ZERO HORA: Paralisações à vista no Rio Grande do Sul a partir de março

Cpers realiza assembleia geral no próximo dia 8 com indicativo de greve 

Por: Cleidi Pereira

Reajuste salarial, melhores condições de trabalho, fim do parcelamento, pagamento integral do 13° salário. As reivindicações de servidores públicos da área da segurança no Rio de Janeiro e Espírito Santo, que motivaram os protestos de familiares em batalhões, encontram eco no Rio Grande do Sul e colocam o Piratini em estado de alerta.

De acordo com o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar (Abamf), Leonel Lucas, a categoria já pressiona por uma mobilização mais intensa do que a de 2015, quando ocorreram dois dias de “aquartelamento” – a greve dos militares é proibida pela Constituição. O movimento de dois anos atrás teria sido a inspiração para as ações no Rio e em Vitória, segundo Lucas. Uma assembleia para definir o cronograma de ações está marcada para março.

Maior quadro do Estado, o magistério já dá como certa uma nova greve da categoria em 2017. No ano passado, foram duas paralisações, sendo que uma delas, entre maio e julho, durou 54 dias. A assembleia geral do Cpers irá ocorrer no dia 8 de março, já com indicativo de greve, segundo a presidente do sindicato, Helenir Aguiar Schürer.

O pacote do governo José Ivo Sartori e as propostas de reforma previdenciária e trabalhista do governo de Michel Temer serão o alvo das manifestações. Entre os projetos do Piratini, os mais polêmicos são os que tratam do fim da licença-prêmio, do adicional por tempo de serviço e da remuneração a funcionários cedidos a sindicatos.

– Se agora, com os projetos parados, o pessoal está pedindo mobilização, imagina o que pode acontecer depois. E, os professores entrando em greve, a categoria pensa “por que não, se todos estão no mesmo barco?” – avalia Lucas.

Secretário de Comunicação, Cleber Benvegnú afirma que o governo espera que as instituições “continuem tendo responsabilidade” e que uma greve é “tudo o que o Estado não precisa neste momento”. Ele lembra que, mesmo diante das dificuldades financeiras, o Palácio Piratini vem honrando os reajustes salariais concedidos até o ano que vem pelo governo Tarso Genro (PT).

CORREIO DO POVO: Piratini‘congela’votações até março

No Rio Grande do Sul, a votação do pacote de ajustes do Piratini, que integra as exigências do governo Temer para assinar o Plano de Recuperação Fiscal, deverá ficar travada até o início de março, pelo menos, e dependerá de acordo entre os líderes das bancadas para que as matérias possam chegar ao plenário. Restam para ser votados dois projetos de lei (PL), dois projetos de lei complementar (PLC) e sete propostas de emenda à Constituição (PEC). Todas as matérias estão aptas para votação em plenário, mas o governo preferiu adiar sua apreciação para o próximo mês. Assim, a Assembleia seguirá sem votações em fevereiro. Articuladores do governador José Ivo Sartori (PMDB) e integrantes da cúpula do Piratini contam com o avanço das negociações do plano no governo federal. Mas, o exemplo do acordo do Rio de Janeiro, que está travado por conta da falta de aprovação de medidas na Assembleia carioca, está impactando as ações no Estado. O acordo com a União tem sido descrito como “salvação” e qualificado como um “trunfo” pelo líder do governo Gabriel Souza (PMDB).

A oposição, no entanto, promete prolongar a discussão e reforçar a pressão sobre partidos aliados de Sartori. Parte das medidas foi aprovada em dezembro do ano passado, com divergências na base. Permanecem na pauta a PEC que converte a licença-prêmio dos servidores em licença capacitação; a que modifica a data de pagamento dos salários para até dia 20 do mês seguinte; a que permite ao governo pagar o 13? salário até o mês de novembro do próximo ano, e a que libera o governo de fazer plebiscito para privatizar estatais.

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