ZERO HORA: Homicídios não diminuem após uma semana de ação da Força Nacional, mas roubo de carro reduz e prisões quase dobram

20900404Os dados estão sendo divulgados para já se ter uma noção de como foi o combate ao crime nestes sete dias com a presença do efetivo na Capital

Por: Cid Martins e Eduardo Torres ZERO HORA

Força Nacional de Segurança (FNS) começou a atuar em Porto Alegre no início da manhã da terça-feira da semana passada, dia 30 de agosto. Uma semana depois deste reforço, a Editoria de Segurança da RBS conferiu o que mudou em relação às estatísticas sobre os delitos mais preocupantes para os moradores.

Com 160 PMs (que estão fora de ocorrências normais) para atuar na Operação Avante da Capital desde final de janeiro e agora com mais cerca de 120 da FNS, o foco de ação se ampliou no combate aos homicídios, latrocínios e roubo de veículos. Mas os homicídios não diminuíram, no entanto, não houve latrocínios neste período, os roubos de veículos tiveram uma pequena queda e a média diária de prisões praticamente dobrou.

Homicídios

Ainda é cedo para se ter um parâmetro, mesmo assim, os dados estão sendo divulgados para já se ter uma noção de como foi o combate ao crime nestes sete dias com a presença deste efetivo na Capital. Em relação aos homicídios, não houve mudança, ou seja, os números se mantiveram idênticos com uma média de dois por dia, tanto antes da FNS quanto na primeira semana da presença destes agentes na cidade. Isso pode se explicar porque eles não estão atuando em áreas conflagradas pelo crime.

Média do ano – 2 por dia (registro de 501 em 242 dias)
Média com a FNS – 2 por dia (registro de 14 em sete dias)

Latrocínios

A média era de um a cada dez dias em Porto Alegre, sendo o último dia 25 de agosto, o da representante comercial Cristine Fonseca Fagundes, 44 anos, em frente ao colégio Dom Bosco, fato que foi o estopim para o pedido do reforço nacional. Desde o dia 30 de agosto, data do início da ação da Força Nacional, não houve registro de roubos seguidos de morte. O grande trunfo se dá pela presença do trabalho em conjunto destes agentes com os brigadianos da Operação Avante em áreas de grande circulação de pessoas. Apesar disso, o alerta continua porque é preciso se levar em conta o intervalo entre um latrocínio e outro neste ano na Capital, que é superior a uma semana.

Média do ano – 1 a cada dez dias (total de 25)
Média com a FNS – Nenhum caso

 Roubo de Veículos

Uma das metas da presença da FNS na Capital era justamente combater o roubo de veículos. Mas além da presença dos militares, a Polícia Civil gaúcha, em especial a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos do Deic, também conseguiu durante o ano desarticular várias quadrilhas. Por isso tudo, a média diária de roubos caiu. Durante a semana com a presença da Força Nacional, ocorreram 115 roubos, média de 16,5 por dia. A média do ano na cidade estava em 22 casos diários.

Média do ano – 22 casos por dia
Média com a FNS – 16,5 por dia 

 Prisões

Em sete dias de atuação com a parceria da FNS, a Operação Avante da Brigada Militar em Porto Alegre fez 32 prisões. Entre os dias 30 de agosto e 5 de setembro. Dois foram detidos por receptação de veículo e furto, seis por roubos e cinco foragidos. Uma média de 4,57 prisões por dia. Este foi o grande ponto positivo até o momento, porque a média de prisões praticamente dobrou nesta última semana com o aumento de cerca de 120 agentes. A média de detidos desde o início da Operação Avante até um dia antes da chegada dos policiais de fora do estado para reforço era de 2,47 ao dia, ou seja, 596 detidos de janeiro até final de agosto de 2016.

Média do início da Operação Avante – 2,47 por dia (596 de jan a final de agosto)
Média no período de atuação da FNS – 4,57 por dia (32 em 7 dias)

Confirma o que dizem as autoridades:

Diretor Jurídico da Associação de Praças da BM (Abamf), Ricardo Agra:

Em primeiro lugar, nós temos todo respeito e admiração pelas pessoas que compõem a FNS. São colegas de profissão de outras polícias militares. Mas não trouxe nada de efetivo essa proposta do governo estadual. Tanto é que os homicídios seguem altos, mesmo com a FNS. É muito mais o uso da imagem para dentro de um contexto de marketing. O trabalho deles é só no local de maior movimentação e de maior visibilidade, sem combater diretamente a questão da violência, do tráfico de drogas e do tráfico de armas. O combate efetivo ao roubo de carros ainda não aconteceu porque a gente vê só um efetivo fixo, sem se mexer. Evidentemente que o criminoso não vai passar por uma blitz, caso a identifique. Não é possível também que ao lado de um integrante da FNS, que recebe uma diária justa e honesta de R$ 300, tenha um brigadiano com salário atrasado, sem diária ou com diária mínima. Isso não pode. E se o integrante da Força Nacional fizer um flagrante, ele tem que encaminhar para um PM gaúcho. Tem até orientação para isso. Os PMs ainda nos contam que a FNS não está atuando à noite.

Comandante do Policiamento da Capital da BM, coronel Mário Ikeda:

A FNS, junto com a Operação Avante, não atende mesmo ocorrência via telefone 190 e isso não vai mudar em relação ao atendimento comum da população. Eles têm contribuído para aumentar a segurança de Porto Alegre. A FNS chegou para reduzir índices de criminalidade e, aos poucos, vai conhecendo melhor a cidade e começando a entrar em áreas mais conflagradas pelo crime. Essa é a única diferença do policial de fora para o PM daqui. A FNS integra a Operação Avante. E este brigadiano recebe diária porque é do Interior e este também teve que se ambientar com Porto Alegre. Temos que desfazer alguns mitos. Eles podem e apresentam flagrantes e também atuam à noite, tendo inclusive rádio na freqüência da Brigada Militar. As viaturas deles não têm, mas cada equipe tem um rádio portátil da BM com comunicação com a corporação. Todos eles têm poder de polícia e, claro, podem prender. Eles não repassam para um brigadiano o preso. Inclusive, algumas equipes já estão atuando até sozinhas desde segunda-feira (5). Eles não conhecem bem as características da cidade, por isso ficaram inicialmente nos grandes eixos. Eles não atuam só em áreas nobres e estiveram em toda a cidade, inclusive com barreiras em vilas. E conhecendo melhor a região, vão a cada dia trabalhar mais sozinhos também e em áreas conflagradas.
Melhorou e aumentou a sensação de segurança da comunidade e isso é importante porque eles passaram a ver mais a FNS e também a Brigada Militar. Sobre crimes, tem contribuído sim para a diminuição de ocorrências nas regiões em que estão atuando. Sobre a demora em atender uma ocorrência, o pessoal da Avante e da FNS, repito, não atende essa demanda, ele só reprime criminalidade. Eventualmente pode apoiar, mas o atendimento comum é feito pelas unidades de cada região. E sobre o atendimento, temos que priorizar o que for mais urgente, o de emergência por ter risco à vida e que de fato esteja ocorrendo no momento. Sobre vencimentos e valores de diárias em comparação com os da FNS, gostaria de dizer que o brigadiano tem feito bem o seu trabalho, mesmo com o parcelamento.

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