RJ: Beltrame diz que polícia atua sozinha no combate à criminalidade no Rio

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Enterro do policial civil Thiago de Deus, morto em um assalto no bairro do Fonseca, em Niterói - Pablo Jacob / Agência O Globo
Enterro do policial civil Thiago de Deus, morto em um assalto no bairro do Fonseca, em Niterói – Pablo Jacob / Agência O Globo

Declaração foi feita durante enterro de policial civil assassinado ao voltar do Sambódromo

POR GISELLE OUCHANA

RIO – O secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou à GloboNews nesta segunda-feira que a polícia do estado atua sozinha no combate à criminalidade no Rio. Segundo Beltrame, outras instituições não dão o apoio necessário às ações. A afirmação foi feita durante o velório do policial civil Thiago Thome de Deus, de 29 anos, assassinado na manhã de domingo, no bairro do Fonseca, em Niterói, quando voltava do Sambódromo. Bandidos teriam tentado roubar o carro em que ele estava com a mulher. Segundo a polícia, o agente teria reagido, mas sua arma não funcionou.

— A polícia está só. A polícia está sozinha nessa selvajaria toda, com essas pessoas que não tem apego nenhum pela vida e matam por um celular. Precisamos da ajuda das outras instituições que compõem o conceito de segurança pública. A ponta disso tudo é a polícia, e na ponta a polícia está sozinha — disse Beltrame.

Segundo o delegado da DH de Niterói, que investiga a morte do policial civil, Fábio Barucke, quatro pessoas participaram do crime. A polícia já trabalha para identificar os criminosos. Imagens de câmeras de segurança poderão ajudar nas investigações, segundo o titular.

— Além de ele ser um cidadão, ele morreu por que era policial — afirmou Barucke.

José Mariano Beltrame também confortou os parentes do policial civil. Para a família da vítima, o sentimento que fica é de indignação.

— Vou guardar boas lembranças do meu filho, que estava na Polícia Civil há dois anos. Agora, fica uma mistura de revolta e indignação — disse o pai de Thiago, Zadir Oliveira de Deus, de 61 anos.

Agentes emocionados em enterro do policial civil Thiago de Deus, morto em um assalto no bairro do Fonseca, em Niterói – Pablo Jacob / Agência O Globo

CHEFE DE POLÍCIA: TEM QUE DISCUTIR REINCIDÊNCIA NO CRIME

O chefe de Polícia Civil, Fernando Veloso, também esteve no velório e demonstrou indignação ao falar do caso:

— A Polícia Civil não vai deixar de cumprir sua missão. Vamos trabalhar para retirar esses animais da rua.

Veloso defendeu uma discussão sobre a reincidência criminal e o tratamento aos menores de 18 anos:

— Já passou da hora de a nossa legislação sair do mundo da fantasia e vir para o mundo da realidade. Já passou da hora de uma pessoa que passa pela polícia, é presa duas, três, quatro vezes, voltar às ruas e afrontar o Estado com arma de fogo. Há um descompasso total entre o que a sociedade espera e o que a legislação prevê — disse Veloso, acrescentando: — Uma criança de 14, 15, 16 anos de idade que comete um erro deve ser tratada pelo Estado de uma forma. Agora, a criança que já cometeu o erro, duas, três, quatro, cinco vezes, não pode ser tratada da mesma maneira. É preciso discutir, de forma transparente e sincera, essas questões. Temos que nos adequar à nossa realidade.

O governador Luiz Fernando Pezão também lamentou a morte dos policiais e defendeu mudanças na legislação.

— Temos que ter penas duras que desestimulem as pessoas a atirarem em policial, que está levando segurança dentro de locais com UPP, por exemplo. Eu vou me empenhar cada vez mais dentro do Congresso Nacional para mudar a nossa legislação. Não podemos ficar vendo os policiais sendo assassinados e sem ter penas mais duras para punir esses criminosos — ressaltou Pezão.

Thiago estava lotado da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, mas desde agosto participava de uma força-tarefa na Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos (DFAE).

O fim de semana foi de violência contra agentes de segurança. No sábado, um guarda municipal foi encontrado morto dentro de uma lixeira na Rocinha. No mesmo dia, um policial militar foi morto em Mesquita e outros três ficaram feridos por tiros na Chatuba, no Complexo da Penha. Na manhã deste domingo, Thiago Thome de Deus foi assassinado em Niterói. Um pouco mais tarde, em Nova Iguaçu, uma troca de tiros entre três PMs que estavam de folga e bandidos armados terminou com um dos militares morto. À tarde, segundo informações do site do jornal “Extra”, outro PM foi morto em um assalto no Recreio.

O corpo do subinspetor José Borges dos Santos, de 56 anos, foi encontrado de madrugada dentro de uma lixeira na Rocinha com marcas de tiro. Segundo amigos, ele teria ido ao local cobrar o aluguel de uma casa. De acordo com a Divisão de Homicídios da Capital (DH), as circunstâncias da morte do guarda municipal estão sendo investigadas.

Ainda no sábado, o policial militar Jakcson da Silva foi morto durante uma suposta tentativa de assalto em Mesquita. O crime ocorreu na Rua Simplício, no bairro Vila Emil. Jackson chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Já os policias feridos na Chatuba foram atingidos numa troca de tiros durante patrulhamento. Um deles levou um tiro no braço esquerdo, outro terminou alvejado no braço direito e um terceiro foi ferido na orelha esquerda.

Já no domingo, Thiago Thome de Deus foi morto no início da manhã. Por volta das 15h30m, o PM Alan Barros da Silva foi baleado numa tentativa de assalto na Praia dos Amores, no Recreio dos Bandeirantes. Na Baixada Fluminense, o tiroteio que terminou com um policial morto aconteceu em Nova Iguaçu. Segundo a polícia, os três policiais foram abordados quando saíam de uma padaria e reagiram.


FONTE: O GLOBO