Comandante-geral da BM afirma que 90% dos PMs saíram para trabalhar

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Freitas admitiu que em virtudes dos piquetes, viaturas não conseguiram sair, mas insistiu que os PMs saíram à pé Foto: Sgt Alberto Vargas / Assessoria de Comunicação Social
Freitas admitiu que em virtudes dos piquetes, viaturas não conseguiram sair, mas insistiu que os PMs saíram à pé
Foto: Sgt Alberto Vargas / Assessoria de Comunicação Social

Preocupação com protestos leva comandante-geral a dormir em gabinete

Os protestos de servidores da Brigada Militar (BM) provocaram tanta preocupação à cúpula da corporação que o comandante-geral, coronel Alfeu Freitas, dormiu nesta terça-feira no seu gabinete no Quartel-General (QG), em Porto Alegre. O local tem uma área reservada com banheiro e uma cama de solteiro, na qual Freitas descansou durante a madrugada.

Às 6h, estava em pé com um grupo de assessores diretos, da Corregedoria e do serviço de inteligência na chamada Sala de Cenários, ambiente com computadores, telefones e telões que captam imagens das ruas de Porto Alegre para adotar providências e transmitir orientações aos quartéis. A ordem, repassada na noite anterior, era para que todos os comandantes de batalhões no Estado estivessem nos seus postos de trabalho antes das 6h30min — neste horário ocorre troca de turno, e como era previsto, ocorreria bloqueios para evitar a saída de PMs para o policiamento nas ruas.

Em meio a decisões, parte do grupo monitorava o que era postado pelas redes sociais, checando o que era fato real ou boataria. No meio da manhã, o secretário da Segurança Pública, Wantuir Jacini, foi ao QG para saber a situação do policiamento no Estado. ZH pediu à SSP um balanço dos chamados ao telefone de emergência 190 na Capital, mas a única informação divulgada foi de que “não houve qualquer alteração nas demandas do setor”. Em média, a BM atende a 3,6 mil ocorrências diariamente e prende 360 pessoas todos os dias. O comandante-geral reconheceu que os atendimentos reduziram, mas não tinha dados disponíveis.

Confira entrevista com o coronel Alfeu Freitas, comandante-geral da BM

Qual o tamanho do prejuízo à população causado pelas paralisações?
Não tenho conhecimento de fatos graves. Vou poder medir a produção da BM amanhã (quarta-feira), comparando o número de prisões, de abordagens, com o que aconteceu na terça-feira da semana passada. Ocorrências policiais deixaram de ter o melhor atendimento em razão dessas dificuldades.

Qual o percentual do efetivo nas ruas?
Dos PMs que entraram nos quartéis, 90% saíram para trabalhar.

A Associação dos Cabos e Soldados falou que 90% se aquartelou…
Não houve aquartelamento, que é o PM ficar no quartel e não querer sair às ruas. Isso não aconteceu. Posso garantir que 90% saíram para trabalhar. Os outros 10% negociaram para sair mais tarde ou não conseguiram negociar, mas não tenho notícia de que PM tenha se recusado a trabalhar.

Como avalia o fato de PMs de Canoas saírem pelos fundos do quartel para trabalhar?
Não vejo como um procedimento ilegal ou irregular. Foi a forma que o comandante do batalhão encontrou, dentro do tolerável e do bom senso, para evitar tumulto ou confronto com os piquetes. Aquilo foi adequado para cumprir a missão.

Na Capital, alunos oficiais da Academia da BM caminharam por duas horas até chegar ao Centro?
Não tenho essa informação. Podem ter ido até um determinado local e depois pego um ônibus. Beira ao ridículo fazer que um aluno oficial ou qualquer policial caminhe da Academia até o Centro.

Foram bloqueadas viaturas em quartéis de 29 cidades?
Não confirmo esse número. Em alguns municípios, em virtudes dos piquetes, viaturas não conseguiram sair, mas os PMs saíram à pé.

Os gaúchos estão seguros? A BM está atuante?
A BM é a força da comunidade. E isso não é só um slogan. Queremos que a sociedade saiba que pode contar com a BM. Em que pese as dificuldades que o Estado enfrenta, a sociedade deve manter o sentimento que a BM existe para proteger os gaúchos e vai cumprir sua missão.

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