FOLHA DE SP: PM é vítima de preconceito, diz secretário da Segurança de Alckmin

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho

ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO FOLHA DE SP

Secretário da Segurança Pública do governo Geraldo Alckmin (PSDB), Mágino Alves Barbosa Filho afirma que não há nem sequer um nome de PM sob investigação devido à chacina de cinco jovens da zona leste, que ficaram mais de duas semanas desaparecidos e cujos corpos foram encontrados no domingo (6) em Mogi das Cruzes (Grande São Paulo).

Para ele, policiais são citados como suspeitos em casos do tipo devido ao “preconceito” contra a corporação.

No dia 21, cinco rapazes, com idades entre 16 a 30 anos, saíram de carro com destino a uma festa e desapareceram. Foram achados enterrados em uma área rural. Um áudio enviado por um dos jovens citava uma abordagem policial. Cápsulas de pistola.40 compradas pelas polícias Militar e Civil de São Paulo foram encontradas próximo aos corpos.

Além disso, PMs chegaram a consultar os antecedentes criminais de dois dos rapazes, dias antes da chacina. Em entrevista à Folha, porém, o secretário afirma que “as investigações estão avançando e demonstrando que não há evidência concreta da participação de polícias”.

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Folha – Quando ocorre uma chacina, PMs são os primeiros suspeitos. Não é preocupante?

Mágino Alves Barbosa Alves – Em primeiro lugar, vejo essa suspeita como um pouco de preconceito em relação ao policial. Em segundo lugar, só posso imaginar que isso tenha alguma relação com o fato ocorrido no ano passado, quando tivemos aquela chacina que, infelizmente, envolvia policial militar.

A de Osasco e Barueri?

Isso. Agora, de concreto mesmo, não tem nada que ligue a morte desses jovens [encontrados mortos nesta semana em Mogi das Cruzes] a organismos policiais.

Mas os primeiros investigados são policiais.

Primeiro, surgiu aquela história do áudio. Até hoje não se conseguiu nem sequer demonstrar em qual data foi gravado o áudio. Aquilo fez com que a primeira notícia já provocasse uma tensão em relação à atuação de policiais.

Depois, o encontro de estojo de policial, de calibre 0.40, no local onde foram encontrados os corpos. Isso levou que se instaurasse um IPM [Inquérito Policial Militar] a partir desse momento. Só que agora as investigações estão avançando e estão demonstrando que não há uma evidência concreta da participação de policiais. Isso, por enquanto.

As linhas de investigação continuam, e tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil e a Secretaria da Segurança têm o compromisso de buscar a verdade. Se tiver policial envolvido, nós vamos apurar.

No começo das investigações, após os corpos serem localizados, o sr. descartou o envolvimento de policiais. Não foi prematuro?

Não descartei. Vocês que entenderam isso. Eu disse que não havia indícios. Se tivéssemos descartado, a gente relatava o inquérito e mandava para a Justiça. A investigação continua. O que é prematuro é acusar o policial. Não tem um indício concreto da participação de policiais.

Há algum PM sendo investigado neste caso?

Não tem. Não tem. Não tem. Os PMs ouvidos até agora foram ouvidos na qualidade de testemunhas.

Eles explicaram por que pesquisaram os antecedentes de alguns desses jovens?

As pesquisas foram realizadas muito tempo antes. Foram feitas nos dias 2 e 9 de outubro. Pesquisas rotineiras, o que é comum. Não tem nada que indique que havia uma armação.

Então quais são as outras possibilidades para o crime?

Isso envolve circunstâncias da vida das vítimas. Só a investigação mesmo é que poderá determinar. As vítimas tinham alguns problemas na vida delas e isso pode ter gerado algum tipo de situação que pudesse provocar esse desfecho. Mas essa é, eu repito, uma linha de investigação conduzida com muito cuidado, assim como a outra.

Por que o governo negou que uma perícia independente acompanhasse os trabalhos?

Eles [entidades de defesa de direitos humanos] pediram, sem explicar o motivo. Sem apontar qualquer falha de perícia ou suspeita. É óbvio que não vão acompanhar. Não há a menor necessidade. Temos a polícia científica mais moderna do país.

Há críticas sobre a demora na busca desses rapazes desaparecidos, por serem pobres e com antecedentes criminais.

Imagina. Nós tivemos muita dificuldade para obter acesso aos celulares [para rastrear ligações]. Desde o primeiro momento estavam sendo realizadas diligências.

Quando tivemos noção de que seria em determinada região, conversei com o DHPP [departamento de homicídios]. Eles disseram da necessidade da ajuda do COE [grupo de operações especiais da PM]. ‘O senhor autoriza? Lógico. E mais, vamos usar o Águia [helicóptero]’. Fizemos dois dias de sobrevoo. Não houve qualquer descaso.

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