CORREIO DO POVO: Obrigação descumprida

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A segurança pública segue negligenciada

EDITORIAL CORREIO DO POVO

Já são tantas as vítimas da violência no RS, assim como no Brasil, que fica difícil memorizar quem são elas. A única fonte é a das frias estatísticas, que não dão nomes nem rostos a essas tragédias cotidianas, que tiram das famílias seus entes queridos e até mesmo a possibilidade de ter uma vida feliz e mais plena. Neste sábado, uma criança de apenas nove anos foi morta por uma “bala perdida” no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. Ainda na Capital, também no sábado, um dono de bar foi morto a tiros por três delinquentes em seu estabelecimento. A esses somam-se incontáveis ocorrências, como a da rainha de bateria da escola de samba Imperatriz Dona Leopoldina, Paola Serpa Severo, de 33 anos, em Cachoeirinha.

A verdade é que muitas dessas mortes se inserem num contexto em que o poder público (União e estados) comprometeu-se em aplicar o Estatuto do Desarmamento, mas nunca deu mostras reais de fazê-lo. Não obstante algumas campanhas de recolhimento de armas em posse dos cidadãos, jamais foi deveras eficiente no combate ao tráfico de armas nas fronteiras nem foi capaz de desarmar facções criminosas que atuam em todas as cidades brasileiras e ostentam crescente poderio bélico. Assumiu uma obrigação que nunca cumpriu de forma adequada, deixando a população indefesa e à mercê da ação de delinquentes armados. O resultado está aí, com bandidos perigosos portando o arsenal que bem entendem, muitas vezes maior que o da Polícia. A segurança pública segue negligenciada.

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