Após críticas de vereador, BM ocupa sessão da Câmara

media_sessaoPoliciais foram à sessão em resposta ao pronunciamento de Ernani Teixeira na semana passada

Lajeado – Em uma sessão com 39 projetos em votação, os vereadores trocaram farpas, o público preencheu mais de metade das cadeiras e a Brigada Militar utilizou a tribuna para responder aos ataques sofridos na semana passada. Tinha de tudo, menos o vereador que ofendeu os policiais.

Na semana passada, dois dias após as eleições municipais, o vereador Ernani Teixeira (PTB) – suplente ocupando a cadeira de Sérgio Miguel Rambo (PT) – utilizou o tempo regimental para criticar a atuação da Brigada Militar de Lajeado durante o dia da votação.

Ernani havia sido preso no dia 2 de outubro por boca de urna, na esquina das ruas Bento Gonçalves e Borges de Medeiros, próximo à seção eleitoral do Colégio Presidente Castelo Branco. Ele foi encaminhado pelos policiais à delegacia e teve que assinar um Termo Circunstanciado.

A polêmica

Segundo o vereador eleito, a acusação de boca de urna é “uma mentira deslavada”, e ele foi algemado sem que houvesse nenhuma prova. “Não cabe a um simples brigadiano algemar uma pessoa”, disse na semana passada. Ele ainda acusou os policiais de truculência na abordagem, e sugeriu que o policial que o prendeu devia ser uma pessoa “de pouca cultura, de pouco estudo”.

Rambo voltou a ocupar sua cadeira na sessão desta terça-feira, e Teixeira não compareceu para assistir. Mas a Brigada Militar esteve em peso. Cerca de 40 policiais participaram da reunião na noite de terça-feira e acompanharam a fala do comandante da 1ª Companhia do 22º Batalhão de Polícia Militar (22º BPM), capitão Luciano Johann.

BM responde acusações de Ernani Teixeira

Com cartazes erguidos, alguns dos policiais que participaram da sessão mostraram seu nível educacional: havia estudantes de Geografia, Gestão Pública, profissionais formados em Direito, Pedagogia, Educação Física, entre outras áreas do conhecimento.

“A Brigada Militar pode até já ter sido assim, como o vereador falou, mas fazemos parte de uma geração de policiais cada vez mais capacitada. Tenho certeza da qualidade de todos os policiais com quem trabalho”, defendeu.

O capitão disse não ter entendido a relação que Teixeira tentou fazer entre os brigadianos que atuam em Lajeado e os presos em Encantado por formação de milícia. “Aqueles policiais foram presos e ainda estão por uma prática que a corporação condena”, rebateu.

Sobre a formação dos policiais, o capitão questionou: “Ele (Ernani Teixeira) é inteligente por ser advogado? Advogado eu fui por três anos e não me julgo superior a ninguém. Ele diz que Lajeado não precisa de policiais desse tipo. Que tipo é esse? O que cumpre a lei? O que trabalha mesmo recebendo seu salário parcelado? Não sei o que ele quis dizer com ‘simples brigadiano’, mas o policial militar é o Estado presente na rua para fazer cumprir a lei.”

Em relação à afirmação de que não haveriam provas contra o vereador, o policial explicou que foram encontrados diversos santinhos do então candidato em seu bolso e alguns bilhetes pedindo favores. “Eram diversos bilhetes com pedidos de favores, como providenciar cirurgia para fulano, providenciar tal demanda para ciclano. Não é o melhor momento para, no dia da eleição, andar com esse material no bolso.”

Sessão de críticas

Críticas ao turno único e à PEC 241 dividiram as falas dos vereadores lajeadenses na sessão. Adi Cerutti (PSD) definiu a “crise instalada na prefeitura” como sem precedentes. “A oficina mecânica da Secretaria de Obras está criando teia de aranha, sem mecânico para trabalhar. Se quebrar uma máquina ou caminhão, não tem que arrume”, criticou. Adi foi secretário de Obras antes de romper com o governo de Luís Fernando Schmidt.

Lorival Ewerling dos Santos Silveira (PP) complementou dizendo que esteve na Secretaria de Obras na sexta-feira e encontrou a sala do secretário “abandonada”. “Quando olhei no pátio, quem não estava parado sem fazer nada estava jogando cartas ou andando de bicicleta”, lamentou.

Vereadora pelo Partido dos Trabalhadores, Eloede Conzatti defendeu a necessidade de turno único como mecanismo para que o prefeito possa encerrar seu mandato sem receber apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ex-secretária de Educação, trocou farpas com o agora oposicionista Adi Cerutti.

“Parece que esse grupo da Secretaria de Obras vem aprendendo isso há mais tempo”, alfinetou. “Na secretaria que coordenei, os horários são cumpridos, não tem turno único e eles trabalham de verdade. Então, não generalizem as críticas ao funcionalismo público.”

Para os vereadores Sérgio Kniphoff e Sérgio Miguel Rambo (PT), o corte de gastos é uma medida adotada por todos os municípios, não uma exclusividade de Lajeado, e a discussão mais importante no momento deve ser em relação à PEC 241 – que limita os gastos públicos. “É uma preocupação séria, porque o projeto propõe reajuste da inflação, mas não leva em conta o aumento populacional dos próximos 20 anos”, alerta Kniphoff.

Crédito da notícia: Redação – Renan Silva

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