Brigada Militar tem defasagem de 50% no efetivo

131
Até o final do ano o policiamento ostensivo em muitas cidades estará comprometido | Foto: Camila Rodrigues / Especial / CP Memória
Até o final do ano o policiamento ostensivo em muitas cidades estará comprometido | Foto: Camila Rodrigues / Especial / CP Memória

Instituição precisaria de 33 mil agentes, mas conta atualmente com apenas 17 mil

Se os pedidos para passar à reserva na Brigada Militar continuarem no ritmo atual, até o final do ano o policiamento ostensivo em muitas cidades estará comprometido. Até ontem, mais de mil brigadianos já tinham protocolado o seu pedido de passagem para a reserva. De acordo com Dalvanir Albarello, presidente da Associação dos Policiais Militares do RS (APM/RS), o efetivo previsto para a corporação é de 33 mil policiais. No entanto, atualmente o policiamento conta com apenas 17 mil brigadianos, no RS.

“O déficit é de 16 mil, levando em conta, inclusive, os PMs que estão em licença médica e de férias”, acentuou Albarello. “Cidades pequenas, onde existe apenas um PM, já estão sentindo o efeito da redução de brigadianos nas casernas”, analisou o presidente da APM/RS.

O presidente da Associação Beneficente Antonio Mendes Filho (Abamf), Leonel Lucas, também é da mesma opinião. “Se o segundo semestre for uma continuidade do primeiro, teremos PMs apenas nos grandes polos”, afirmou. Segundo ele, cada policial está tendo que suprir o trabalho que seria de três. Para amenizar a situação, segundo Lucas, seria necessário o pagamento de horas extras e chamar os 2,5 mil concursados aprovados. “Em 2014, a BM perdeu 800 PMs. No primeiro semestre deste ano foram 1,4 mil perdas no efetivo. Se continuar assim, poderemos ter um déficit de três mil policiais até o final do ano.”

Na tarde dessa quinta-feira, o programa Balanço Geral, da Rede Record RS, mostrou uma planilha de escala de serviço do 18º BPM, de Viamão, e do 20º BPM, de Porto Alegre. Em alguns horários havia espaços em branco. Neste local deveria estar assinalado quais policiais militares estariam de serviço.

Segundo o coronel Paulo Stocker, subcomandante da Brigada Militar, nenhum batalhão no Rio Grande do Sul tem mais de 50% de defasagem em seu efetivo. “Os espaços em branco na escala de patrulhamento são normais”, acentuou. “Depende do planejamento de cada unidade”.

Correio do Povo