Profissão Repórter mostra as condições das cadeias no Brasil ( VÍDEO )

Ratos, baratas e doenças como sarna, HIV, tuberculose e sífilis são comuns em presídios brasileiros

Em Salvador, presos bebem água de vinda de caixa infestada de baratas, há esgoto dentro das celas e dezenas de ratos nos corredores. No Piauí, um surto de sarna atingiu 150 detentos e até o diretor do presídio.

A violência é responsável por menos da metade das mortes dentro do sistema penitenciário no Brasil. Das outras causas, quase não se tem notícia. Segundo os últimos dados do Ministério da Justiça, 62% das mortes são provocadas por doenças, como HIV, sífilis e tuberculose.

PREP_ Profissão Repórter vai mostrar as condições das cadeias no Brasil (Foto: TV Globo)
As condições das cadeias no Brasil

Essas três doenças são comuns no Complexo Penitenciário de Salvador, por exemplo. É o maior presídio do estado, com mil presos. Segundo a administração, só 3 foram diagnosticados com tuberculose e 11 com sífilis. Não é o que os presos dizem. Lá, eles convivem com baratas na caixa d´água, esgoto dentro das celas e dezenas de ratos nos corredores. A Bahia tem uma das maiores populações carcerárias do país, com cerca de 14 mil presos. A cada mil presos no estado, 60 tem alguma doença contagiosa.

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Em Natal, presos de facções criminosas separadas são separados para evitar conflitos

IML de Natal tem corpos no pátio por causa de lotação
Em dez anos, a população carcerária do Rio Grande do Norte subiu de 2.145 para 8.242, um crescimento de 260%. No mesmo período, a taxa de homicídios subiu de 13,5 para 48,6 por 100 mil habitantes, um aumento de 285%. O IML (Instituto Médico Legal) de Natal não comporta mais tantos mortos. Vários corpos são deixados no pátio do IML, sob o sol e um calor de mais de 30 graus.

A situação do Presídio de Alcaçuz, também em Natal, não é muito melhor. Pelo menos 27 presos morreram durante uma rebelião ocorrida em janeiro desse ano numa rebelião provocada pela rivalidade entre duas facções: uma do Rio Grande do Norte e outra de São Paulo. Durante seis dias, os presos tomaram conta do presídio. Antônio Filho é agente penitenciário há 15 anos e conta que já foi refém numa rebelião. “Me colocaram no telhado lá e eu só vi a morte, todo dia, até me liberarem. Foi o trauma que ficou pra mim”, diz ele.

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Presos reclamam da falta de atendimento médico

 

Um em cada quatro presos toma remédio para ansiedade
O presídio de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, tem capacidade para duzentos e oito presos. Mas, por questões de segurança, nunca opera com a lotação máxima. Eles também não divulgam o número atual de presos. A maior parte dos detentos são líderes de organizações criminosas. Um em cada quatro presos toma medicamento para controlar a ansiedade. Alguns estudam quatro horas por dia para concluir o Ensino Médio. Durante as aulas, professores e internos ficam separados por grades. Segundo o Ministério da Justiça, cada preso do sistema penitenciário federal custa R$ 45.600 por ano.

PREP_ Profissão Repórter vai mostrar as condições das cadeias no Brasil (Foto: TV Globo)
Na Noruega, o presídio de Halden é considerado o mais humanizado do mundo

Enquanto isso, na Noruega…
No presídio de segurança máxima de Halden, no sul da Noruega, o valor anual gasto com cada preso é de R$ 390 mil por ano. Considerado o presídio mais humanizado do mundo, em Halden há 260 presos e 290 agentes penitenciários. As celas são fechadas apenas à noite. Lá, há condenados por tráfico de drogas, homicídio, estupro e roubo.

Fidan está há seis anos preso por tráfico de drogas. Ele vai ser libertado daqui a um ano e meio com diploma em Pedagogia e chef de cozinha. Ele manuseia facas ao lado de outros condenados e agentes carcerários.

Segundo o diretor do presídio, o investimento no bem estar e educação dos presos tem o apoio da população. “Que tipo de pessoa você quer ter como vizinho? Quando eu solto um preso, ele pode ser seu vizinho, e que tipo de vizinho você quer? Você quer um raivoso, perigoso ou você quer um vizinho reabilitado?”

 

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