Aprovados para Polícia Civil e Brigada Militar aguardam nomeação

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Dos aprovados que aguardam há quase dois anos a nomeação à Polícia Civil, pelo menos 30 são de Pelotas (Foto: Paulo Rossi - DP)
Dos aprovados que aguardam há quase dois anos a nomeação à Polícia Civil, pelo menos 30 são de Pelotas (Foto: Paulo Rossi – DP)

A longa espera pela nomeação

Aprovados em concursos esperam convocação há dois anos

O destino dos 650 aprovados no último concurso da Polícia Civil e dos dois mil selecionados para Brigada Militar continua incerto.

A indecisão, no entanto, se deve ao decreto do governador José Ivo Sartori (PMDB) publicado no Diário Oficial do dia 5 de janeiro deste ano. A determinação paralisou – entre outras medidas – a convocação dos agentes de segurança com a justificativa da necessidade de contenção de gastos.

Dos aprovados que aguardam há quase dois anos a nomeação à Polícia Civil, pelo menos 30 são de Pelotas. Um deles é Suelen Mattos, 33. Quando viu seu nome na lista de aprovados, não pensou duas vezes: se exonerou do cargo de professora do magistério estadual. Admitida para escrivã, ela juntou documentos, desembolsou R$ 2 mil para pagar a bolsa para o treinamento na Academia de Polícia (Acadepol) e aguardou ser chamada. E assim continua: em uma longa espera. “Larguei meu emprego para seguir carreira na polícia. Estudei para conseguir essa vaga. Quando soube da suspensão da nomeação dos concursados fiquei apavorada. Precisei replanejar toda minha vida”, disse.

André Abeijon faz coro a Suelen. Selecionado para inspetor, além da incerteza sobre o futuro dos aprovados, diz que precisa enfrentar as restrições que um mercado de trabalho já pouco aquecido impõe. “O empregador não vai dar uma vaga a quem pode sair a qualquer momento. Essa incerteza dificulta para o pessoal que aguarda decisão mas precisa de emprego. Temos curso superior, fomos aprovados num concurso público e mesmo assim alguns estão desempregados. Para o atual governo, segurança não é prioridade”, critica.

O presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Polícia Civil, Isaac Ortiz, concorda. Para ele, Segurança Pública é vista pelo atual governo do Estado como gasto – não investimento. “O que está acontecendo é um descaso com o povo gaúcho. A população não merece isso. Todos os dias ouvimos notícias de homicídios e casos assustadores. Tem muita gente aprovada que está pronta para começar. Garantir segurança não é o foco”, disse.

Um policial que prefere não se identificar afirma que o déficit de agentes nas delegacias de Pelotas é alto. Segundo ele, desde janeiro pelo menos 15 policiais se aposentaram. Essas vagas, porém, não foram repostas. Além disso, de acordo com o policial, há os que aguardam promoção para se aposentar. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), desde o início do ano, cerca de 400 policiais civis deixaram a ativa. Conforme o agente, a ausência de funcionários compromete as investigações, principalmente nas que se referem aos crimes de homicídios. “Se estivéssemos com esse pessoal aprovado, casos que demandam mais tempo já poderiam estar solucionados”, comentou.

Na Brigada Militar a situação é parecida. O comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel André Luís Pithan, diz que pelo menos 70 policiais militares foram para a reserva nos últimos 11 meses. “Estamos nos virando como dá”, conforma-se.

O concurso realizado em junho de 2013 pelo governo anterior tem validade até junho de 2016. A seis meses do fim do prazo, os atuais inquilinos do Palácio Piratini não acenam com a possibilidade de nomeação. Nos corredores da sede do Executivo gaúcho especula-se que os aprovados comecem a ser chamados a partir de março. No entanto, nada é confirmado pela assessoria da Secretaria de Segurança Pública (SSP-RS).

No RS faltam:

6 mil policiais civis
16,5 mil policiais militares
4,3 mil militares nos Bombeiros
1,6 mil servidores do Instituto Geral de Perícias

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