Oscar Bessi: A solidariedade dos policiais da Restinga

BOE abre campanha para ajudar família de recém-nascido com doença congênita na Restinga. Foto: Divulgação/BM

Por Oscar Bessi  Correio do Povo

O s leitores mais atentos desta coluna vão se lembrar deste nome: Huewerton Oliveira, soldado da Brigada Militar que serve no Pelotão de Operações Especiais do 21? BPM, na Restinga. Em novembro de 2015, contei neste espaço alguns detalhes sobre a ocorrência em que ele e seus companheiros de farda salvaram uma mãe e sua filha que viveram momentos de terror nas mãos de assaltantes, de bandidos alucinados que as sequestraram para roubar o carro. Uma das tristes rotinas na capital gaúcha. Pois, agora, preciso contar uma nova história desse ser humano fantástico chamado Huewerton Oliveira. Um novo capítulo de nos deixar com um nó inquieto na garganta e lágrimas nos olhos. Era dia 25 de manhã, e Huewerton tomava café com sua esposa. De repente, ela lhe mostrou algo nas redes sociais que a tocou. Era a foto de um bebê chamado Israel que após cirurgia complicada pelo fato de ter nascido com sopro no coração precisava de leite NAN 1. A família residia num barraco, em situação de miséria. É, essa miséria que uns por aí dizem ter terminado no Brasil, mas só terminou, mesmo, em alguns discursos políticos mascarados e oportunistas, pois na realidade segue firme, impiedosa e implacável. Huewerton leu a notícia e viu que se tratava de uma invasão próxima ao hospital da Restinga, área onde ele trabalha. Sensibilizado, imediatamente encaminhou aos seus colegas de serviço e sugeriu que cada um comprasse uma lata daquele leite, caríssimo para a família, mas que eles, mesmo com as dificuldades, poderiam adquirir. Todos os seus colegas abraçaram a causa na hora. Os policiais militares da Restinga se mobilizaram, e o que aconteceu foi uma reação em cadeia de amor e generosidade. Civis, comerciantes, policiais, ex-comandantes do batalhão se juntaram a arrecadar os donativos. Muitos começaram a ajudar. À noite, de serviço, Huewerton visitou a família e conheceu pessoalmente o pequeno Israel. Naquele lugar, onde praticamente nenhum serviço público vai para dar atenção, ele levou a farda da Brigada Militar e o seu maior objetivo: ajudar ao próximo, abraçar a dignidade e a cidadania, estender a mão a quem mais necessita. Na manhã seguinte, o “pequeno guerreiro”, que é como Huewerton chama Israel desde então, recebeu todas as doações. Hoje ele tem o leite que seus pais não teriam como comprar. E essa família, a comunidade da Restinga como um todo, tem a esperança boa, que só nasce dos maiores exemplos de humanidade que temos. Exemplo desses heróis de verdade como o soldado Huewerton, do 21? Batalhão de Polícia Militar.

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