Sem auxílio em estação de trem, mãe chama PM para carregar cadeirante; assista

Mãe precisa chamar PM para sair de estação com filho cadeirante

Passageira estava em estação de Mogi que não tem acessibilidade.
Policiais militares levaram criança no colo e carregaram cadeira de rodas.

Jamile SantanaDo G1 Mogi das Cruzes e Suzano

A falta de acessibilidade na estação de trem do distrito de Brás Cubas, da Linha 11-Coral, em Mogi das Cruzes , fez uma mãe chamar a Polícia Militar para conseguir sair com o filho cadeirante de dentro do local, administrado pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Um vídeo mostra um policial subindo as escadas da passarela com o menino que tem paralisia cerebral no colo, enquanto o outro PM leva a cadeira de rodas especial (assista ao vídeo acima). A CPTM informou que tem como meta tornar todas as estações acessíveis e que os funcionários são orientados a ajudar.

Segundo a mãe, o caso aconteceu na última segunda-feira (29). “Meu filho tem paralisia cerebral e é surdo. Então, pelo menos duas vezes por mês, eu vou até a AACD de Mogi, na de São Paulo, além do Hospital das Clínicas. Vou de trem e, para chegar em casa, preciso ir até a estação Mogi das Cruzes, trocar de plataforma e pegar o trem de volta, no sentido contrário, para descer do lado certo em Brás Cubas, porque a estação não tem acessibilidade. Acontece que há duas semanas, eu desci em Brás Cubas sem fazer a volta, pedi ajuda para alguns funcionários e fui atendida. Na segunda, uma funcionária da CPTM me negou ajuda e mandou eu fazer a volta”, contou a mãe de Murillo, a dona de casa Daiane Tamires da Silva.

Passageiros na frente da estação de trem de Brás Cubas (Foto: Pedro Carlos Leite/ G1)

Sem ajuda, a dona de casa ligou para o 190 e pediu ajuda à Polícia Militar. “Como a policial viu que não tinha jeito, que eu realmente precisava de ajuda, mandou uma equipe. Eles entraram na estação, conversaram com os funcionários e me ajudaram. Um pegou meu filho no colo e o outro pegou a cadeira. Subimos a passarela e consegui chegar em casa”, destacou. A passageira registrou boletim de ocorrência  não criminal no 2º Distrito Policial.

A mãe conta que entrou com um processo judicial contra a CPTM por causa da falta de acessibilidade. “Se eu moro em Brás Cubas, não tenho o por que ir até Mogi das Cruzes e voltar pra conseguir sair do lado certo. Eu tenho dois filhos especiais, que precisam e dependem da acessibilidade. Além de não ter rampa na estação, o espaço entre o trem e a plataforma é muito grande. É um desrespeito com quem precisa ser incluído”, destacou.

Em nota a CPTM informou que “tem como meta tornar todas as estações acessíveis. Das 92 estações existentes, 47 já foram adequadas de acordo com as normas de acessibilidade. No caso das estações do Alto Tietê, em que a Estação Braz Cubas está incluída, a CPTM aguarda a liberação de recursos do PAC da Mobilidade, prometidos pelo Governo Federal, para contratar as obras de acessibilidade.”

A nota acrescenta aind aque “Os projetos básico e executivo para adequação da Estação Braz Cubas estão em fase de contratação, bem como de outras 33 estações. As estações da Linha 11-Coral que terão os projetos contratados são: Guaianases, Antonio Gianetti Neto, Jundiapeba, Mogi das Cruzes, Braz Cubas e Estudantes.”

Ainda de acordo com a companhia, “até que todas as estações sejam adaptadas, os empregados das estações estão habilitados para auxiliar pessoas com deficiência em seus deslocamentos nas dependências da Companhia. O caso relatado pela reportagem será apurado junto à equipe da estação e todos serão reorientados quanto aos procedimentos para atendimento às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.”

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