Oscar Bessi: Sim, a morte do Soldado Marlon é culpa do estado!

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12366279_1506582259645274_8909985707037130910_nPor Oscar Bessi

“Ele caiu lutando, defendendo a sociedade, com honra, bem como o ensinei. Ótimo filho, honesto, carinhoso, amoroso. O vagabundo puxou o gatilho, incentivado pela inoperância do Estado diante do caos em que vivemos. Coloco esta morte na conta deste governo e toda sua cúpula e vou cobrar. Me dói, vou sentir muita falta, mas te amarei e lembrarei para sempre de ti meu filho.”. Estas são as palavras emocionadas e indignadas de Cilon Regis Correa, pai de Marlon, em seu facebook. Sim, Pai. Com letra maiúscula. A inspiração e exemplo de um jovem idealista e sonhador, que quis ser policial para lutar por um mundo mais justo, para fazer a sua parte. E fez. Não se acovardou. Mas, por um detalhe do destino, levou a pior. E um detalhe que poderia ter sido evitado.

Evitado pelo estado!

Tem horas que a gente se pergunta: mas afinal, que estado é este, que consegue ficar tão distante dos seus cidadãos, agindo como se fosse uma empresa privada, selecionando lucros e clientelas, isolando-se em propósitos e metas e estratégias nada públicas? Que estado é este que joga seus cidadãos uns contra os outros, numa carnificina sem fim, quando seu único objetivo de existência seria justamente promover a paz, a organização social, a convivência entre os diferentes seres humanos?

Francamente, de um estado desses, pesado, caro e inoperante, cravado em nossa pele feito sanguessuga, ninguém precisa. Ninguém! Preferível o nada.

O Soldado Marlon da Silva Correa se foi. Trabalhando, combatendo o crime, assim como morreu o soldado Rafael de Ávila Oliveira, há poucos dias, em Gravataí. Como será o natal de suas famílias? De suas crianças? Agora vamos bater palmas aos que não valorizam a segurança pública e asfixiam seus trabalhadores na tensão cotidiana, no vácuo irrespirável da inércia pública, na histórica defasagem de equipamento, no abuso prepotente que é um parcelamento salarial que dá de ombros à dignidade do servidor, na miséria de remuneração que ainda se pretende piorar. Vamos bater palmas a quem corta investimentos em educação e cultura e, assim, segue incentivando e alimentando esta selvagem fábrica de bandidos. Vamos bater palmas aos que falam e não dizem nada.

Cada cidadão que morre é, sim, culpa do estado. Pois este estado existe, é caro, pesado, mete a mão no bolso do contribuinte – e fundo! – e deveria ter evitado que isto acontecesse.

Cada policial que morre é, sim, culpa do estado. A cada crime, o estado falhou. Não cumpriu seu papel. Não protegeu, não evitou, não preveniu, não educou, não convenceu, não recuperou. Não fez nada!

Por que, nesta época do ano, os crimes aumentam? Por que ainda se concede indultos, liberdades provisórias, benefícios e autorizações para roubar e matar? Por que presídios não recuperam e não funcionam? Por que o crime e a violência seguem seduzindo mais do que o respeito ao próximo e a educação? Por que vale a pena ser bandido por aqui? Sim, vale a pena, ou não aumentaríamos tanto o número de “seguidores” do crime. Por que não se respeita mais ninguém, por que as mortes se repetem todos os dias como numa terra sem lei? Por quê?

Porque o estado permite isto.

Quantas outras mortes ainda teremos? Muitas, infelizmente. De policiais. De civis. De culpados e, na maioria das vezes, de inocentes.

E enquanto as viúvas destes policiais mal pagos já se surpreendem sem pagamento no próximo final de mês, precisando correr atrás da máquina para provar que precisam sustentar seus filhos (e depois falam em respeito à mulher), recebendo “vaquinhas” de outros policiais sensibilizados com seu drama, a farra de jogar dinheiro pela janela e se dizer inocente continua.

Dinheiro nosso!

Dinheiro que o estado permite jogar pela janela e não faz nada. Como não faz nada para mudar este cenário de brutalidade e violência.

CORREIO DO POVO