A desmotivação no trabalho e suas implicações

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Natalie Laux
Natalie Laux

Uma pesquisa realizada pela Isma Brasil (International Stress Management Association) no final do ano passado mostrou que 72% dos brasileiros estãoinsatisfeitos com seusempregos.Salário abaixo da expectativa, atmosfera pesada no ambiente de trabalhoe faltade reconhecimento são alguns dos principais vilões da motivação profissional.

Trabalhar o mês inteiro e receber uma remuneração “magra” é uma das principais queixas por parte de trabalhadores. Muitas vezes ela não condiz com as responsabilidades exigidas e, não raro, é suficiente apenas para cobrir as despesas básicas (de “sobrevivência”) do profissional, não permitindo o investimento em atividades de lazer ou em outros interesses pessoais,o que também éimportante parao sentimento de gratificação e para a saúdeemocional do trabalhador. Em alguns casos, porém, ela sequer cobreo “sustento básico”. Problemas como este podem desencadear sentimentos de indignidade e desvalorização, trazendo à tona a desmotivação.

Outra importante inimiga da motivação, a falta de reconhecimento, pode ocorrer, tanto por uma remuneração insatisfatória, quanto pela falta de oportunidade de crescimento ou por tarefas rotineiras (que não exigem desafios e não exploram os potenciais do profissional) e pode gerar sensação de inutilidade e desqualificação.Por outro lado, acordar cedo e passar a maior parte do dia em um ambiente de clima pesado é ovilão do prazer em trabalhar para muitas pessoas que já chegam “contando os minutos” para o fim do expediente.

Outros fatores que contribuem para a insatisfação podem ser citados e devem ser identificados. Dentre eles, é o fato de o funcionário ter princípios, valores incompatíveis com o da organização ou das atividades que desempenha. Outro são condições inadequadas de trabalho, que, em alguns casos, aumentam o risco à própria vida ou integridade física.

Algumas consequências da desmotivação são faltade concentração e de foco, distração,queda na produtividade e na qualidade,redução na assiduidade e possibilidade de problemas de relacionamento entre a equipe. Ela passa a exigir do profissional um grande esforço volitivo para executar as atividades, o que pode levá-lo ao estresse, à fadiga e até mesmo à depressão. Isso pode, portanto refletiremsua saúde mental e física – neste último caso, frequentemente através do que chamamos de processo de somatização, que ocorre quando o estresse deixa de ser expresso por outras vias e acaba, inconscientemente, sendo descarregado sobre o corpo, gerando enfermidades.Em casos como esses, é recomendada a busca por ajuda profissional.

Como observamos, os prejuízos da desmotivação incidem não somente sobre os profissionais, mas, também, sobre a organização, razão pela qual as duas partes devem trabalhar em conjunto na busca por soluções satisfatórias para todos.

Natalie Laux

Psicóloga da Clínica Harmonize de Saúde Integrada