PMs e bombeiros desafiam a Justiça e podem manter a greve

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greve_pm_pernanbucoCategoria fará nova reunião durante a tarde para decidir os rumos do movimento 

Enquanto o nome do general do Exército José Carlos de Nardi, ex-chefe do Estado Maior das Forças Armadas, era anunciado para comandar a operação de segurança no Estado de Pernambuco, devido à greve dos policiais e bombeiros militares, os grevistas faziam, no início da tarde desta quinta-feira, uma passeata pelo centro da cidade.

Mesmo depois de a Justiça de Pernambuco ter decretado a greve ilegal, José Roberto Vieira de Lima, o presidente da Associação de Praças (ASPRA-PE), um dos líderes do movimento, que está no meio da marcha, disse que os grevistas vão se reunir novamente às 16h.

— Se a categoria decidir permanecer, não vamos contrariar a base, apesar da decisão judicial — relatou Lima a ZH.

Ele disse que alguns policiais e bombeiros estavam trabalhando para o caso de urgência, mas que permaneciam nos quartéis.

Sobre a violência e onda de saques nas lojas de departamento da cidade, ele condenou o uso do movimento para cometer crimes:

— Estamos acompanhando esses oportunistas.

Em cima de um carro de som, os grevistas se revezam ao microfone, expondo a situação do policial militar e criticando o governo do ex-governador Eduardo Campos.

— Esta crise foi criada no governo Campos — afirmou o líder do movimento, soldado Joel Maurino. —Com o programa Pacto pela Vida, o governador ganhou prêmio internacional e vai se candidatar à presidência da República, mas o Pacto não é tudo o que ele diz — afirmou.

Segundo Maurino, o Pacto pela Vida oprimiu soldados e policiais, sobretudo na questão salarial. “Os policiais devem trabalhar 40 horas semanais, mas trabalham 48 e não recebem hora extra”, reforçou a soldado Aênia Feitosa Barbosa.

A expectativa de Maurino é que os grevistas possam novamente sentar à mesa com o governo com a chegada ao Estado do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

— O governador não quis nos receber hoje — reclamou ele, ao rebater que a greve não é ilegal porque ela foi anunciada há mais de 15 dias.

De acordo com o governo estadual, no momento em que a greve foi decretada ilegal as negociações foram suspensas. A passeata dos grevistas saiu da Praça do Derby por volta do meio dia em direção ao Palácio do Campo das Princesas, via Avenida Conde da Boa Vista. As lojas e instituições localizadas no roteiro fecharam as portas por temor de arrastões. O clima de insegurança, consolidado após os saques e arrombamentos ocorridos ontem no município metropolitano de Abreu e Lima, se mantém. Na avenida Conselheiro Aguiar, bairro do Pina, na zona sul do Recife, houve assaltos a motoristas e pedestres.

ZERO HORA