ZERO HORA: “JOVEM” é preso ao traficar drogas e ameaçar usuários com arma falsa em Porto Alegre

Jovem é preso ao traficar drogas e ameaçar usuários com arma falsa em Porto Alegre Divulgação/Polícia CivilHomem tem registros policiais pelos crimes de roubo, porte ilegal de arma de fogo, tráfico de drogas e receptação

Por: Rádio Gaúcha

Um jovem de 21 anos foi preso em flagrante enquanto  traficava drogas na Rua F, Bairro Vila Nova, Zona Sul de Porto Alegre. Ele portava uma pistola na cintura para ameaçar os usuários e fazer com que eles pagassem no ato pela droga entregue. As informações são do blog Caso de Polícia.

Uma campana de agentes da 4ª Delegacia do Departamento de Investigações do Narcotráfico durante horas presenciou a ação na manhã desta quinta-feira.

O homem tem registros policiais pelos crimes de roubo, porte ilegal de arma de fogo, tráfico de drogas e receptação. Foram encontradas porções de maconha, dinheiro, anotações sobre drogas e um simulacro de arma de fogo.

O poder das palavras e a estocolmização (de grande parte) da imprensa brasileira

img-20160717-wa0002As palavras servem para afirmar e para negar, para emitir e omitir. Com as elas, podemos arrebatar multidões para as causas mais nobres, mas também para as mais deletérias, como o fanatismo religioso, o totalitarismo, o autoritarismo, ou populismo político. Pelo poder e pelo sentido delas a civilização chegou até aqui. As palavras, quando isoladas, não passam delas mesmas. Como diria o compositor Sergio Britto: “palavras não são más, palavras não são quentes, palavras são iguais, sendo diferentes (…)”. Palavras fora de contexto servem para tudo, inclusive para o nada. Eis o ponto.

Na última sexta-feira, 15 de julho de 2016, um policial militar esteve no centro de uma ocorrência na qual dois indivíduos foram baleados. Socorridos pela PM, ambos deram entrada no hospital sem sinais vitais. Isso ocorreu na cidade de Serra, região metropolitana de Vitória – ES. Não discuto as circunstâncias da ocorrência. O inquérito policial existe para isso. O ponto é outro. Vejamos.

No dia seguinte, um jornal de grande circulação apresenta o fato com as seguintes palavras em letras garrafais: “Dois jovens são mortos a tiros por soldado da PM”. A morte (já escrevi aqui no blog) impõe dois comportamentos: o silêncio respeitoso ou a manifestação de pesar. Então, jamais comemoraria a morte de um ser humano. E não é sobre isso que especulo. Vou além. Ao afirmar que “dois jovens são mortos a tiros por soldado da PM”, o jornal em questão faz um jogo de palavras que deixa clara uma visão de mundo, recorre a fragmentos da língua e os coloca a serviço da afirmação de uma ideologia que ajuda a explicar boa parte de nossas tragédias: o esquerdismo mofo.

Na presente matéria, o jornal recorre a um período verbal construído na chamada voz passiva analítica, que transforma o “soldado da PM” naquilo que, em sintaxe, chamamos de agente da passiva. É uma forma piorada de dizer “soldado da PM mata dois jovens a tiros”, porque nesta construção sintática “a morte” ainda requer algum tipo de explicação que seja capaz de situar o leitor no contexto da notícia, mesmo que o sujeito da ação verbal seja “o soldado da PM”. Detalho um pouco mais: em construções verbais que recorrem ao “agente da passiva”, o paciente – aquele que recebe ação expressa pelo verbo – é, antes de qualquer coisa, uma vítima. Assim, quem redigiu a matéria (ou seu editor) já deixa claro o lado pelo qual optaram. E é assim mesmo que boa parte da imprensa age despudoramente. Mas, para além das considerações sintáticas, é preciso fazer considerações de ordem sociológica. Sigamos.

A palavra “jovem” diz respeito não apenas a uma faixa etária que vai dos 15 aos 24 anos, conforme o chamado Estatuto da Juventude. Mais que isso. Jovem é um termo que no imaginário coletivo se associa a um estudante, um estagiário, alguém que frequenta regularmente uma igreja, alguém que desde muito cedo já enfrenta as dificuldades do mundo do trabalho para conquistar o seu espaço com dignidade. Ou seja, é um termo polissêmico. Mas é pouco provável que alguém diga: “um jovem maconheiro”, “um jovem assaltante”, um jovem “homicida”. Diz-se: “maconheiro”, “ladrão”, “homicida”. Nesse sentido, se não for um jovem movido por algum horizonte moral, desaparece o substantivo e o adjetivo assume o seu lugar. Simples assim!

Por isso, ao falar “jovens” e omitir a “ocupação” deles o jornal sugere de forma obliqua que qualquer estudante, trabalhador, estagiário ou religioso possa “ser morto” por um “soldado da PM” a qualquer momento. Estamos diante de um casamento incestuoso de mau jornalismo com esquerdismo de cabaré. É aviltante. Entretanto, nenhuma ideia ruim se mantém tão longeva sem uma imprensa igualmente ruim a lhe sustentar. No Brasil, o ódio às instituições de segurança pública só não é maior que o amor que certas linhagens do jornalismo e da academia devotam a quem opta pelo crime. Eles veem nisso uma forma de redenção social. É uma gaiola mental na qual estão aprisionados aqueles que, por excelência, deveriam ser “os formadores de opinião”. Suponho que boa parte da imprensa e da academia esteja mesmo “estocolmizada” pelo crime. Essa gente acredita que bandidos devem ser enfrentados com declamação de poemas de Maiakóvski, com a soltura de pombas brancas em praças públicas ou as infrutíferas marchas pela paz. Os criminosos certamente agradecem.

Volto. Os “dois jovens mortos pelo soldado da PM”, ao contrário do que o jornal leva o leitor desatento a entender, eram dois velhos conhecidos da polícia. Um deles já havia sido preso quatro vezes, incluindo tráfico de entorpecentes; o outro havia sido preso três vezes, incluindo tráfico e Lei Maria da Penha. Ou seja, em vez de um currículo, tinham uma extensa ficha criminal. Omitir isso dos leitores é qualquer coisa, menos jornalismo.

Enfim, o jovem da narrativa estava do outro lado: é o policial. Este que estudou, prestou um concurso público muito disputado, foi aprovado, enfrentou um curso de formação na PMES, no qual também foi aprovado. O policial, que a matéria tenta apresentar como criminoso, no exercício regular de sua ainda curta carreira profissional, já apresenta uma extensa ficha de bons serviços prestados à sociedade. Então, que se registre: o inquérito policial elucidará as circunstâncias das duas mortes. Mas, infelizmente, não será capaz de corrigir o mau uso que a jornalista fez das palavras. Lamento apenas o fato de a jornalista não ser exceção!

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