Um nervo vivo e exposto

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17303064Wanderley Soares

A rejeição de 60,5% à administração do governador José Ivo Sartori (PMDB) ao final de seu primeiro ano no Piratini é motivada, em primeiro plano, na fragilidade das estratégias da segurança pública, fenômeno que não é de hoje, mas que se agrava a cada mudança de governo. Os novos administradores, invariavelmente, procuram conservar, não mais do que minimamente, o que está funcionando sem darem mostras de que carregavam na bagagem algum projeto menos paralisante. No caso de Sartori, a paralisação é atribuída à situação financeira do Estado que, por sua vez, é creditada para a gestão de Tarso Genro (PT). Mas independente das burras vazias, Sartori, uma vez empossado, teve enorme dificuldade em escolher um titular para a pasta da Segurança, o que já foi um sintoma grave de quem assumia o poder sem projeto pronto para uma área que é o nervo vivo e exposto de todas as administrações. Sem sair deste projeto, sigam-me.

Amostragem

No conjunto das estratégias da segurança, o cidadão está permanentemente isolado e só com sorte ou em eventos especiais sente a presença de patrulhas em ronda. As organizações policiais, no entanto, não estão paradas. Ocorre que com a carência de material logístico e de efetivos compatíveis com o desafio permanente e crescente da criminalidade, o jeito é proceder a operações isoladas que, com sucesso, mantém um ritmo de amostragem do que seria possível de realizar se a política de segurança pública fosse prioridade governamental.

Frases

A segurança não tem sido prioridade. Tanto isso se revela como verdade ao lembrar que ao longo ano ouvimos frases como estas que partiram das autoridades: “ – Estamos fazendo o que deve ser feito; – A tecnologia e as atividades de inteligência cobrem perfeitamente a falta de efetivo; – Há cerca dois mil candidatos aprovados para ingresso na Brigada Militar, mas que devem aguardar que as finanças se equilibrem; – A solução é uma chamada por Batman; A convocação da FNS (Força Nacional de Segurança) só iria atrapalhar; – Vamos remanejar alguns comandos para oxigenar a tropa; – Tudo está sob controle.” Outro grande momento foi quando o titular da pasta da Segurança gaúcha, Wantuir Jacini, lembrou que os cidadãos civis também podem dar voz de prisão para bandidos.

Prefeitos

A Operação Papai Noel da Brigada Militar, que abrange as áreas comerciais que apresentam maior intensidade de consumidores em Porto Alegre, encerrará em 31 deste mês de dezembro. Bem antes, dia 19, começa a Operação Golfinho para a qual serão pinçados brigadianos de alguns municípios do interior que seguirão para o litoral. O choro dos prefeitos já é esperado.

JORNAL O SUL