“Não somos justiceiros”, diz comandante a PMs após série de ataques no Rio

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28out2014---o-comandante-geral-da-policia-militar-do-rio-de-janeiro-coronel-ibis-silva-discursa-para-596-soldados-durante-a-solenidade-de-formatura-dos-novos-recrutas-no-cfap-centro-de-formacao-e-1417194480723_615x300Um dia depois de prometer uma resposta à recente série de ataques contra policiais militares no Estado, no enterro do policial militar Anderson Senna Freire, 34, morto em serviço na quarta-feira (26), o comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Íbis Silva Pereira, voltou a falar sobre os crimes durante a solenidade de formatura de 596 soldados, na manhã desta sexta-feira (28), na capital fluminense, e pediu que reação ocorra dentro da lei.

“Não somos justiceiros, somos policiais. A resposta que os criminosos precisam virá, mas sem rasgar nossas leis e nossa Constituição”, declarou Pereira.

O evento com os novos recrutas aconteceu no Cfap (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças), em Sulacap, zona oeste da cidade. Durante o discurso, o comandante-geral também chamou para si o compromisso de proteger a corporação. “A partir de hoje, vocês são minha responsabilidade e vou cuidar de vocês”, disse o coronel, que foi aplaudido pelos policiais militares e familiares presentes.

Durante a solenidade, ele também prometeu reforçar o policiamento do 41º BPM (Irajá), na zona norte da capital fluminense, onde Anderson Freire era lotado.

Segundo a PM, essa é a penúltima turma de alunos aprovados no concurso realizado em 2010, um processo de contratação de seis mil novo PMs. A próxima formatura será em dezembro deste ano, com 402 alunos.

Íbis Silva Pereira assumiu o comando da PM interinamente no começo do mês, no lugar do coronel José Castro Menezes. Ele permanecerá no cargo até o dia 2 de janeiro do ano que vem, quando ocorrerá a posse do coronel da reserva Alberto Pinheiro Neto, que esteve à frente da divisão de elite da PM, o Bope (Batalhão de Operações Especiais), entre 2007 e 2009.

Severino Silva/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

PMs vestiram camisas brancas com mensagem de “basta” durante enterro de colega

Rio tem ao menos 57 PMs assassinados

Pelo menos 57 policiais militares foram assassinados no Rio de Janeiro no período entre janeiro e novembro deste ano, segundo estatísticas da PM. A morte de Anderson, na quarta, foi a segunda de um PM apenas nesta semana.

No fim da noite de segunda (24), o soldado Ryan Procópio, 23, foi torturado e morto na favela Vila Aliança, em Bangu, na zona oeste da cidade, após ser sequestrado por traficantes de drogas. O corpo foi encontrado no porta-malas do carro da vítima. Além dos sinais de tortura, houve disparos de fuzil e pistola contra o policial. As mortes de Freire e de Procópio estão sendo investigadas pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil.

Os dados mostram que a maioria dos PMs que morreram em 2014 teve o homicídio como causa mortis. No geral, foram 102 policiais mortos neste ano, sendo que pouco mais da metade foram assassinados. Desses, 41 estavam de folga e morreram por conta da atividade policial –eles foram reconhecidos por criminosos ou reagiram a assaltos, por exemplo. Já 16 morreram em confronto.

O mês de fevereiro foi o que teve o maior número de PMs assassinados em 2014, até o momento, com seis óbitos registrados. Com uma morte a menos, os meses de junho e agosto também se destacam na análise. No mês de janeiro, por sua vez, apenas um homicídio foi registrado contra um membro da corporação.

Do UOL, no Rio