Beltrame: “O Rio não tem condições de acabar com a desordem que deixou acontecer”

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, em seu gabinete, na última semana no cargo (Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo)
O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, em seu gabinete, na última semana no cargo (Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo)

Após dez anos no cargo, o ex-secretário afirma que as UPPs expulsaram criminosos, mas falta apoio do Estado para ocupar territórios de vez

RUTH DE AQUINO REVISTA ÉPOCA

José Mariano Beltrame, o gaúcho que entregou o espinhoso cargo de secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro após um recorde de quase dez anos, diz que seu substituto, o delegado Roberto Sá, não foi apenas uma escolha pessoal sua. “Foi fabricado e produzido por mim e tem tudo para ser melhor do que eu”, afirma, em entrevista a ÉPOCA. “Está mais descansado.” O criador das UPPs defende seu projeto de todas as críticas e atribui o enfraquecimento da pacificação a omissões do Estado. “Não se pode usar a violência como desculpa: ‘Ah, eu não pude fazer a estradinha porque tinha um cara ali com um fuzil’. Mentira. Vai lá e faz a estradinha. Faz a urbanização. A paz exige o entrelaçamento de esforços”, diz. “Entrei, mas eles não entraram atrás. Meu temor é que agora se culpe a polícia de tudo. Joga pedra na Geni, que é fácil, que cola.” Beltrame diz que sai “com a consciência tranquila”, mas com uma tristeza: “Esperava deixar o Rio mais pacificado do que está”. Manterá seus seguranças, devido às 51 ameaças de morte que acumulou. Agora, deseja descansar com a família e ampliar seus horizontes para a iniciativa privada. Dará palestras em Harvard e Viena. Por enquanto, são gratuitas.

ÉPOCA – O senhor comparou as UPPs a uma corrida de revezamento, na qual se passa o bastão. Quantas vezes o senhor efetivamente pediu demissão?

José Mariano Beltrame – A UPP é só uma parte da corrida da segurança pública. E segurança é algo interminável, algo que você não vence totalmente nunca. Estamos sempre procurando antecipar situações, minimizar, mitigar. Eu tive ao longo desses quase dez anos momentos em que me deu vontade de passar o bastão, em que eu me sentia desiludido. Mas a minha vontade de fazer sempre foi maior que a de largar. O que estava determinado é que após a Olimpíada eu entregaria o cargo. Mas, como ainda queria ampliar o currículo de treinamento dos policiais de nove meses para 12 meses, preferi fazer isso antes de sair, para não correr risco.

ÉPOCA – O tiroteio na favela do Pavão-Pavãozinho em Copacabana e a queda de um bandido da encosta de um morro, na segunda-feira (10), foram a gota d’água para sua saída?
Beltrame – Absolutamente não. A UPP, na verdade, desafiou o Estado brasileiro, desafiou o município e a sociedade, desafiou o governo federal. O dever da segurança era de todos. Para dar um exemplo: na segunda-feira, no Pavãozinho, havia lá um cidadão que, em 2009, deu um tiro no Fernando Veloso [chefe da Polícia Civil que entregou o cargo um dia depois do Beltrame] com uma “ponto 30” [metralhadora semiautomática] e foi preso. Esse cidadão saiu em maio num indulto para aproveitar o Dia das Mães e nós ficamos cinco meses atrás dele. E segunda-feira nos encontramos e aconteceu o que aconteceu. Eu te pergunto: isso é problema da UPP? É problema da Polícia Civil? O problema são instituições que deveriam assumir o “dever e fazer” do Estado, mas não assumiram. O que me deixa agora meio assustado é ver ressurgir a velha retórica de se buscar um culpado. E aí é assim: “Atira na Geni, na PM, que cola”. Mas a PM ficou oito anos desafiando o Estado e nada aconteceu.

ÉPOCA – Quais foram as omissões do Estado na pacificação do Rio?
Beltrame – O Estado sabe que não tem condições de atender a população marginalizada, não tem condições de urbanizar, não tem condições de levar ordem a essas comunidades. O bandido é o único que quer a desordem. As pessoas querem ordem, querem poder estacionar um carro em frente de casa. Conheço gente na Rocinha que tem de botar a moto na sala da casa para não ser roubado! Então, meu medo é que, ao ver um tiroteio, que é muito ruim, se culpe a PM. Nós pegamos na segunda-feira seis fuzis internacionais, carregadores internacionais, com pessoas que tinham de estar presas. Tenho um temor de que se use a violência como desculpa para a omissão: “Ah, eu não pude fazer a estradinha porque tinha um cara ali com um fuzil”. Mentira. Mentira. Vai lá e faz a estradinha. Faz a urbanização. A paz exige o entrelaçamento de esforços. A verdade é uma só: o Estado do Rio não tem condições de acabar com a desordem que ele mesmo deixou que acontecesse décadas atrás. Então aí, é fácil jogar toda a culpa na polícia, esse é o alerta que eu deixo. A PM está fazendo sua parte. Prendeu novamente essas pessoas. E eu prefiro que Copacabana sofra esse problema duas noites e aí melhore, do que tenha um tiroteio uma vez por semana, como era antigamente.

ÉPOCA – Não é uma coincidência forte demais o senhor sair exatamente depois do tiroteio em Copacabana?
Beltrame – Antes desse tiroteio eu já estava na sala do Pezão falando de minha saída. Infelizmente sei que as pessoas tentam associar minha saída ao que aconteceu. Admito ser uma cena chocante, péssima para o Rio. Mas hoje [quinta-feira] tivemos troca de tiros na Cidade de Deus. Vai ter de novo. O tráfico não desistiu de tentar recuperar seu território e seu poder. Houve cenas muito parecidas com essa e a gente não saiu. Acho que todos precisam entender que são dez anos. De dedicação exclusiva, botando a Segurança acima da minha família, acima do interesse pessoal.

ÉPOCA – A falta de recursos para pagar salário de dezembro e 13º aos policiais contribuiu para sua saída agora? Na Polícia Civil, as delegacias estão até sem papel higiênico, policiais dizem que os prédios deveriam ser interditados.
Beltrame – Se crise financeira fosse motivo para sair, eu não teria nem assumido em 2007. Tive três meses de governo provisório. Foi muito ruim o início de 2008, o ano passado e agora também. Seria leviano se dissesse que a crise não influi no desempenho, no momento em que você não tem gasolina para levantar um helicóptero, não tem ração para dar aos cães, não tem dinheiro para manutenção de blindados que nossos policiais encontraram na África do Sul depois de correr o mundo. Isso tem um peso, claro, na qualidade do serviço público que se presta. Agora, eu enfrentei isso no início e desde o ano passado. Mas marquei minha saída para depois dos Jogos Olímpicos. Posso garantir que não foi o tiroteio no Pavão que determinou minha saída. Infelizmente, essa versão pode estar até rodando o mundo, mas não é verdade.

ÉPOCA – Imagino que fosse seu desejo deixar a Secretaria de Segurança com o Rio mais pacificado do que está. Mas sua saída coincidiu com um agravamento da violência e da insegurança na cidade e no estado.
Beltrame – Sim, eu queria que o Rio estivesse melhor do que está. Mas tenho a consciência tranquila, porque fizemos uma provocação para entrelaçar esforços. E isso significa entrelaçar o cumprimento do dever de todas as instituições. Vou me repetir agora: a gente deu uma anestesia num paciente que precisava de uma cirurgia. E essa cirurgia não foi feita ou foi mal feita, aos pedaços.

ÉPOCA – Quer dizer: a anestesia passou e a dor voltou?
Beltrame – A anestesia está passando, e as coisas não foram feitas. A polícia está sozinha, remando contra águas turbulentas, num barco do qual todo mundo pulou. E a polícia vai continuar a fazer seu papel. Porque ai do Rio de Janeiro se a gente der um passo atrás. O que aconteceu no Pavão iria acontecer muito em breve no Babilônia, no Chapéu Mangueira, no Tabajara. A gente antecipa muitas guerras de quadrilhas, mas todas não dá. O que a gente precisa no Brasil é de lei e ordem. Desordem nesses lugares só facilita bandido. Acho que a gente mostrou o rumo.

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, guarda o crucifixo que pendurou em seu gabinete quando assumiu o cargo em 2007. Ele está deixando a pasta (Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo)
Beltrame guarda o crucifixo que pendurou em seu gabinete quando assumiu o cargo em 2007 (Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo)

ÉPOCA – Em que momento o projeto das UPPs começou a fazer água? Faltou dinheiro, vontade política ou ambos?
Beltrame – Faltaram ambos, não tenha dúvida. A Maré [complexo de favelas], por exemplo, nós estávamos prontos para ocupar depois do esforço do Exército. Eu pedi determinadas obras físicas na Maré e elas não foram feitas. Então não ocupei. Não dá para avançar nenhum processo desses sem a devida proteção ao policial. Como fazer polícia de proximidade assim?

ÉPOCA – Segundo pesquisa recente, 60% dos PMs das UPPs acham que são vistos pelos moradores com aversão e ódio. No início das UPPs, a população das comunidades carentes passou a denunciar bandidos e traficantes. O que mudou?
Beltrame – Acredito que exista sim hoje esse conflito entre PMs e moradores em alguns lugares, onde a situação está mais tensa. Mas a mesma pesquisa indica que o policial e o bandido são fruto do meio. A sociedade vai levar muito tempo para se aproximar da polícia porque há uma memória traumática. A gente precisa insistir. Há lugares em que funciona bem, como Vila Kennedy, Dona Marta, Vidigal. Nós promovemos essa pesquisa junto com o professor e sociólogo Ignacio Cano, fui na abertura. Tem policial que não quer ficar na UPP. A gente troca. Muitos têm família na comunidade e têm temor das lideranças do tráfico. O que não se pode fazer é recuar. O tráfico não desistiu, quer de volta o território dele.

ÉPOCA – Há pessoas, como o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, que defendem menos UPPs, devido aos custos. O senhor também afirmou que alguns policiais das UPPs serão remanejados para as ruas e para a Baixada Fluminense.
Beltrame – Falei com o Picciani hoje. Na verdade, ele não quer reduzir. Simplesmente não quer um aumento no número de UPPs. E eu telefonei para ele dizendo que dou meu apoio. Que não se façam mais UPPs sem ter as condições. Se tiver de cortar, ok. Mas vai lá e consulta a população. Porque tem uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas também que diz que 87% das pessoas que moram lá nas comunidades, no morro – não a classe média do asfalto –, querem a UPP.

ÉPOCA – Acusam-se o ex-governador Sérgio Cabral e o governador Pezão de prometer, com fins eleitoreiros, a instalação de mais UPPs do que poderiam cumprir.
Beltrame – Aí tem de perguntar para eles. Eu primeiro faço para depois falar. Acho que eu fiz e muita gente não veio atrás.

ÉPOCA – Especialistas tentam explicar por que as UPPs teriam perdido sua força inicial. Quais seriam, a seu ver, as principais causas do enfraquecimento das UPPs?
Beltrame – Falta de investimento social e ocupação do Estado. Falta de valorização do policial, prejudicada pela crise do Estado, que agora ameaça não pagar dezembro e 13º. Leniência da Justiça com bandidos presos, por meio de indultos e licenças para sair em datas especiais, além do regime de progressão de pena. Cumpre um terço da pena e sai. Nós temos um bom número de pessoas que voltaram para as UPPs depois de ficar um ano e pouco na prisão, embora tenham sido condenadas a seis, sete anos. Lembra aquele tiroteio na Rocinha com aquele pessoal que acabou sitiando o Hotel Sheraton e escandalizando a cidade? Estão todos na rua. O Isaías do Borel [um dos chefes do Comando Vermelho] estava condenado a 42 anos de cadeia e recebeu indulto para ver a mãe. Não voltou. Faltou também investimento em tecnologia. Por exemplo, no Cerro Corá não tem internet, no alto de Dona Marta não pega nem televisão com bombril na antena. Não temos mais problemas com coletes e armas.Também transformamos 85 contêineres de UPPs em bases fixas, com o apoio de um convênio com a Alerj.

ÉPOCA – É necessário falar de legalização de drogas envolvendo a sociedade?
Beltrame – Tudo isso precisa ser revisto. Não é a droga a culpada de tudo. Eu acho mesmo que a luta policial contra a droga é irracional. Só acho que o modelo muito bem-sucedido que vi em Portugal é um modelo que não serve ao Brasil. Não poderia funcionar aqui. Portugal tem 90 clínicas, todas elas completas, com promotores, médicos, assistentes sociais, juízes. Acho que essas 90 clínicas talvez só atendessem Copacabana.

ÉPOCA – No último ano, a sensação foi que a segurança do Rio desandou. Policiais e inocentes voltaram a ser mortos. Balas perdidas reapareceram. Bandidos não respeitam UPPs. Policiais não respeitam moradores e matam crianças e adolescentes. A guerra entre gangues voltou. Os arrastões se sofisticaram. A população voltou a sentir medo de morrer na rua. O senhor sentiu perda de controle?
Beltrame – Quem perdeu o controle foram os traficantes. Eles põem seis pessoas num lugar dando rajadas para cima para causar na população um estremecimento. É como se eles quisessem proclamar a todos: acabou a UPP. Eles estão tentando uma reintegração. Eles estão com muito armamento estrangeiro, do Paraguai, principalmente, e também da Venezuela.

ÉPOCA – O Rio tem solução?
Beltrame – Claro que tem. Mas não é a UPP tradicional que dará essa solução. Já propus criar um modelo totalmente novo, numa área pequena como a Vila Kelson, mas do jeito que deve ser. Para funcionar como laboratório, vitrine, declaração de princípios. Onde houvesse tudo. Ouvidorias para o policial, o morador, o consumidor. Conselhos para resolver problemas entre vizinhos. Saneamento, clínicas, creches, escola, cursos técnicos, bibliotecas, campos de futebol, lazer para as crianças, bancos de crédito para empreendedores, serviços públicos, tudo digno. Quem sabe alguém se dispõe a ajudar e financiar. Na Colômbia, fizeram assim em Medellín. Podemos fazer no Rio também.

ÉPOCA – Como os PMs lidam hoje com as queixas de moradores nas comunidades?
Beltrame – Vou exemplificar com um caso na semana passada. Um policial foi chamado no domingo às 6 horas da tarde para atender à ocorrência de briga numa comunidade pacificada. Foram ele e um companheiro. Era um bar sem alvará, sem licença de vigilância sanitária para vender seus produtos, a luz era um gato, a água outro gato, a TV a cabo outro gato, na porta do bar uma canaleta com o esgoto a céu aberto, as mesas do bar ocupando metade da rua. O policial chega lá dizendo que os vizinhos querem que haja “ordem” e acabe a briga. O policial é o único ser formal, mas fragilizado por todas essas questões. Eu mesmo digo para o policial nem ir. Há dez anos o dono do bar se comporta do mesmo jeito e já fez um puxadinho para a casa da filha. Pode falar dos defeitos da polícia, mas o discurso precisa ser outro. Tem de buscar ordem na ocupação do solo, na urbanização das comunidades. É preciso derrubar essas vacas sagradas porque o poder público não faz o que deveria fazer. Quanto mais cidadania você dá, de menos polícia você precisa.

ÉPOCA – Qual seria o melhor prefeito para garantir a paz no Rio: Crivella ou Freixo?
Beltrame – Aquele que tiver a melhor política de segurança primária. Significa cuidar da juventude e da família. Esse é o melhor prefeito que o Rio pode ter na área de segurança, para reduzir a violência. E essa é uma função precípua do Poder Executivo municipal. Não vi até agora nada, de nenhum dos dois, com foco específico na segurança primária.

ÉPOCA – O que o governo federal deveria fazer na segurança pública nacional?
Beltrame – O governo federal não aborda as questões constitucionais. Não presta atenção no ciclo completo da segurança publica. Deveria criar uma política nacional de segurança muito enxuta, transparente, prática e mensurável. E começar pela criação nacional de divisões de homicídios equipadas e por um eficiente serviço de perícia. O plano nacional de segurança é hoje um calhamaço cheio de palavra subjetivas onde tudo é interpretado pelo lado semântico, do jeito que se quer. É preciso ter uma espinha dorsal com cinco ou seis coisas primordiais. Por exemplo, no Rio nossa prioridade foi preservar a vida. Reduzimos de 41 mortes por 100 mil habitantes para 19. As UPPs pouparam mais de 20 mil vidas. Sei que os homicídios subiram novamente em 2016. Mas em setembro agora o número baixou novamente.

ÉPOCA – As Forças Armadas deveriam continuar no Rio?
Beltrame – As Forças Armadas podem entrar com uma boa capacidade de dissuasão, mas não resolvem o problema. Pedi que ficassem até dezembro no Rio. Também estou pedindo ao Ministério da Justiça que mantenha a força de inteligência que montamos no Centro de Comando e Controle para antecipar terrorismo. Que esse centro continue aqui, para a gente prevenir crimes transnacionais. A entrada de armas aqui é uma coisa muito séria. Tenho muito medo desse espólio de guerra do possível entendimento na Colômbia com a guerrilha das Farc. Os guerrilheiros têm 60 mil fuzis para entregar ao governo colombiano. Nós recebemos no Brasil todo o espólio da guerra de Moçambique e Angola.

ÉPOCA – Quais são seus planos futuros?
Beltrame – Gostaria de novos horizontes, outras experiências. Colaborar com a iniciativa privada. Poder contribuir para o entendimento da realidade do Rio de Janeiro, que não é uma coisa simples e que fora do contexto ajuda a confundir. Agora vou a Harvard e a Viena dar palestras, por enquanto é tudo gratuito.

ÉPOCA – Vai continuar com segurança particular?
Beltrame – Quando juntei meus cacos para ir embora, percebi que havia 51 ameaças de morte e resolvi manter a segurança.

ÉPOCA – São os mesmos nove seguranças de agora?
Beltrame – Aí já é uma pergunta estratégica, não é? Se eu disser nove, os caras virão me matar com 20. Se eu disser 20, virão 30.

ÉPOCA – Qual é o perfil de seu substituto, o delegado Roberto Sá?
Beltrame – É um planejador. Foi escolhido, fabricado e produzido por mim. Tem tudo para ser melhor do que eu. E, além disso, está mais descansado [risos].

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