Wantuir Francisco Brasil Jacini: a segurança no Estado

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17354492Secretário da Segurança Pública do Rio Grande do Sul

Por: Wantuir Francisco Brasil Jacini

Em resposta ao texto “A violência no Estado”, publicado no editorial de Zero Hora de quinta-feira (10), a Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul esclarece:

O editorial ressalta o número de roubos a banco e saques a caixas eletrônicos, mas esquece de que a responsabilidade pelo controle e fiscalização de explosivos não cabe ao Estado. O texto também não leva em consideração que a impunidade não está atrelada aos órgãos da segurança pública, sendo uma questão que envolve múltiplos fatores e diversas instituições.

Ao citar a “incapacidade de enfrentar as quadrilhas”, Zero Hora parecer ignorar os resultados obtidos pelas polícias gaúchas. Em 2015, a Brigada Militar já realizou mais de 100 mil prisões. Cerca de nove toneladas de drogas foram apreendidas em todo o Estado. O Denarc já prendeu 600 traficantes, em operações bem sucedidas e de grande repercussão — vide o espaço destinado pelo impresso às ações do departamento. A Delegacia de Capturas do Deic completou, no mesmo dia em que a Zero Hora expôs a sua opinião sobre a segurança pública gaúcha, mil prisões. Apenas neste ano, Brigada Militar e Polícia Civil retiraram das mãos dos criminosos mais de 6 mil armas.

Esta gestão da SSP, acusada de inoperante, conseguiu dar andamento ao projeto que fará o RS referência em toda América do Sul na área de perícia criminal. O Centro Regional de Excelência em Perícias está sendo erguido em Porto Alegre. Uma obra de R$ 29,2 milhões. O laudo eletrônico do Instituto-Geral de Perícias já está presente em cerca de 80% postos. Até agosto de 2014, apenas dois postos (Santa Maria e Cruz Alta) dispunham da tecnologia. No âmbito da Identificação Civil, o IGP já atingiu 100% no processo de informatização.

Conseguimos impedir que o Estado perdesse quatro novas cadeias públicas. A prorrogação dos contratos de repasse foi obtida através de acerto entre SSP e Departamento Penitenciário Nacional — Depen. Serão criadas, ao todo, 1.246 novas vagas. O valor total a ser investido é de R$ 44,2 milhões (recursos federais), com contrapartida do Estado de R$ 15,7 milhões.

Temos plena consciência de que a situação do Estado, no que tange à segurança pública, não é aquela que todos desejamos. No entanto, batalhamos diuturnamente no sentido de promover os serviços necessários aos cidadãos da melhor forma possível.

As instituições vinculadas e o órgão central são partes constituintes de uma única e integrada força a serviço do RS. A SSP é a pasta do governo estadual que mais prestigia servidores de carreira. Todos os diretores de departamento são policiais, sejam eles militares ou civis. Sendo assim, o reconhecimento do valor das nossas polícias, em detrimento da gestão realizada pela SSP, é, no mínimo, contraditório. Por uma decisão de governo, a SSP é uma secretaria eminentemente técnica. A começar pelo secretário e sua equipe.

A VIOLÊNCIA NO ESTADO

Não passa dia sem explosão de caixa eletrônico, homicídios e execuções na Região Metropolitana ou mesmo em cidades interioranas que viviam em relativa tranquilidade. Ainda que a violência urbana atinja todo o território nacional, é cada dia mais visível que a Secretaria de Segurança do Estado não está conseguindo atender satisfatoriamente a população. O Rio Grande precisa de um choque de segurança, de alguma política inovadora e ousada, que desfaça a sensação de medo dos cidadãos.

Embora as razões do aumento da criminalidade sejam diferenciadas, pois vão do narcotráfico ao interesse desmedido por dinheiro, a que mais preocupa é a impunidade. O tráfico de drogas só está associado à maior parte dos crimes pela incapacidade dos organismos de segurança de enfrentarem as quadrilhas. Os criminosos só atacam agências bancárias com dinamite porque têm consciência da falta de policiamento. E só mantêm comunidades inteiras reféns, incluindo os jovens como vítimas preferenciais, devido à ausência absoluta de Estado, particularmente em áreas de risco.

Exemplos claros desse descontrole são os enfrentamentos que vêm resultando em frequentes assassinatos na Vila Cruzeiro, na Capital – os dois mais recentes registrados nesta semana. Os gaúchos precisam dizer não a essa falência no combate ao crime, que vem limitando direitos básicos dos cidadãos, como o de ficar em casa e sair às ruas sem a sensação de estarem correndo permanentemente o risco de serem assaltados e de perderem a vida.

Por mais que enfrente dificuldades de toda ordem, inclusive financeira, o poder público não pode permitir que a criminalidade imponha aos gaúchos um clima de faroeste.

ZERO HORA