Homenagens marcam os 18 anos do CRPO-VT

2016_10_27_carolina-chaves_comenda_crpo_entrega_homenagens_aniversario_-4-780x480Policial militar de Estrela recebeu a honraria de PM padrão, pelo trabalho realizado durante a carreira

O Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale do Taquari (CRPO-VT) comemorou 18 anos de atuação. No evento de ontem, 22 pessoas, entre policiais, autoridades do Judiciário e Ministério Público, além de representantes de entidades civis, receberam comendas. Três militares também foram contemplados com uma medalha, e um foi condecorado com o título de PM padrão, honraria concedida pelo trabalho em prol da segurança regional. No caso dos policiais, foi avaliado, em específico, o aperfeiçoamento curricular e o desempenho nas missões da corporação. Uma forma para recompensar aqueles que têm a função de defender a sociedade.

“Essas pessoas são o nosso maior patrimônio. Hoje, os maiores desafios que temos são motivá-los frente aos constantes parcelamentos de salários e às críticas recebidas diariamente”, afirmou o comandante do CRPO VT, coronel Gleider Cavalli Oliveira. Ele ainda citou que a falta de efetivo, de 60% em algumas cidades, também faz repensar a importância daqueles que trabalham na região.

Como é o caso do sargento Edilnei Vandré Gravina, 34, que recebeu pela segunda vez o título de PM padrão. A primeira havia ocorrido em 2006 – em seu segundo ano na corporação. “É gratificante receber esta honraria. Passamos por muitas coisas na rua, e aqui sentimos o nosso trabalho recompensado.”

A possibilidade de salvar vidas e poder ajudar a comunidade estão entre as motivações para o trabalho militar. O título foi obtido a partir dos resultados nas avaliações que a corporação fez acerca do conhecimento técnico-profissional, no desempenho físico, no uso da força e da arma de fogo.

Louvor funcional

Ao discursarem, o juiz coordenador do Fórum de Lajeado, Luís Antônio de Abreu Johnson, e o promotor, Carlos Augusto Fioriolli, propuseram ao comandante entregar uma anotação de louvor funcional a todos os policiais que trabalharam nas eleições. “Esta eleição teve uma qualificação especial somente porque o CRPO foi efetivo e companheiro”, ressaltou o promotor.

Outras Honrarias

Durante o evento, também foram entregues medalhas e comendas. A medalha Walter Peraccchi Barcelo, que distingue militares que aperfeiçoaram a administração da Brigada Militar, foi recebida pelo major Ivan Urquia. Enquanto o sargento André Rodrigo Engester foi agraciado com a medalha do mérito administrativo, no grau bronze, destinada aos policiais que tenham se destacado por atitudes, dedicação e capacidade profissional. A medalha de serviços distintos – a maior concedida pela BM a um civil – foi para o juiz Luís Antônio de Abreu Johnson. Outras 22 pessoas, representantes de entidades ou da BM, também foram agraciadas com comendas por seus trabalhos.

História da abertura do comando regional

O aniversário do CRPO foi completado no domingo, 23. A primeira sede funcionou junto ao 22º Batalhão de Polícia Militar (BPM), onde permaneceu por apenas três meses. De lá, foi remanejada para um prédio locado, por R$ 3 mil, na rua Paul Oppliger, no bairro São Cristóvão.

“Era bem precário, pequeno. Era um conjunto de salas, mas funcionava tudo praticamente junto. Afinal, não era um espaço feito para aquele fim”, conta o advogado Antônio Scussel. Ele atuou como comandante do CRPO entre 2006 e 2013, e trabalhou no local por cerca de dois anos.

No começo de 2008, quando o comando completaria dez anos, Scussel iniciou uma mobilização para a ocupação de uma nova sede, já que o CRPO VT corria o risco de ser fechado ou fundido. O local já havia sido escolhido: o antigo fórum de Lajeado, em frente à Praça da Matriz. “Minha ideia era de que no aniversário, em outubro, estivesse tudo pronto para a inauguração, e conseguimos.”

Tudo começou a partir da liberação do prédio pela prefeitura e pelo Estado. Por seguinte, uma mobilização intensa para reformar o prédio, que estava deteriorado. “Tinha áreas invadidas, o matagal tomava conta, e o andar de cima tinha muita infiltração”, conta. Em uma parceria com a Associação Lajeadense Pró Segurança Pública (Alsepro) e a JCI Lajeado, foi possível fazer o projeto de restauro e captação de recursos. Ao todo, 33 entidades e empresas da região auxiliaram para colocar o plano em prática. Cerca de 20 presos foram cedidos como mão de obra, assim como brigadianos do Vale e alunos do curso de formação da BM de Montenegro.

Foram reconstruídos desde o telhado ao reboco, aberturas, piso, redes elétrica, hidráulica, telefônica e lógica. O espaço ainda ganhou um galpão para festas, uma garagem no térreo, e acesso lateral. Cada uma das 20 salas tem ar-condicionados e móveis restaurados.

A estrutura de 1,1 mil metros quadrados custou somente R$ 135 mil, enquanto a previsão era de R$ 1,3 milhão. “Foram três meses de muito trabalho. Um tempo recorde. Do coronel ao soldado, todos carregavam tijolos. Foi uma conquista muito grande”, destaca. Em 23 de outubro daquele ano, a nova sede foi inaugurada, com a presença das maiores autoridades da BM. Até hoje, a entidade funciona no mesmo local, e tem como principal função organizar as ações policiais em 37 municípios da região.

O sargento Edilnei Vandré Gravina, 34,  recebeu o título de PM padrão do ano
O sargento Edilnei Vandré Gravina, 34, recebeu o título de PM padrão do ano Crédito: Carolina Chaves

Demandas e projetos

Hoje o CRPO aponta como principais demandas a carência de efetivo, o que afeta todo o estado. Situação que é compensada com a desburocratização das atividades administrativas, e consequente colocação de mais policiais do CRPO nas ruas. A distribuição das horas extras para o 22º BPM e para o 40º BPM também tem auxiliado, assim como a realização de operações especiais durante o dia.

Dentre os projetos implantados, está a atuação dos batalhões do Programa Avante, que estabelece novas diretrizes estratégicas para a instituição. A digitalização de processos tem gerado grande redução de custos e otimização de resultados. O que tem sido objeto de estudos de outros comandos.

Nós conseguimos reduzir os índices de roubo, através da intensificação do trabalho. Mas ao mesmo tempo tivemos o aumento de furtos.
Nós conseguimos reduzir os índices de roubo, através da intensificação do trabalho. Mas ao mesmo tempo tivemos o aumento de furtos. Crédito: Carolina Chaves

Boa estrutura física. Pouca estrutura humana

Hoje, quem realiza a gestão da entidade de segurança é o coronel Gleider Cavalli Oliveira, que trabalha faz cerca de 35 anos na Brigada Militar. Ele assumiu o CRPO no dia 10 de agosto, e tem como objetivo qualificar o serviço de inteligência. Um dos maiores problemas a serem combatidos são os assaltos e roubos e a falta de efetivo.

A Hora – Quando o senhor assumiu o comando, afirmou que apostaria em uma abordagem mais qualificada e inteligente. Como, de fato, isso está sendo colocado em prática?

Comandante – Intensificamos a busca de informações de indicadores criminais que podem auxiliar na prevenção dos crimes. Então isso passa por um mapeamento da incidência de ocorrências, zoneamento, um modus operandi para cada delito, a fim de que consigamos nos antecipar as ações criminosas, e buscar reduzi-las.

Esse zoneamento ainda está sendo feito?

Comandante – Buscamos delimitar os locais com maior ocorrências e, principalmente a forma dessas ocorrências. Por exemplo: tivemos aqui alguns casos de homicídios, mas eram isolados, sem padrão. A única coisa em comum era o uso da arma de fogo. Então, intensificamos a abordagem e apreensão de armas e drogas de circulação.

O roubo é um dos crimes que mais causa trauma nas pessoas. Como o CRPO combate esses ataques? A atuação está sendo efetiva?

Comandante – Nós conseguimos reduzir os índices de roubo, através da intensificação do trabalho. Mas ao mesmo tempo tivemos o aumento de furtos. Os criminosos migram para outros delitos. Então, na verdade, conseguimos reduzir em algumas localidades centrais e começaram roubos em rodovias. Analisamos isso diariamente, e estamos tentando estabelecer um padrão para um combate mais efetivo.

De que forma é feito o policiamento ostensivo nos bairros?

Comandante – Aqui em Lajeado há os quatro núcleos de Polícia Comunitária, que já é uma prática antiga. Nosso maior problema hoje é a deficiência de pessoas, o nosso efetivo está muito reduzido, o que acaba afetando a nossa operacionalidade e visibilidade do serviço. Não estamos ampliando os núcleos, nem aumentando os atuais, devido à defasagem de efetivo.

Quando novos policiais devem chegar ao Vale?

Comandante – Para a região não deve vir nenhum soldado novo, concursado. O que a BM pretende fazer é trazer policiais da região, que estão atuando em outros locais, de volta para cá. Não sabemos quantos são, mas na atual situação qualquer policial que vier para a região é bem-vindo.

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