5 mil pessoas que viraram detentas do início de 2015 até hoje. “Como se tudo isso não bastasse, os policiais civis ainda sofrem com a superlotação das celas nas delegacias, problema que vem se repetindo há vários meses sem uma solução definitiva”, reclama o sindicato.

Ao assumir o cargo depois de Tarso Genro (PT), Sartori afirmou que as finanças do estado não haviam chegado ao fundo do poço, mas passado dele. Em seu primeiro dia de governo, nenhum concursado foi nomeado, a não ser na educação. Ele também reduziu as secretarias e limitou cargos de confiança. “Vou fazer o que precisa ser feito para equilibrar as finanças do Rio Grande do Sul e abrir caminho para a esperança”, disse a ÉPOCA em dezembro de 2015.

Os dados recentes mostram que não pagar o salário de funcionários públicos não parece ser o melhor caminho para chegar a um equilíbrio.

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