Com cortes, BM tem déficit de 30% no efetivo na Região Central

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Em caso de ocorrências em um município, o vizinho é acionado para auxiliar no atendimento Foto: Ronald Mendes  / Agencia RBS
Em caso de ocorrências em um município, o vizinho é acionado para auxiliar no atendimento
Foto: Ronald Mendes / Agencia RBS

São 29 municípios que trabalham em regime de patrulhamento intermunicipal

A Brigada Militar (BM) atua na Região Central com déficit médio de 30%, ou seja, dos 1,7 mil policiais que deveriam atuar nos 29 municípios, cerca de 1.190 trabalham na segurança – faltam 510. A falta se dá em função dos cortes feitos pelo Governo do Estado. A variação do percentual entre os 29 varia de 10% a 50%.

Com o efetivo deficiente, a atuação dos policiais é limitada, pois também não recebem mais por horas extras e as guarnições precisam planejar o trabalho conforme a necessidade nos turnos da manhã, tarde e noite.

Por conta disso, uma portaria assinada no início deste mês pelo comandante da BM Worney Mendonça determinou que os municípios trabalhassem em regime de patrulhamento intermunicipal. Isso significa que os efetivos de alguns municípios próximos estão se unindo e o patrulhamento é feito entre as cidades. Em caso de ocorrência em um município, o efetivo do município vizinho é acionado.

É o que acontece com Mata São Vicente do Sul. Ouvintes relataram que o posto da BM de Mata fechou por conta dos cortes do governo, mas isso não aconteceu de acordo com Mendonça.

Como a distância entre os municípios é de cerca de 30 quilômetros, os efetivos se uniram e é feito o patrulhamento de forma conjunta conforme a demanda. O mesmo acontece com São João do Polêsine e Faxinal do Soturno, onde a distância é de cerca de 20 quilômetros.

“Não é o ideal, mas é o que pode ser feito neste momento”, conta o comandante Worney. Por questões de segurança, não é possível dizer qual o efetivo de cada município individualmente. “Em situações mais delicadas, o efetivo de municípios mais distantes é chamado”.

Três municípios da região precisam de reforço para manter policiamento

Situação ocorre pela falta de efetivo e cortes do governo

A crise econômica pela qual passa o Estado, que se agravou nas últimas semanas, afeta também a área da segurança pública. Três municípios da região precisam de reforço de outras cidades para manter o policiamento 24h. Os municípios de Mata e Nova Esperança do Sul, em determinados turnos, não têm policiais suficientes para realizar as rondas ostensivas, por isso, recebem apoio das guarnições de São Vicente do Sul e Jaguari, respectivamente, para que a população não fique sem policiamento. O mesmo acontece com São João do Polêsine, que conta com o apoio do efetivo de Faxinal do Soturno. Assim como os outros quatro municípios, essas duas cidades da Quarta Colônia estão separadas por menos de 20 quilômetros de distância.

_ Na verdade, o fechamento ocorre em alguns turnos, não é um fechamento total. Nesses turnos, operamos com patrulhas intermunicipais. Os efetivos de Mata e São Vicente conseguem dar conta das demandas conjuntamente _ explica o major Joni Alvim de Oliveira, comandante do 5º Regimento de Polícia Montada (5º RPMon), situado em Santiago e que é responsável por outros nove municípios, incluindo Mata, São Vicente do Sul, Jaguari e Nova Esperança do Sul.

Apesar da dificuldade, nenhum posto foi fechado totalmente, e os municípios podem contar com policiamento 24h, mesmo que o número de policiais não seja o ideal.

_ A situação tem o aval do comando. É bom deixar claro, em momento algum há ausência de policiamento. A situação é geral em todo o Estado. Além disso, a Brigada nunca teve o efetivo previsto à disposição, sempre trabalhamos aquém. Mas procuramos atender a essas demandas com inteligência _ salienta o comandante.

Em média, o déficit na área do Comando Regional de Polícia Ostensiva Central (CRPO-C), que responde por 29 municípios da região, é de 30%. Entretanto, há municípios que atuam até com 50% menos do que o ideal.

RADIO GAÚCHA