Metade da frota de viaturas do 20º BPM está no conserto

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Veículos estão em um depósito Foto: Diego Vara / Agencia RBS
Veículos estão em um depósito
Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Comando confirma número parado, mas não fala quantas seguem circulando

O número de viaturas da BM que cuida dos extremo norte e nordeste da Capital é igual ao de veículos que está parado para manutenção ou destinados ao ferro-velho. Os números completos não são informados pelo comando do 20º BPM, responsável pela região, mas foram apurados pelo Diário Gaúcho. hoje, o total do batalhão chegaria a
59 veículos. O comando se limita a informar que 30 estão fora das ruas.

As viaturas estão em uma garagem. Coberta de poeira, com pneus murchos, dividindo espaço com madeiras e outras sobras de obras, há uma frota nos fundos da sede do 20º BPM, dentro do Vida Centro Humanístico, na Avenida Baltazar de Oliveira Garcia.

Na semana passada, havia 17 veículos, modelos Fiesta, Sandero, Duster e Prisma. Cinco deles, visivelmente acidentados. O comandante do 20º BPM, tenente-coronel Egon Kvietinski, explica que são viaturas esperando para serem consertadas ou em perda total. Das 30 paradas, três têm como destino o ferro-velho. Outras 19 esperam conserto e oito já estão em manutenção.

O comandante não confirma quantas estão circulando. Diz que é um dado estratégica a ser preservado. O Diário Gaúcho, entretanto, obteve a informação de que 29 estão nas ruas.

— Hoje, não há efetivo parado por falta viatura. As que estão circulando dão conta dos policiais. Quando as em manutenção retornarem, ficarão na reserva — conta o tenente-coronel.

Controle

Sobre os parados, o tenente-coronel confirma que a maioria tem até cinco anos de uso. Mas adverte que o uso em policiamento coloca os veículos em condições extremas. Problemas na caixa de marcha, por exemplo, são comuns com o tempo. A reunião de todos os veículos parados em um mesmo espaço é novidade.

— Antes, estavam espalhados, ocupando outros locais, companhias do
20º BPM. Assim, temos o controle disso unificado — afirma o tenente-coronel.

11º BPM tem caso similar

O DG procurou os outros cinco batalhões da BM na Capital. Apenas um, o 11º BPM, divulgou parcialmente os dados. O tenente-coronel Régis Rocha da Rosa, comandante do batalhão, disse que pouco mais de 20 estariam esperando manutenção.

— Temos cerca de 80 viaturas em carga, que são patrimônio do 11º BPM. Destas, 57 estão em serviço, circulando — afirma.

Estratégia

Os outros batalhões não quiseram divulgar nem mesmo quantas viaturas estão em manutenção ou esperando conserto, alegando que a informação é estratégica. Segundo os comandantes, o dado poderia ser fornecido pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC). O comandante do CPC, tenente-coronel Mario Ikeda, disse que precisa consultar o comando da BM antes de divulgar os números.

Região violenta na Capital

A área em que atua o 20º BPM vêm sofrendo com as disputas ligadas ao tráfico de drogas. É o caso do entorno da Vila Nova Dique, no Bairro Rubem Berta. Em setembro, três adolescentes foram mortos a tiros em três dias. No dia 19, Dener Prestes Camargo, 15 anos, sem qualquer envolvimento com a criminalidade, foi morto enquanto jogava bola em frente de, no Acesso 357.

Na noite do dia 22, Donovan Rodrigues Pires, 14 anos, e Tiago Leonardo Marques, 13 anos, também foram mortos a tiros, na Avenida Donário Braga, na Vila Santa Rosa. O duplo homicídio ocorreu próximo ao local onde havia manifestação dos moradores da Nova Dique por mais segurança na área. O som de tiros viraram rotina nas noites.

Muitos moradores dizem que só saem às ruas nestes horários em caso de extrema necessidade.

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