Confira as medidas que integram o pacote de Sartori

Entre as propostas, a fusão de secretarias e a extinção de nove fundações 

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Por: Zero Hora

O governador José Ivo Sartori (PMDB) anunciou nesta segunda-feira uma série de medidas com o objetivo de “enfrentar a calamidade financeira do Rio Grande do Sul”. O pacote, que foi  dividido em três grandes áreas, contempla propostas de modernização administrativa, de mudanças no serviço público e de ajuste fiscal.

Confira as medidas:

1) MODERNIZAÇÃO DA ESTRUTURA DO ESTADO

Secretarias
Estrutura atual: 20
Secretarias sem alteração: 12
Fusões: 4
Nova estrutura: 16

Pastas que passarão por fusão
– Secretaria-Geral do Governo + Secretaria do Planejamento
Nova designação: Secretaria do Planejamento, Governança e Gestão

– Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos + Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social
Nova designação: Secretaria do Desenvolvimento Social, Trabalho e Justiça

– Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer + Secretaria da Cultura
Nova designação: Secretaria da Cultura, Turismo e Esporte

– Secretaria de Modernização Administrativa e dos Recursos Humanos + Secretaria de Obras, Saneamento e Habitação
Nova designação: Secretaria de Administração, Recursos Humanos e Patrimônio

Fundações
Estrutura atual: 19
Extinções: 9
Nova estrutura: 10

Receita das fundações: R$ 47,2 milhões
Despesas das Fundações: R$ 177,2 milhões
Repasse do Tesouro às fundações: R$ 129,8 milhões

Fundações que serão extintas
CIENTEC – Fundação de Ciência e Tecnologia
FCP – TVE – Fundação Cultural Piratini
FDRH – Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos
FEE – Fundação de Economia e Estatística
FEPAGRO – Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária
FEPPS – Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde
FIGTF – Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore
FZB – Fundação de Zoobotânica (projeto que está na Assembleia será substituído)
METROPLAN — Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regionalização Administrativa e dos Recursos Humanos

Autarquias
Estrutura atual: 7
Autarquia alterada: 1
Autarquia extinta: 1
Nova estrutura: 5

Autarquia que será alterada
AGDI – Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento
– Passa a se chamar Escritório de Desenvolvimento de Projetos (EDP), passando a integrar a estrutura da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão.

Autarquia que será extinta
SPH – Superintendência de Portos e Hidrovias

Companhias
Estrutura atual: 11
Companhias federalizadas ou privatizadas: 4
Companhia extinta: 1
Nova estrutura: 6

Companhia que será extinta
CORAG – Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas

Companhias que serão federalizadas ou privatizadas
* Para que isso ocorra, é necessário o governo aprovar na Assembleia proposta de emenda à Constituição que retira a obrigatoriedade de realização de um plebiscito)

CEEE – Companhia Estadual de Energia Elétrica
CRM – Companhia Rio-grandense de Mineração
SULGÁS – Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul
CESA – Companhia Estadual de Silos e Armazéns (já não existe mais a necessidade de plebiscito)

2) SERVIÇO PÚBLICO

Licença classista – Proposta de emenda à Constituição para eliminar a remuneração dos servidores que não estão desempenhando as funções para as quais foram nomeados por estarem cedidos a entidades de classe.

Servidores cedidos atualmente: 317
Custo mensal: R$ 2,9 milhões
Custo anual: R$ 37,7 milhões
* Dados de outubro/2016

Licença-prêmio – Projeto de Emenda Constitucional que transforma a licença-prêmio em licença-capacitação, a ser concedida a cada 5 anos, por três meses, não cumulativa.
* PEC já está em tramitação na Assembleia Legislativa. Será solicitada agilização aos deputados.

Situação dos novos servidores – Acabam os adicionais de tempo de serviço aos 15 anos (15%) e aos 25 anos (10%).

Situação dos servidores atuais – Estão preservados os direitos para os que já possuem os adicionais por tempo de serviço. Aqueles que estão em período aquisitivo mantêm o direito do período em andamento.

Contribuição previdenciária 

– Serão encaminhados dois projetos de lei complementar aumentando a contribuição previdenciária de 13,25% para 14%.

– A nova alíquota vale para todos os servidores vinculados ao Regime Próprio de Previdênciao Social (RPPS), civis e militares, de todos os poderes.

– Repercussão financeira estimada em R$ 130 milhões.

Taxa de administração – Sofre um ajuste contábil. Parte da receita de contribuição dos servidores passa a ser contabilizada como Taxa de Administração necessária para regular o funcionamento do órgão gestor do RPPS.

Limitação do teto – Atualmente, não está sendo observado limite para que pensionistas vinculadas ao RPPS acumulem o benefício previdenciário com outros rendimentos do serviço público. Pela regra proposta, o IPE deverá pagar a pensão, somada a vencimentos ou aposentadoria, respeitando o teto do funcionalismo previsto na Constituição Estadual.

– Se um servidor receber uma aposentadoria de R$ 20 mil e passar a ter direito a uma pensão de mais R$ 20 mil, o Tesouro pagará essa pensão apenas até atingir o valor do limite único do teto constitucional (subsídio de desembargadores do TJ do Estado), atualmente fixado em R$ 30.471,11.

Fim da contagem de tempo fictício – A proposta de emenda à Constituição vai ao encontro da regra já adotada pela União e outros Estados, alterando o conceito de tempo de serviço pelo tempo de contribuição. A regra, em acordo com a Constituição Federal, impossibilitará formas de contagem de tempo de contribuições fictícias aos civis e militares, sem o efetivo trabalho e respectiva contribuição.

Vedação de pagamento de parcelas indenizatórias sem previsão legal 

– a proposta de emenda à Constituição propõe incluir no artigo 33 da Constituição Estadual norma que prevê necessidade de lei específica para a concessão de quaisquer parcelas ou verbas indenizatórias. A regra vale para servidores públicos e membros de poderes e órgãos. A mesma emenda prevê a suspensão de pagamentos retroativos a exercícios anteriores por dois anos.

– O governo alega que diversos benefícios indenizatórios têm sido concedidos no Estado sem que a Assembleia tenha oportunidade de avaliá-los sob o ponto de vista da repercussão financeira e da isonomia entre os agentes públicos.

Aumentar a permanência de policiais no serviço público

Como é hoje – A cada 5 anos trabalhados, os militares têm direito a três meses de afastamento do serviço, a exemplo da licença-prêmio dos civis. Se não gozar, pode duplicar esse período sucessivamente, averbando para sua aposentadoria (tempo ficto).

Como fica – Essa licença especial é transformada em licença-capacitação de três meses, sem possibilidade de acumular ou dobrar períodos. Assim, fica eliminada a contagem de tempo ficto para fins de aposentadoria. Ficam respeitados os períodos já acumulados. Na prática, a partir de agora, o militar cumprirá todo o período de 30 anos de efetivo serviço para passar à reserva. Isso resulta, em média, em 3 anos a mais na prestação de serviço por militar.

Tempo de serviço público militar

– Alteração no Estatuto da Brigada Militar (LC 10.990/97)

Como é – A atual legislação não impõe limites na averbação de tempo de serviço público ou privado para atingir o tempo necessário para aposentadoria (reserva), o que abrevia a prestação de serviço público de polícia militar e de bombeiro militar.

Como fica – Para fins de contagem de tempo de serviço serão exigidos ao menos 25 anos de efetivo serviço público militar para preencher os 30 anos exigíveis para a reserva (aposentadoria). Assim, limita-se em no máximo 5 anos a possibilidade de averbação de tempo público ou privado, aumentando o tempo de permanência na ativa.

Alterações da passagem para a reserva compulsória

Legislação atual – Ar. 106 – A transferência “ex-offício” para a reserva remunerada (…)

I – atingir as seguintes idades limites:
a) Oficiais
Coronel – 59 anos
Tenente – Coronel – 57 anos
Major – 56 anos
Capitão – 55 anos
Tenente – 54 anos
b) Praças – 55 anos

Proposição – Art. 106 – (….)
I – atingir as seguintes idades limites:
1. Oficiais: 65 anos
2. Praças: 60 anos

Aumento da idade de reforma

Como é – A regra estatutária prevê a possibilidade de reconvocação dos militares até os seguintes limites de idade:
Oficial superior: até 64 anos
Capitão e tenente: até 60 anos
Praças: até 56 anos

Como fica – Com a nova regra, aumenta-se a idade limite para reconvocação dos militares para:
Oficiais: até 70 anos
Praças: até 65 anos

Extinção da promoção na reserva (Praças)

Como é – A atual regra prevê a possibilidade de promoção de soldados e sargentos ao cargo imediatamente superior quando do ato de aposentadoria (reserva).

Como fica – Fim da promoção na reserva aos novos militares estaduais e aqueles sem estabilidade. Adequação do Estatuto da Brigada Militar ao Estatuto da Forças Armadas, que revogaram dispositivo semelhante em 2001.

Guarda externa dos presídios

Como é – Constituição do Estado prevê que a guarda externa dos presídios seja realizada pela Brigada Militar.

Como fica – Suprimir esse dispositivo das atribuições constitucionais da Brigada Militar, em adequação à Constituição Federal, sem prejuízo da continuidade do serviço. Com a alteração, amplia-se a possibilidade de execução desse serviço e libera-se, gradativamente, a Brigada Militar para o desempenho de sua missão constitucional típica.

Indenização por invalidez ou morte em serviço

Como é – Desde 2006, a indenização por invalidez permanente ou morte relacionadas ao serviço é de R$ 25 mil

Como fica – Aumenta a indenização por invalidez permanente ou morte relacionadas ao serviço para 3.000 UPFs. Estende o benefício a todas as categorias da Segurança que estiverem na atividade-fim

Cedências de servidores da segurança para outros órgãos

Como é – Para reduzir as cedências da Segurança, o governo apresentou a Lei 14.877, de 9/6/16, restringindo as cedências para todos os Poderes e órgãos e outros Estados e municípios. A lei limitou em 7 os servidores para Presidência AL, TJ, TCE e PGJ.

Como fica – O decreto, agora, regulamenta a lei, definindo o critério de interesse da segurança para as restritas hipóteses ao Executivo.

Casos em que é possível a cedência:
Casa Militar
Secretaria da Segurança Pública e vinculadas
Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos e vinculadas
Departamento Estadual de Trânsito
A cedência tem prazo de até 1 ano, prorrogável uma única vez por igual período.

Estrutura básica da SSP/RS

Como é – Atualmente, a SSP possui 10 Departamentos e 34 Divisões.

Como fica – Reduz de 10 para 5 Departamentos e de 34 para 20 Divisões na estrutura da Secretaria da Segurança Pública. A reestruturação tem por objeto reduzir o tamanho da máquina e devolver à atividade-fim os servidores das estruturas extintas.

Regime de trabalho da Susepe

Como é – O regime de trabalho está previsto em Lei, diferente do que ocorre com outras categorias.

Art. 23 – Os servidores integrantes (…) ficarão sujeitos aos seguintes regimes de trabalho:
I – regime de expediente: 8 horas diárias totalizando 40 horas semanais, (…)
II – regime de plantão: plantões de 24 horas totalizando 160 horas mensais mediante escala de trabalho, assegurado o respectivo descanso, bem como todas as vantagens previstas em lei.

Como fica – Suprime da Lei o regime de plantão e permite que a Administração gerencie os recursos humanos no melhor atendimento do serviço público, resultando em um tratamento igualitário da jornada de trabalho às demais categorias, respeitando o limite constitucional.

3) AMPLIAÇÃO DO AJUSTE FISCAL

Repasse dos duodécimos – Proposta de emenda à Constituição altera os artigos 146 e 156. Os repasses dos duodécimos dos poderes e órgãos serão calculados pela Receita Corrente Líquida efetivada, limitados ao orçamento previsto.

Impacto financeiro – R$ 575,7 milhões (considerando dados de 2015)

Saldo dos outros Poderes – Proposta de emenda à Constituição retirando o saldo dos outros poderes e órgãos do Caixa Único para o Fundo de Reforma do Estado. Com isso, governo quer evitar que os recursos do Fundo sejam objeto de saque.

Revisão dos benefícios fiscais – Projeto de Lei 214/2015 visando a redução de 30% nos créditos fiscais presumidos referentes a 2016, 2017 e 2018. Aplicação de regime de Urgência. Impacto financeiro – R$ 300 milhões ao ano

Mudança no ICMS na indústria – O recolhimento do ICMS passa do dia 21 para o dia 12, a partir de janeiro de 2017. Antecipa dentro do mês o recolhimento de R$ 300 milhões, permitindo o pagamento pelo novo calendário proposto.

Folha dos servidores – Proposta de emenda à Constituição retira do texto a data de pagamento até o último dia do mês. Após aprovação, o governo vai propor um calendário escalonado, priorizando os menores salários e dando maior previsibilidade de pagamento aos servidores do Estado e autarquias.

Data de pagamento do 13º – Proposta de Emenda à Constituição altera o pagamento do 13º salário até 2020.Após a aprovação, a medida será regulamentada nos seguintes termos: 50% até o último dia útil do exercício e 50% até o dia 30/11 do exercício seguinte

6 Comentários

  1. José Ubiratã Barragan

    O SARTORI SÓ PODE TER TIDO ALGUM PROBLEMA COM ALGUM SERVIDOR PÚBLICO DO EXECUTIVO! POIS TA QUERENDO QUE O EXECUTIVO PAGUE A ROUBALHEIRA DO ESTADO, SE DIVIDISSE A CONTA COM TODOS OS PODERES ATÉ CONCORDARIA, MAS PORQUE SÓ OS SALÁRIOS DOS SERVIDORES DO EXECUTIVO SÃO PARCELADOS, SERA QUE O DINHEIRO QUE PAGA OS OUTROS PODERS NÃO VEM DO MESMO LUGAR QUE VEM O MEU SALÁRIO?
    O FUNCIONALISMO PÚBLICO TEM QUE DIZER NÃO A ESTES QUE ESTÃO NO PODER E É NA PROXIMA ELEIÇÃO, VAMOS NOS MOBILIZAR E NÃO DEICHAR ESTE AFRONTO AOS SERVIDORES PÚBLICO PASSAR PELA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, VAMOS DAR UM BASTA A ESTE PARTIDO QUE ATÉ AGORA NÃO DISSE A QUE VEIO, POIS TA MAIS PERDIDO QUE SEGO EM TIROTEIO, ACHOU QUE IA SER FACIL GOVERNAR O ESTADO E SÓ PEGAR O SEU RICO SALÁRIO NO FIM DO MES? SE ENGANOU POIS AGORA COM ESTE PACOTE O SR VAI SENTIR NA PELE AS DIFICULDADES QUE O FUNCIONALISMO ESTÁ ENFRENTANDO.
    ATÉ AS ELEIÇÕES SENHOR SARTÓRI.

    • luiz carlos tessaro

      SERA PORQUE, NÃO TEM NADA FALANDO EM REVER, OS SUPER SALÁRIOS. DA CUPOLA DOS TRÊS PODERES, POIS FOI INDEVIDO AS VANTAGENS ALEM DO TETO, NA ATIVA TAMBEM, JÁ QUE ESTÃO GARGANTEANDO TANTO COM ESSE PLANO.

  2. E depois desta proposta de tirar direitos dos PMs, pois parece, com essas propostas, que é a Brigada Militar que quebra o Estado.
    Quando teremos alguma manifestação?

    Estamos todos contentes com isso?

    Qual a posição da ABAMF referente a essas propostas?

    • Euclecio Davi Scheffler

      O único órgão que dá sustentação ao governo é a segurança pública, e este é considerado o vilão de o Estado estar quebrado, gostaria de saber o que o governador vai fazer quando a segurança pública cruzar os braços, vai chamar o Exército para fazer sua segurança, quero ver fazer a segurança em todos os municípios, é fácil colocar guela abaixo essas medidas em quem não pode se manifestar porque os Estatutos e a Constituição proíbe, mas não se esqueça de que mesmo sendo proibido já foi realizado greve no Estado, e que poderá ocorrer novamente, Quanto a retirada da promoção na aposentadoria, até pode retirar desde que compense com FGTS, pois os policiais não tem FGTS, auxílio desemprego, se houver um problema qualquer com saída do militar da ativa, sai sem ter nenhum seguro, isto ninguém fala, porque ninguém sabe, será que o Governador não está vendo os índices de criminalidade aumentando no estado, para invés de investir em segurança está simplesmente desmanchando o que existe, tornando o policial uma pessoa sem as mínimas condições e vontade de exercer este serviço tão incompreendido pela governança no geral. É finalmente acho que este governo não tem nada a acrescentar ao povo a não ser falar, falar e falar. Gostaria de ver algo ser feito em torno do Judiciário e do Legislativo, que são os mais altos salários e regalias, mas aí a coisa fica feia, é imexível, então governar assim é uma utopia, queira Deus que eu esteja erado, mas só o tempo é que vai dar a resposta.

  3. O Sartori não tem legitimidade para propor nada, pois não cumpre a Lai. Com a desculpa de aumento da violência chamou a Força Nacional a peso de dinheiro e gordas diárias, isso prevendo manifestação dos servidores públicos inclusive da BM. A crise é uma farsa montada detalhadamente dentro dos gabinetes do piratini com apoio da RBS.

  4. Sgt Vale dos Sinos

    Pode ser que desta vez, aprendam a lição nunca mais, mas nunca mais mesmo votar neste partido do PMDB, já pensaram se o Tarso não deixasse estes aumento para nós. E o engraçado que no governo dele houve até queima de pneus, neste governo estão de braços cruzados, como se estivesse tudo certo, confesso não dá para entender.

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