RÁDIO GAÚCHA: População favorável à morte de bandidos revela sociedade intolerante, diz especialista

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hhhPesquisa do Datafolha aponta 50% da população das grandes cidades considera que “bandido bom é bandido morto”

O resultado da pesquisa Datafolha, divulgado nesta segunda-feira (05), revela um dado preocupante, segundo o mestre em Sociologia Francisco Amorim: o de uma sociedade cada vez maisintolerante. O levantamento aponta que 50% da população das grandes cidades considera que “bandido bom é bandido morto”.

Para o especialista em Segurança Pública, as pessoas que defendem a morte como punição querem uma resposta rápida, mas que acaba sendo desproporcional. Amorim também questiona de qual bandido à pesquisa se refere: o homem que pratica violência doméstica, o ladrão de celular ou o sonegador?

“Essas questões vão crescendo ao ponto de que a sociedade aponta a eliminação do outro como solução. Falta uma série de políticas públicas que passem segurança de rua, mas também de reinserção social e de punição de gente que a gente não é punida. Vejo gente dizendo que tem de matar alguém que furtou um celular, mas não vejo ninguém dizendo que vai fazer isso com empresário que sonegou milhões”, disse em entrevista ao Gaúcha Repórter na Gaúcha Serra.

Como sugestões para redução da criminalidade, Amorim, destaca dois investimentos fundamentais: na polícia comunitária e na polícia civil.

“Se se quer reduzir o crime por conta do tráfico, do contrabando, de quadrilhas, tem que se apoiar o policiamento ostensivo, que tem de ser comunitário, ou seja, o pessoal que está na vila ou num bairro nobre precisa se sentir à vontade pra passar informações para a polícia. A polícia militar precisa ser vista como amiga. E a polícia civil tem de ter muito investimento, tem de estar equipada para investigação”.

A pesquisa do Instituto Datafolha foi realizada no final de julho em 84 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. Das 1.307 pessoas ouvidas, 50% respondeu que concordava com a ideia de que “bandido bom é bandido morto”; 45% discordaram e os 5% restantes não souberam responder ou não concordaram nem discordaram.

O levantamento foi encomendado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública e tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

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