RJ: Por conta de bloqueio na porta de batalhão, PMs trabalham desarmados e sem colete

Grupo de familiares se concentra em frente ao 3º batalhão da PM no Meier, zona norte do Rio

‘Tem que contar com a sorte de vagabundo não atirar na gente’, afirmou um dos policiais

Fernanda Nunes , O Estado de S. Paulo

A manifestação de familiares de policiais em frente ao 6º Batalhão da Polícia Militar, na Tijuca, na zona norte do Rio, está refletindo na segurança dos militares. Na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro do Salgueiro, no bairro, 15 policiais trabalham desarmados e sem colete à prova de balas na manhã deste sábado, 11. Eles contaram que receberam ordem do comando do batalhão de seguir diretamente para a base da UPP, um contêiner instalado na entrada do morro, no início do turno, às 6 horas.

Normalmente, antes de seguir para as UPPs, os PMs se apresentam ao batalhão para buscar o material de trabalho. Mas hoje não fizeram dessa forma hoje por orientação do comando, que organizou a rendição dos turnos nas ruas para romper o movimento das mulheres. Elas protestam para reivindicar regularização do pagamento de salários e benefícios, atrasados por conta da crise financeira do Estado. “Tem que contar com a sorte de vagabundo não atirar na gente”, afirmou um dos policiais, que não quis se identificar à reportagem.

Por volta das 8h30, parte do grupo de 15 PMs mantidos na base da UPP estava parada do lado de fora da unidade, encostada em seus carros, na calçada, mexendo em seus telefones celulares. Nesse grupo, apenas um estava fardado, com colete e armado, porque trouxe seu equipamento de casa. “Os bandidos conhecem a nossa cara. Estamos aqui todos os dias. Mas fazer o quê? Tem muita coisa envolvida”, disse um dos PMs, ao comentar a vulnerabilidade do grupo.

Hoje é o segundo dia de manifestação das mulheres de policiais nas portas dos batalhões. Há movimentação também em pelo menos outros três batalhões: 16º (Olaria, na zona norte), 19º (Copacabana, zona sul) e 23º (Leblon, zona sul). Na Tijuca, elas prometeram levar os filhos e parentes amanhã, para participar do protesto. O comandante do batalhão, coronel João Busnello, tentou negociar a saída das manifestantes da frente da unidade, sem sucesso.

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