OSCAR BESSI: Faro e Inteligência policial

chistePor Oscar Bessi CORREIO DO POVO

Casos intrincados, homicídios enigmáticos, roubos espetaculares, crimes aparentemente perfeitos. A tranquilidade do criminoso parecia garantida até que um investigador calejado, seguindo seu “faro policial”, desvendava o mistério. Há quem tenha saudade desses tempos. Que, é bom salientar, não era só literatura de mistério. A ficção copiava a realidade. A cultura do conhecimento empírico permeou nossa ação policial por muito tempo. E deu lá seus resultados. Hoje, porém, há uma complexidade tecnológica, um boom populacional, uma indústria criminosa que se alimenta deste contexto e cria, a todo instante, novas formas de delitos e violências, muitas delas disfarçadas de consumismo, moda e cultura. E só com um bom faro não é mais possível enfrentar isto. Há muitos odores horríveis disfarçados de perfume.

Hoje, a inteligência policial é tudo. O emaranhado tecnológico é arma. Mas auxilia, se bem aproveitado. Os bandidos se aperfeiçoam. Então, informações se tornam a base de toda e qualquer atividade policial, que precisa acompanhar este processo para ter, pelo menos, igualdade de condições para cumprir sua missão preventiva ou repressiva. É sob este aspecto que se vê uma nova luz de proteção à sociedade gaúcha no acordo técnico firmado entre o Governo do Estado do RS, através da Secretaria de Segurança Pública, e a Polícia Federal. Pacto histórico, rompe tradições antigas que vedavam acessos entre si, mais pela popularmente chamada “disputa de beleza” do que por critérios técnicos no objetivo de servir seu povo. Afinal, é para proteger a cidadania que existe polícia. E se há mais de uma força pública imbuída desta missão, nada mais natural do que vê-las unidas, trocando informações, com resultados mais eficientes.

Unidas, nossas forças têm mais chances. Porque as frentes criminosas crescem cada vez mais, se qualificam e se ramificam. As instituições de segurança pública precisam estar irmanadas, com o mesmo foco e olhar aos cidadãos, e o RS dá um belo exemplo. Claro, há outros paradigmas ainda a serem rompidos. Como o engajamento maior de certas instituições, Poderes e forças vivas da comunidade. Aí se pode mudar essa cultura do medo, um dia. E o óbvio: valorizar o bom policial, inclusive aquele que mantém seu “faro” como experiência aliada ao conhecimento. O ser humano ainda é a grande chave de todo processo e deve ser valorizado. Sem motivar os profissionais da área, qualquer trabalho vira um mero enxugar gelo e não haverá tecnologia, ou intercâmbio, que resolva. E insisto: num paralelo, há que construir uma grande frente de fortalecimento da cultura e da educação. Para termos menos crimes no futuro, é preciso resolver bem os de hoje, sim. Mas precisamos, também, que as novas gerações não sejam mais seduzidas pela grife do mal.

Oscar Bessi Filho nasceu na cidade de Porto Alegre, em 04 de setembro de 1970. É autor dos livros “O outro lado do caleidoscópio”, “Um caminho no meio das pedras”, “Marx não foi à praia” e “O silêncio mais profundo”, entre outros. É capitão da BM. Mais em www.oscarbessi.com.br

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