100 brigadianos querem transferência para atuar Santa Maria

113
Efetivo ajudaria a resolver problemas ocasionados pela falta de PMs, como o possível fechamento do Posto Avançado de Policiamento da Vila Kennedy (Foto: Arquivo / A Razão)
Efetivo ajudaria a resolver problemas ocasionados pela falta de PMs, como o possível fechamento do Posto Avançado de Policiamento da Vila Kennedy (Foto: Arquivo / A Razão)

Efetivo ajudaria a resolver problemas ocasionados pela falta de PMs, como o possível fechamento do Posto Avançado de Policiamento da Vila Kennedy

O comandante do 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon), tenente-coronel Gedeon Pinto da Silva, disse, nesta quinta-feira, que existem aproximadamente cem policiais militares (PMs), lotados em outros municípios do Rio Grande do Sul (RS), que pediram transferência para Santa Maria. A vontade de atuar na maior cidade da região Centro do Estado está oficializada no Banco de Intenções de Transferências (BIT), no qual os servidores da segurança pública manifestam a vontade de troca de quartel. No entanto, segundo o comandante, a possibilidade destas transferências, ou parte dela, esbarra num problema comum a todos os regimentos: a falta de policiais nas outras cidades do RS.

“Falta efetivo em todas as unidades. Se a transferência for efetivada acaba criando um problema para outras praças. Mas uma medida urgente, nesse momento, seria a vinda de um efetivo para suprir a necessidade momentânea.

Outra saída é a nomeação de novos PMs. Mas isso não teria efeito imediato, pois seriam necessários cerca de dez meses de preparação para que esse soldados pudessem ser colocados nas ruas”, afirmou o comandante do 1º RPMon.

Segundo a Secretária de Segurança Pública, existem 2300 concursados já aprovados, mas que ainda aguardam nomeação para início do período de treinamento.

POSTOS JÁ FECHARAM

Nos últimos anos, segundo a BM, Santa Maria perdeu seis postos de policiamento que funcionavam em bairros e no interior da cidade. São eles: Bela União, Boca do Monte, Arroio Grande, Arroio do Só, Santa Marta, e, agora, o da Kennedy.

“No caso do Posto Avançado da Kennedy estamos adiando o fechamento para dentro de 30 dias a pedido da Comissão de Políticas Públicas da Câmara de Vereadores, que manifestou apoio no sentido de buscar uma solução para o caso e, devido ao clamor da comunidade da região Norte da cidade”, explicou Gedeon.

PROBLEMA RESPINGA NAS CIDADES DA REGIÃO

A falta de efetivo também respinga no policiamento de municípios da região Centro. Em Dilermando de Aguiar, o comando do 1º RPMon realiza, na tarde desta quinta-feira, uma reunião com a Prefeitura e moradores do município, onde alguns turnos de policiamento já estão comprometidos.

“A saída tem sido utilizar patrulhas intermunicipais, com esforços da região. Uma guarnição é montada para realizar o patrulhamento motorizado nessas cidades”, disse o comandante do 1º RPMon. Segundo ele essa é a situação atual em todas as cidades da Quarta Colônia de Imigração Italiana. “Menos em Agudo, que possui uma sede de guarnição”, concluiu o tenente-coronel Gedeon.

Primeiro a fechar foi o do Bairro Nova Santa Marta, em 2007. O da Vila Kennedy ganhou sobrevida de um mês (Deivid Dutra / A Razão)
Primeiro a fechar foi o do Bairro Nova Santa Marta, em 2007. O da Vila Kennedy ganhou sobrevida de um mês (Deivid Dutra / A Razão)

Cidade perdeu cinco postos da Brigada Militar em oito anos

O primeiro a fechar foi o da Nova Santa Marta, em 2007. O da Kennedy ganhou sobrevida de um mês, após pedido da comunidade. Problema é a falta de efetivo

Desde 2007 a Brigada Militar foi obrigada a desativar cicno postos de policiamento em bairros e distritos da cidade devido a diminuição gradativa do efetivo. O desmonte começou pela unidade da Nova Santa Marta, que passou a sediar o Centro de Referência de Assistência Social Oeste (CRAS). Depois, foram fechados os postos da Vila Bela União e nos distritos de Boca do Monte, Arroio Grande e Arroio do Só. O próximo a ser desativado pelo mesmo motivo pode ser a unidade da Vila Kennedy, no Bairro Salgado Filho. O local fecharia as portas hoje, mas funcionará por mais um mês, após clamor dos moradores e intervenção de vereadores, que tentarão, em 30 dias, uma solução.

“Estamos adiando o fechamento para dentro de 30 dias a pedido da Comissão de Políticas Públicas da Câmara de Vereadores e devido ao clamor da comunidade”, explicou o comandante do 1º Regimento de Polícia Montada (RPMon), tenente-coronel Gedeon Pinto da Silva. A decisão foi tomada ontem, após reunião realizada, na sede do 1º RPMon. Estiveram presentes ao encontro integrantes do comando da BM, os vereadores Admar Pozzobom (PSDB), Luiz Carlos Fort (PT) e Pastor João Chaves, além de dez moradores da região Norte. “Vamos manter o policiamento nesse intervalo para ver de que forma podemos construir uma alternativa que contemple a todos”, comenta Gedeon.

No entanto, a sobrevida do Posto da Kennedy pode esbarrar em alguns números relacionados ao efetivo. De acordo com o vereador Coronel Vargas (PSDB), que por anos atuou na BM, no início de 2015 haviam 16 mil PMs na ativa no Estado, quando o previsto constitucionalmente é de 33 mil homens. “Só no primeiro semestre desse ano teriam entrado 1,5 mil pedidos de reserva no Departamento Administrativo da BM, sendo que não estão computadas as solicitações feitas no segundo semestre de 2015. Estamos diante de um índice de evasão fantástico na segurança pública”, dispara Vargas.

O vereador e ex-brigadiano vai mais longe. Ele questiona como será o planejamento da segurança dos eventos de final de ano, na cidade e no RS. “Tem a Operação Papai Noel e, junto, a Operação Golfinho. É preocupante”, alerta. Vargas teme que as cidades do interior fiquem ainda mais desguarnecidas, devido a tradicional “convocação” para atuação de PMs no litoral e região metropolitana.

O vereador pretende ir a Porto Alegre e gestionar a convocação imediata de pelo menos 2.5 mil PMs aprovados em concurso. Segundo ele, esse efetivo já poderia entrar em treinamento nas operações que estão por vir, permitindo que as cidades do interior não tenham o policiamento e a sua segurança comprometidas.

100 PMs querem vir para SM

O comandante do 1º RPMon, tenente-coronel Gedeon, revela que existem aproximadamente cem policiais militares lotados em outros municípios que pediram transferência para Santa Maria. “Mas se a transferência for efetivada acaba criando um problema para outras praças. Mas uma medida urgente, nesse momento, seria a vinda de um efetivo para suprir a necessidade momentânea”, disse Gedeon. O número de cem PMs seria o efetivo ideal para amenizar a situação na cidade e região. Outra saída é a nomeação de novos policiais. “Isso não teria efeito imediato, pois são necessários cerca de dez meses de preparação para que esses soldados possam ir às ruas”, afirma.

Segundo a Secretária de Segurança Pública, existem 2.3 mil PMs concursados já aprovados, mas que ainda aguardam nomeação para início do treinamento. O secretário Estadual de Segurança Pública, Wantuir Jacini, disse que os concursados só devem ser chamados a partir do ano que vem. “Existe uma herança econômica perversa, que vem impactando todo o planejamento. Em 2016, o chamamento dos futuros policiais será submetido aos secretários de Fazenda e de Planejamento, para deliberação de quando será possível convocá-los”, disse Jacini.

Faltam 300 PMs na cidade

A BM local possui cerca de 1100 homens. O 1º RPMon possui entre 700 e 800 homens. A Patrulha Rural está integrada ao regimento. O contingente dá apoio para cidades da região. O BOE possui cerca de 225 homens, que podem atuar em todo o RS. Há ainda o Comando Regional de Polícia Ostensiva-Central (CRPO-C), o Hospital da Brigada Militar, o Comando Rodoviário e a escola preparatória da Brigada.

Segundo levantamento do Jornal A Razão, em média, quase 30% do contingente atua em setores administrativos e 10% está em período de férias ou licenças remuneradas. O déficit de pessoal é estimado em 30%, ou seja, cerca de 300 PMs. Por questões estratégicas a BM não confirma o número exatos de PMs

A RAZÃO