Câmeras de vigilância ajudam a capturar média de seis suspeitos por dia em Porto Alegre

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17045328Tecnologia de monitoramento, que tem 1,1 mil aparelhos ativos, está em funcionamento na Capital há 10 anos

Elas surgiram em Porto Alegre há 10 anos sob a polêmica da invasão de privacidade e a necessidade de sigilo dos locais de instalação. Hoje, as câmeras de vigilância estão espalhadas por todos os cantos para quem quiser ver e pouco se discute sobre o assunto.

Em 2004, havia só 10 equipamentos monitorados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) na Capital – atualmente, são 1,1 mil, considerando as parcerias com outros órgãos públicos, empresas e instituições. Estão integrados de tal modo à paisagem que passam desapercebidos até por bandidos, consolidando-se como eficiente arma contra a criminalidade. Estimativas da SSP indicam que as câmeras ajudam a capturar seis suspeitos de crimes por dia na cidade.

Em uma década, é natural que ocorram aperfeiçoamentos em larga escala. É uma eternidade em termos de avanços tecnológicos. Mas a grande revolução é fruto de um fenômeno externo que tem nome e sobrenome: Copa do Mundo. Até o começo do ano, o sistema tinha 138 câmeras. Insuficientes para garantir segurança durante a competição – por isso o governo federal despejou R$ 78 milhões na montagem do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) de Porto Alegre.


Foto Emílio Pedroso , BD, 28/09/2004

Comprou uma supercâmera acoplada a um helicóptero (chamada de imageador térmico aéreo) capaz de filmar uma placa de trânsito a 60 quilômetros de distância, caminhões que são centrais de controle móveis e plataformas elevadas de observação.

Tudo isso gerando imagens de alta definição para dezenas de monitores e um telão de 56 metros quadrados, onde, em breve, também será controlado o deslocamento de viaturas em um mapa digitalizado da Capital, mostrando pontos como quartéis, delegacias, bancos, hospitais e hidrantes.

A SSP tem centenas de câmeras – o número não é divulgado – e as imagens das demais chegam até ela por meio de acordos de cooperação técnica com, por exemplo, Polícia Rodoviária Federal e Empresa Pública de Transporte e Circulação, e instituições privadas, como Concepa e Associação da Empresas do Humaitá e Navegantes.

São 18 convênios, número em vias de ser ampliado para 24, incluindo Assembleia Legislativa, Arena do Grêmio, Beira-Rio, estação rodoviária e Infraero, além de outras parcerias mantidas sob reservas por questões de segurança que podem elevar para 2,1 mil câmeras monitoradas.

Todas as imagens são transmitidas em tempo real para a SSP, formando um cinturão eletrônico que policia virtualmente a Capital durante 24 horas por dia.

– Queremos ampliar ainda mais este serviço, firmando parceria com hospitais, escolas, universidades e empresas – diz o coronel da BM Antônio Scussel, diretor do Departamento de Comando e Controle Integrado da SSP.

Se não evita, ajuda nas investigações

O princípio fundamental do sistema é evitar crimes. Para isso, policiais militares com décadas de experiência varrem as telas observando movimentações nas vias. Ao desconfiar de algo, acionam PMs nas ruas e passam a “cercar a área” com as câmeras em sintonia com viaturas ou homens a pé.

Se não conseguir evitar o crime, a missão passa a ser ajudar a elucidá-lo, analisando cenas gravadas – armazenadas por até 40 dias – em busca de pistas. Quando é possível o flagrante, as imagens são imediatamente arquivadas.

O policial que fez a abordagem na rua passa no CICC e pega cópia das cenas em DVD, apresentando-as com o suspeito à Polícia Civil, como prova técnica do crime.
– É a evolução que sempre perseguimos. Estamos adquirindo a consciência do que ocorre nas ruas, com intervenções precisas em favor da sociedade – diz Scussel

Cenas cruciais para combater crimes

Quatro episódios recentes ocorridos na Capital evidenciam a importância de monitoramento por câmeras para esclarecer e evitar delitos

Atitude suspeita coibida


Foto Reprodução

Por volta das 11h45min de 16 de outubro, um dos operadores do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) – sargento da Brigada Militar com 20 anos de serviço – desconfiou do que via por uma câmera na Avenida Osvaldo Aranha, perto do Parque Ramiro Souto, no bairro Bom Fim.

A imagem mostrava um homem em atitude estranha, com capuz na cabeça e mochila nas costas em uma parada de ônibus. O operador acionou via radiocomunicador uma patrulha da BM, com três PMs. Revistado e identificado, verificou-se que o homem tinha antecedentes criminais por posse de drogas, ameaça e desacato, e portava porção de maconha, possivelmente para venda.

– A gente conhece os atores deste tipo de filme – comentou o operador.

Confira outros três flagrantes de crimes no vídeo abaixo

Tablets filmarão ruas

Uma das novas etapas do monitoramento eletrônico das ruas de Porto Alegre está em gestação e, em breve, deve ser implementada. Viaturas da Brigada Militar, da Polícia Civil e do Instituto-Geral de Perícias estão sendo equipadas com tablets.

São 200 aparelhos que, em um primeiro momento, servirão para rastrear as viaturas. A movimentação dos carros será acompanhada em um mapa digital no telão do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). O deslocamento é atualizado a cada 30 segundos. Quando ocorrer um chamado pelo 190, não será preciso perguntar aos PMs na rua qual a viatura mais próxima do local. O mapa mostrará.


Foto Ronaldo Bernardi

Os tablets também serão usados para pesquisas ao banco de dados em consultas de situação penal de suspeitos e de carros roubados, entre outras. Até o final do ano, os policiais poderão registrar ocorrências online pelos aparelhos, que ainda filmarão o trajeto nas ruas, transmitindo para o CICC imagens captadas pelas viaturas.

 

FONTE: ZERO HORA