CORREIO DE GRAVATAÍ: Número de roubos com morte só cresce

116
Morte do policial Rafael é mais uma para as estatísticas de latrocínio na cidade
Morte do policial Rafael é mais uma para as estatísticas de latrocínio na cidade

Antes mesmo da morte do PM Rafael, Gravataí já era o 4º no ranking de latrocínios do Estado

A morte do PM Rafael de Ávila de Oliveira no último dia 30 entra para as estatísticas de latrocínio (roubo seguido de morte) do município. Quatro dias antes do trágico assalto que resultou no assassinato a tiros do brigadiano, a Secretaria Estadual de Segurança já havia divulgado que Gravataí estava na 4ª colocação do ranking entre as cinco cidades com o maior número de latrocínios em 2015. Foram cinco casos. E seis mortes, ocorridas entre janeiro e setembro. O caso do PM foi o sexto.
Embora mantenha até aqui a média – foram registrados seis latrocínios também no ano passado – e o número não possa ser considerado alto em comparação com o primeiro colocado do ranking, já que Porto Alegre teve 25 latrocínios este ano, ele é atenuado por dois fatores preocupantes. O primeiro diz respeito a solução dos casos. Somente um deles até agora resultou na prisão dos suspeitos do crime. Até mesmo o mais rumoroso entre eles, a morte do ex-prefeito Acimar Silva, permanece aberto.
Tentativas
Em segundo lugar, fora os crimes que resultaram em morte, houve pelo menos cinco vezes mais tentativas de latrocínio, segundo a polícia. Os roubos – sejam com armas de fogo ou com armas brancas, no qual alguém acaba sendo ferido – cresceram muito.
Até 2013, segundo estatísticas da Secretaria de Segurança, Gravataí manteve uma média de 15 casos de tentativa de latrocínio por ano, registrando uma ou, no máximo, duas mortes por ano. Hoje, além das sete vítimas consumadas, há pelo menos outros 40 casos. E na maioria dos casos, as vítimas escaparam da morte por um triz.
O que diz a polícia
1ª Delegacia de Polícia – Segundo o delegado Alencar Carraro, está “estacionada” a investigação a cerca da morte do ex-prefeito Acimar Silva. Após a identificação do jovem que teria “interpretado” um carteiro no esquema montado pelos bandidos para entrar na casa de Acimar, a investigação foi interrompida. A polícia aguarda somente que a justiça acate alguns pedidos prisão preventiva referente aos outros envolvidos, enquanto espera também que todos os laudos referentes ao crime sejam emitidos. O caso foi classificado pelo próprio delegado como o mais complexo entre os crimes que são apurados pela DP.
2ª Delegacia de Polícia – De acordo com o delegado Endrigo Veiga Marques, a principal dificuldade no que diz respeito aos latrocínios é a falta de testemunhas para os crimes. “Ou não existe testemunhas porque ninguém viu, ou a pessoa está com medo de falar por causa de uma possível represália”, explica. A falta de efetivo também acaba prejudicando na hora de chegar ao paradeiro dos suspeitos. “Para uma investigação deste porte, é preciso de tempo. Só que a demanda na delegacia é enorme. E a rotina muitas vezes acaba não permitindo que os agentes fiquem focados em único caso”, esclarece.
Brigada Militar – Responsável pelo 17º Batalhão da Polícia Militar (BPM), o comandante Vanderlei Padilha destaca que continua sendo enorme o retrabalho da Brigada Militar (BM) em prender criminosos que acabam sendo soltos pela justiça. “A Brigada Militar continua prendendo quatro ou cinco vezes um mesmo delinquente. Homens que deveriam estar presos, estão soltos nas ruas e cometendo crimes”, diz. “Não raro nossos brigadianos têm capturado detentos com tornozeleiras eletrônicas. Os criminosos têm se beneficiado do sistema para agir impunimente. A sensação de impunidade é muito grande. E infelizmente quem paga o preço é o cidadão honesto”, desabafa o coronel Padilha.
Relembre os casos
Morta por causa do celular – Sofia Stephanie Becker Dias, 18 anos, foi assassinada por causa de um telefone celular na noite do dia 6 de março. Ela andava com o namorado pela Rua Guilherme Schimitz, no Parque Olinda, quando o casal foi abordado por um trio de assaltantes que passou pela via em um Fiat Palio. Um dos criminosos teria descido do carro e pediu o celular da jovem. O casal tentou fugir e o assaltante atirou contra eles. Sofia foi atingida na altura da cintura e morreu na hora. O celular não foi levado. O caso é apurado pela 2ª Delegacia de Polícia (DP). Ainda não há suspeitos para o crime.
Tiros dentro do mercado – Jair Batista de Labernarde, 56 anos, e Juracema da Silva Batista, 42 anos, foram mortos por assaltantes no início da noite do dia 1º de junho na Rua São Luiz, na parada 68. Ele era um ex-PM e ela uma cliente do mercado que dois criminosos invadiram em uma tentativa frustrada de assalto. Os bandidos suspeitaram que o PM estivesse armado e o executaram a sangue frio. Já a operária foi morta acidentalmente por um dos tiros disparados pelos assaltantes. A dupla foi identificada e presa cerca de um mês depois pela Brigada Militar. A 2ª DP fechou o inquérito indiciando os dois presos pelas mortes.
Ex-prefeito baleado – A notícia de que o ex-prefeito Acimar Silva havia sido baleado no início da tarde de 15 de julho causou enorme impacto em Gravataí. Não demorou muito para que a polícia divulgasse que o então secretário de Agricultura da cidade estava morto. Conforme apurou a investigação do caso, Acimar foi baleado ao reagir a uma tentativa de assalto em sua residência, na Rua Pampa, no Parque dos Anjos. Acabou morrendo minutos depois, ainda a caminho do hospital. O caso segue sendo investigado pela 1ª Delegacia da cidade, que aponta já ter identificado dois dos suspeitos da morte. Seis pessoas, no entanto, estariam envolvidas no crime.
Um tiro no coração – O mestre de obras Aldomiro Schirmann Filho, 60 anos, foi atingido por um tiro no coração, quando parou o carro para atender o telefone celular. O crime aconteceu no início da noite do dia 6 de agosto no bairro Neópolis, na altura da parada 77 da RS-020. De acordo com a polícia, o aposentado foi abordado por uma dupla de criminosos logo que encostou o carro no acostamento da rodovia. Ele estava com a mulher no momento em que estava morto. A 1ª Delegacia chegou a identificar um suspeito da morte, porém ele não foi reconhecido. O caso, portanto, permanece aberto.
Morto em frente ao açougue – O comerciante Valdemar da Cruz foi morto com pelo menos quatro tiros na manhã do dia 21 de setembro, em frente a seu açougue, no bairro Monte Belo. Cruz teria entrado em seu carro quando um homem se aproximou da janela do automóvel e disparou contra ele. Conforme a 2ª DP, a suspeita na época era de que os criminosos estariam atrás de um pagamento que seria feito pelo comerciante. Dois meses depois, e com a investigação ainda em aberto, a polícia já não tem tanta certeza da motivação do criminoso. A polícia trabalha na identificação do suspeito e, mesmo com um grande número de testemunhas que teriam visto seu rosto, ainda não há pistas sobre o seu paradeiro.
CORREIO DE GRAVATAÍ