SUL21: Bancários fazem ato para denunciar ameaça de privatização do Banrisul

12/09/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Ato de Aniversário de 88 anos do Banrisul e em Defesa do Serviço Público, na Praça da Alfândega. Foto: Maia Rubim/Sul21
12/09/2016 – PORTO ALEGRE, RS – Ato de Aniversário de 88 anos do Banrisul e em Defesa do Serviço Público, na Praça da Alfândega. Foto: Maia Rubim/Sul21

Luís Eduardo Gomes

Em greve desde o dia 6, bancários transformaram um ato de sua campanha salarial, realizado na manhã desta segunda-feira (12), dia do aniversário de 88 anos do Banrisul, em uma ação contra a “ameaça” do governo do Rio Grande do Sul de privatizar o banco público. Segundo o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), o interesse do governador José Ivo Sartori é encaminhar para a Assembleia Legislativa um projeto para retirar a obrigatoriedade da realização de plebiscito para a privatização de estatais.

“No acordo da renegociação das dívida dos Estados, já tem item que diz que os Estados podem incluir ativos para diminuir a dívida. Isso já nos preocupava. Hoje saiu no jornal Zero Hora, na página 10, a informação de que o governo está trancado a sete chaves trabalhando para mudar a Constituição do Estado no ponto em que obriga a realização de um plebiscito para a privatização de qualquer estatal. Ou seja, o governo não quer discutir com o povo e quer tirar na Assembleia essa obrigação”, diz Everton Gimenes, presidente do sindicato.

Segundo Gimenes, caso o governo consiga aprovar uma PEC nesse sentido, abrirá as portas para a privatização de empresas como a CEE, Corsan, Companhia Riograndense de Mineração e o próprio Banrisul. “Se olhar, em termos de valor, o maior ativo do Estado é o Banrisul. Eles dizem que o banco não está no risco, mas temos que estar atentos para prevenir e discutir com a sociedade o que significa entregar o patrimônio público”, diz.

Presente no evento, o deputado Adão Villaverde (PT) também afirmou que a privatização de empresas públicas faz parte da estratégia do governo Sartori. “É aquilo que vinhamos anunciando, no momento adequado, ele iria fazer o enfrentamento, aquilo que é a sua estratégia: o ataque às instituições públicas, cujo símbolo nesse momento é a entrega das empresas estatais”, avalia. “Eu tenho certeza que no horizonte destes privatistas está sim o forte ataque ao nosso banco”, diz.

Para Villaverde, o governo está utilizando a situação financeira do Estado como um “bode na sala” para forçar a privatização. Ele também lembra que esta mesma “artimanha de discurso” foi utilizada para sustentar a defesa de uma série de outros projetos que já foram aprovados, como o aumento do ICMS, a renegociação da dívida com a União, a ampliação do uso dos depósitos judiciais e a venda de parte da folha do Executivo. “O presidente do Tribunal de Justiça questiona a questão de haver recursos e o não pagamento de salários em dia. Do nosso ponto de vista, isso é a aquela estratégia do bode. Bota o bode na sala, diz que a situação está difícil, depois retira o bode para as pessoas respirarem melhor”, diz. “O bode são as privatizações”, complementa.

12/09/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Ato de Aniversário de 88 anos do Banrisul e em Defesa do Serviço Público, na Praça da Alfândega. Foto: Maia Rubim/Sul21

Bancários cortam o bolo de aniversário do Banrisul | Foto: Maia Rubim/Sul21

O ato dos bancários, realizado em frente à sede do Banrisul, na Praça da Alfândega, contou com um “abraço coletivo” ao banco e um bolo de aniversário. Posteriormente, os manifestantes marcharam em direção ao Palácio Piratini para protestar contra o governo.

No início da tarde, os bancários se reuniram com o secretário adjunto da Casa Civil, José Guilherme Kliemann, que garantiu a eles que “não está em pauta hoje a privatização de empresas estatais”. No entanto, ele não se comprometeu a garantir que projetos nesse sentido não entrem na pauta em breve.

Kliemann também disse que irá levar ao governador Sartori a solicitação de audiência feita pelos bancários.

Campanha salarial

Ao mesmo tempo, os bancários seguem em negociação salarial com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Na última sexta-feira, a entidade subiu a proposta de reajuste salarial de 6,5% para 7%. No entanto, o comando de negociação dos bancários sequer decidiu levá-la à assembleia da categoria e a recusou na própria mesa de negociações.

“Sair de 6,5% para 7% com uma inflação de 9,55%, para nós, mostra o descaso dos banqueiros com a nossa campanha salarial. Uma provocação”, diz Gimenes.

Uma nova rodada de negociações está marcada para esta terça-feira (12).

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12/09/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Ato de Aniversário de 88 anos do Banrisul e em Defesa do Serviço Público, na Praça da Alfândega. Foto: Maia Rubim/Sul21

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12/09/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Ato de Aniversário de 88 anos do Banrisul e em Defesa do Serviço Público, na Praça da Alfândega. Foto: Maia Rubim/Sul21

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