Protesto no Salgado Filho alerta para chegada ‘a uma das mais violentas cidades do mundo’

14/10/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Bloco da Segurança Pública realiza ato no aeroporto Salgado Filho.  Foto: Maia Rubim/Sul21
14/10/2016 – PORTO ALEGRE, RS – Bloco da Segurança Pública realiza ato no aeroporto Salgado Filho. Foto: Maia Rubim/Sul21

Luís Eduardo Gomes SUL21

Servidores da Polícia Civil e da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) realizaram nesta sexta-feira (14) um protesto no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, para alertar sobre a falta de segurança na cidade e no Estado. A manifestação faz parte de uma série de atos que vêm sendo realizados nos últimos meses pelos sindicatos ligados ao chamado Bloco de Segurança pedindo ações concretas e mudanças na política para a área do governo de José Ivo Sartori.

“O aeroporto é uma coisa simbólica, assim como já estivemos em rodoviárias de Porto Alegre e no interior, porque é uma forma de comunicação mais rápida com quem está chegando no Estado e na cidade. É uma forma de alertá-los de que estão chegando em uma das cidades mais violentas do mundo”, diz Isaac Ortiz, presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil do RS (Ugeirm).

No início de junho, o Bloco de Segurança já tinha realizado um ato no aeroporto Salgado Filho. No entanto, o movimento resolveu marcar uma nova manifestação depois de que o local foi palco de dois crimes graves. Ainda em junho, Mineia Sant Anna foi assassinada após ser abordada e levada por assaltantes quando saía do seu trabalho, no aeroporto. Em setembro, Marlon Roldão, 18 anos, foi executado com 17 tiros no saguão do aeroporto.

“Estivemos aqui fazendo um protesto, conversando com as pessoas, para dizer que esse Estado não tinha mais segurança pública, e aconteceram dois crimes bárbaros no aeroporto. Uma funcionária foi morta após ser sequestrada aqui dentro e o caso daquele menino que recebeu vários disparos no saguão do aeroporto. Isso é sinônimo de insegurança, de falta de uma política de segurança pública. Ninguém tem o direito de chegar numa área pública e disparar diversas vezes. Pode ser briga de facção, de vizinho, de quem for. Se isso acontece, é porque não existe um projeto de segurança pública no Estado. Ainda temos que dar graças a Deus que mais pessoas não foram atingidas com aquela quantidade de tiros que foram dados”, afirma Ortiz, se referindo ao adolescente assassinado no saguão.

Flávio Berneira, presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do RS (Amapergs), também lamenta que o ato de junho teve caráter “premonitório”. “Falamos lá atrás do risco que todos corríamos, inclusive no aeroporto. Na época, chamávamos a atenção de que a aparente segurança que alguns espaços ofereciam não era verdade, e de fato, infelizmente, veio a se confirmar com duas mortes no aeroporto”, pontua.

14/10/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Bloco da Segurança Pública realiza ato no aeroporto Salgado Filho. Foto: Maia Rubim/Sul21

Servidores da Civil e Susepe cobraram do governo mudanças na política de segurança | Foto: Maia Rubim/Sul21

Cobranças ao governo

O Bloco de Segurança, que também é composto por sindicatos de servidores da Brigada Militar, IGP e Corpo de Bombeiros, tem se caracterizado por exigir que o governo Sartori altere sua política de segurança, em especial com a retirada da área do decreto que contém gastos, o que, segundo eles, limita o pagamento de áreas extras e investimentos básicos, como a compra de gasolina para viaturas e de novos coletes a prova de balas.

Ortiz afirma que a Ugeirm se reuniu recentemente com o novo secretário de Segurança, Cezar Schirmer, e cobrou mudanças na política do governo. “Dissemos a ele que não adianta ter boas intenções na Secretaria de Segurança se o governo não mudar sua política. Quem tem que mudar é o governo, não é o secretário. Todo o secretário que entra tem boas intenções”, afirma. “Por enquanto, nada mudou, continua a austeridade com relação à segurança, continua chamando os concursados aos pouquinhos, continua não discutindo com a sociedade essa crise de segurança pública”, complementa.

Já Berneira cobra do governo a contratação de novos agentes penitenciários, uma vez que a abertura de novas vagas em prisões foi apontada como uma das prioridades de Schirmer. Segundo ele, a Susepe tem atualmente um déficit de cerca de 3,5 mil servidores. “Mas, se nós fôssemos considerar a recomendação da ONU da qual o Ministério da Justiça é signatário, que determina uma proporção de cinco presos por agente penitenciário, nós precisaríamos ter uma força de trabalho bem maior, perto de mais 10 mil”, afirma.

Em uma assembleia realizada recentemente, a Amapergs colocou na pauta a possibilidade de realizar uma paralisação, mas optou por dar mais tempo para Schirmer apresentar resultados antes de tomar uma decisão nesse sentido. “A categoria entendeu, até por conta de ter trocado o secretário, marcar uma nova assembleia e não deflagrar greve nesse momento”, diz Berneira. Uma nova assembleia da categorias foi marcada para o dia 11 de novembro. “Até lá, esperamos que o governo tenha respondido de forma positivo às nossas demandas, entre elas a do concurso público. Esperamos que até novembro o processo tenha andado”, diz.

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