Violência no RS cresce cinco vezes mais do que a média nacional

183
Homicídios registraram alta significativa ao longo do último ano Foto: Diogo Zanatta / Especial
Homicídios registraram alta significativa ao longo do último ano
Foto: Diogo Zanatta / Especial

Mortes em confronto com a polícia aumentaram 38% no Estado

O Rio Grande do Sul só ficou atrás do Piauí entre os Estados em que a taxa de assassinatos mais cresceu entre 2013 e o ano passado no Brasil.

Dados do 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que deverá ser lançado na sexta-feira, demonstram que a violência em solo gaúcho subiu muito acima da média nacional nesse período: enquanto o índice de assassinatos por cem mil habitantes aumentou 3,9% no país, no Estado o salto foi de 21,1% — cinco vezes mais.

As novas informações tabuladas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Públicaconfirmaram uma tendência já verificada nos números relativos às capitais, divulgados na semana passada, que mostraram Porto Alegre como a terceira cidade com maior crescimento na taxa de assassinatos no Brasil. O anuário tinha previsão de lançamento para esta quinta-feira, mas a divulgação completa deverá ocorrer um dia depois devido a um atraso na compilação das informações. O fórum é uma organização não-governamental e sem fins lucrativos que reúne especialistas em segurança.

O relatório aponta que o número de mortes intencionais subiu de 2.043 para 2.483 em um ano no Estado, categoria que inclui homicídios, latrocínios, lesão seguida de morte e, em um item específico, óbitos decorrentes de intervenção policial. A análise revela que as forças de segurança foram mais letais no Rio Grande do Sul no ano passado. Houve 45 óbitos em 2013 em ações policiais, contra 62 em 2014 — 38% a mais, um ponto percentual acima da média nacional. Já as mortes de policiais em serviço caíram de cinco para uma.

Na comparação com o resto do Brasil, o avanço da violência fez os gaúchos caírem do quarto para o quinto lugar entre os Estados com menores taxas de mortes intencionais.

— O que está por trás disso é o mercado ilegal de drogas, furtos e roubos de veículos, que se interiorizou e usa o acerto de contas como forma de administrar conflitos. Também reflete a falência da atual política de repressão a esses mercados, que produz efeitos colaterais graves como a superpolulação carcerária, o que leva à perda do controle do ambiente ocupado por facções. Por outro lado, há uma ausência de políticas de prevenção — analisa o membro do Fórum Brasileiro de Segurança e professor da PUCRS Rodrigo Azevedo.

Secretário estadual da Segurança durante o governo Tarso Genro, período compreendido pelo estudo, Airton Michels informou que deverá se manifestar somente depois de ter acesso à integra do trabalho. O atual diretor do Departamento de Gestão Estratégica Operacional da pasta, tenente-coronel Luiz Dulinski Porto, afirma que o governo vem colocando em prática medidas para tentar conter a onda de criminalidade.

— Elencamos medidas como incremento das investigações de homicídios e de quadrilhas de roubo de carros, o uso de forças táticas como a que ocupou a Vila Cruzeiro, em Porto Alegre e a realocação de recursos para as 19 cidades gaúchas que concentram 85% dos crimes — afirma o diretor.

Porto considera fundamental, ainda, a aprovação na Assembleia Legislativa do projeto de lei que permite a destruição de peças de veículos encontradas sem indicação de procedência em ferros-velhos:

— Esperamos que isso seja um golpe duríssimo no furto e no roubo de veículos, que geram dinheiro rápido e retroalimentam todos os tipos de crime.

Para Azevedo, é preciso criar políticas que envolvam municípios, Estados e União, agir com prioridade nas áreas mais violentas das cidades, retomar o controle sobre o sistema carcerário e oferecer alternativas de inclusão social aos jovens.