JORNAL O SUL: Segurança insustentável

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Governador criou grupo de trabalho para estudar a criação e a forma de funcionamento de casas prisionais. (Foto: Jackson Ciceri / o Sul)
Governador criou grupo de trabalho para estudar a criação e a forma de funcionamento de casas prisionais. (Foto: Jackson Ciceri / o Sul)

Wanderley Soares

Uma agência do Sicredi foi assaltada na madrugada desse sábado em Piratini. Os bandidos, armados com fuzis e carabinas, explodiram os caixas eletrônicos e usaram reféns como escudo. O delegado Rafael Brodbeck, titular da DP daquele município, localizado no Sul do Estado, ressalta que são grandes quadrilhas que escolhem pequenos municípios pela maior facilidade de ação. É a segunda vez que a agência do Sicredi de Piratini é assaltada neste ano. Em março, cinco homens invadiram o local e renderam funcionários e clientes. O veículo usado para a fuga naquela ocasião foi encontrado incendiado em uma estrada vicinal.

Casa desarrumada

A estagnação de investimentos na segurança pública, situação que vem sendo rolada por vários governos, mas está atingindo o ponto de maior gravidade neste primeiro ano da administração do governador José Ivo Sartori, está encurralando não só todos os segmentos da sociedade, mas também os profissionais das organizações policiais. O delegado Brodbeck está correto em suas observações e a tendência é a de que este quadro venha a se agravar. Não há efetivo e nem estrutura logística para um ação policial de razoável qualidade nos maiores centros urbanos do Estado e, muito menos, nos municípios de menor porte.
Aqui da minha torre, como um humilde marquês, entendo que enquanto houver o congelamento de investimentos nenhum projeto de segurança pública poderá ser sustentável. A chegada no limite de forças leva inevitavelmente ao rompimento de estratégias e à aplicação de improvisações de urgência que logo se tornam frágeis. A Brigada Militar e a Polícia Civil estão a se esvair com as aposentadorias, as licenças médicas, os desvios de função e, até mesmo, com suas rugas internas. Na Brigada, há um explícito enfrentamento entre oficiais não promovidos, promovidos dentro de critérios discutíveis e, o que é mais grave, despromovidos. E, por ora, além da carência de verbas, não apareceu nenhuma liderança com força para arrumar a casa.

Mortes

Policiais civis e militares mataram mais de três mil pessoas no Brasil no ano passado. O crescimento no número deste tipo de ocorrência foi de 37% em relação a 2013. São Paulo aparece como o Estado com maior aumento de vítimas. No RS, foram 553 mortes. Os dados são do anuário de Segurança Pública que será lançado nesta semana.

Homicídios

Pelotas registrou o homicídio de número 70, que foi a marca de todo o ano passado. Um homem identificado como Júlio César Islabão Mathias, 28 anos, foi baleado na cabeça dentro de casa, na madrugada de sábado, no bairro Fragata. A polícia cita três motivos para violência em Pelotas: disputas de gangues pelo tráfico de drogas, rixas dentro do sistema prisional e crimes passionais.

Decisões oficiais

Deu no Diário Oficial do Estado: um tenente, 46 sargentos e um soldado alcançaram a aposentadoria; publicam-se os atos de agregação dos majores Marcelo de Moraes Martins e Régis Fernando Machado Krinski na Assembleia Legislativa e do tenente Nilson José Framarin na Casa Militar; o capitão Leandro Albogast da Cunha foi prorrogado no Departamento de Pesquisa, Análise, Informação e Desenvolvimento de Pessoal em Segurança Pública, em Brasília; o tenente Marco Antônio da Rosa Pereira foi para a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), em Brasília; o governador José Ivo Sartori criou o grupo de trabalho para estudar a criação e a forma de funcionamento de casas prisionais por meio de Apacs (Associações de Proteção e Assistência aos Condenados), sob coordenação da SSP (Secretaria da Segurança Pública).

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