G1: RS e MG devem ser os próximos a apresentar cortes

whatsapp_image_2016-11-04_at_2-32-46_pmAssim no Rio como no resto do Brasil

Pacote de maldades é coisa de político fraco. O novo é fazer maldades com requintes de crueldades. Foi o que fez o governador reintegrado ao cargo no Rio de Janeiro, Luiz Pezão. Na impossibilidade de lidar com crise que se abate sobre o estado fluminense com trivialidade, Pezão apareceu com uma lista de medidas absolutamente drásticas para evitar que as finanças regionais afundem de vez. 

Ele não tinha outra opção e chega atrasado com as soluções. Por isso elas tiveram de ser tão dramáticas. Do desconto de 30% de aposentadorias e pensões, ao congelamento de salários por três anos, passando pelo desejado corte de secretarias e a suspensão de anistia de impostos, o governo do Rio de Janeiro tenta entregar uma lição de casa que deveria ter sido feita há pelo menos dois anos. 

“O que o Pezão está fazendo é um marco, muito corajoso. Em janeiro deste ano ele apareceu com um pacote parecido como este e a Assembleia do Rio ignorou, nem protocolou o pedido. Quando as vacas estão gordas ninguém quer fazer reforma. E agora que as vacas estão magrinhas, não há outra opção. Chegaram num ponto sem retorno, uma posição desesperadora. Se houver reação contrária da Assembleia, eles terão que assumir publicamente o ônus de não aprovar a solução”, disse ao blog o economista Raul Velloso. 

Os erros cometidos na gestão pública não deixam barato e a conta chega, indubitavelmente. Os cariocas terão que engolir a seco as maldades necessárias para corrigir as bondades manipuladoras e insustentáveis que foram propagadas até agora. Assim como no Rio será no resto do Brasil. Rio Grande do Sul e Minas Gerais devem ser os próximos da fila a aparecer com seus embrulhos espinhosos. E não vão ficar sozinhos por muito tempo porque a mudança radical na gestão pública será inevitável – sob a ameaça de implantarmos no Brasil uma economia que viverá exclusivamente para sustentar os rombos dos cofres públicos. 

Assim nos estados como no governo federal. Os rombos somados a partir de 2014, e os que ainda estão por vir, tiram da União a capacidade de investir nos serviços que presta à população e gerar confiança para que o setor privado também faça a sua parte e contribua para o crescimento da economia. Como já falei aqui no Blog, a grande diferença entre administrar as crises regionais é que o governo federal tem a máquina de imprimir dinheiro para cumprir seus compromissos. 

“O governo federal roda a ‘maquininha’ impunemente por um tempo e assim não atrasa pagamento, não tem funcionário público na fila querendo seus salários. Os estados não têm a máquina e tem de atrasar tudo. Mas o prazo para continuar imprimindo dinheiro também está acabando porque esse processo gera a hiperinflação”, alerta Raul Velloso.   

Como disse o governo do Rio, Luiz Pezão, a Previdência é o “centro gravitacional da crise”. Por isso a medida mais dramática foi direcionada aos aposentados e pensionistas, com corte de 30% dos benefícios. A história é a mesma para todos os estados da federação e dificilmente os outros governadores conseguirão escapar da tungada nos recebimentos dos funcionários ativos e inativos, como propõe agora o Rio. 

“A Previdência é o foco hoje. Quem tem que capitanear a reforma é o governo federal, instituindo a nova idade mínima. Os estados não podem reformar nada, por isso tem que cortar 30% dos vencimentos para poder aumentar a contribuição e não deixar o sistema ruir. O Pezão está desnudando o rei. Talvez porque ele tenha visto a morte passar perto, ele tenha tido a coragem de fazer isso, porque não é fácil. No Piauí, chamam de cabra-macho”, conclui Raul Velloso, que é especialista em contas públicas e tem alertado sobre o caos no Rio há muito tempo. 

Servidores protestam contra medidas de austeridade do governo do RJ

Manifestantes se concentravam na Alerj enquanto Pezão anunciava pacote.
Funcionários públicos dizem que medidas são ‘pacote de maldades’. 

Patrícia TeixeiraDo G1 Rio

Servidores públicos protestam contra pacote de medidas de austeridade do governo estadual (Foto: G1)
Servidores públicos protestam contra pacote de medidas de austeridade do governo estadual (Foto: G1)
Aposentados protestam contra pacote de austeridade do governo Pezão (Foto: Patrícia Teixeira/G1)
Aposentados protestam contra pacote de austeridade do governo Pezão (Foto: Patrícia Teixeira/G1)
Manifestantes protestam contra o pacote de austeridade do governo do Rio (Foto: Patrícia Teixeira/G1)
Manifestantes protestam contra o pacote de austeridade do governo do Rio (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

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