RS tem déficit de mil servidores no Instituto Geral de Perícias

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Último concurso público para o IPG ocorreu em 2008 Foto: Adriana Franciosi /Agencia RBS
Último concurso público para o IPG ocorreu em 2008
Foto: Adriana Franciosi /Agencia RBS

Situação causa atrasos em perícias, impactando diretamente prazos para a conclusão de inquéritos

A falta de servidores no quadro do Instituto Geral de Perícias (IGP) é percebida em todas as regiões do Estado. De acordo com o órgão, a previsão é de que 1,7 mil agentes atuem na área. No entanto, menos de 700 postos estão ocupados, gerando um déficit de mil trabalhadores.

No último ano, houve a perda de 10% da equipe por aposentadorias. Já o último concurso público foi realizado em 2008.

Neste momento, seria preciso ampliar, prioritariamente, o número de médicos legistas, peritos criminais e técnicos peritos. Além disso, o Estado possui 10 coordenadorias regionais do IGP, mas duas estão praticamente desativadas, em Rio Grande (Zona Sul gaúcha) e em Osório (Litoral Norte).

Um estudo encomendado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública evidenciou a necessidade de 15 coordenadorias, o que diminuiria as distâncias percorridas pelos agentes e, por consequência, os atrasos.

“Não é simplesmente o número de pessoas. É qual profissional e onde ele trabalharia. A carência de pessoal é um fator impactante no nosso atendimento”, relata o diretor-geral do IGP, Cleber Müller.

Ele diz que ainda acredita na possibilidade de realização de um concurso público em 2016, mas que o órgão não deve ter novos servidores neste ano.

Consequências

Os atrasos em perícias impactam diretamente o trabalho da Polícia Civil. Inquéritos, que têm o prazo normal de 30 dias para a conclusão, acabam sendo prorrogados devido à falta de análise técnica referentes a crimes. Neste momento, há mais de mil armas apreendidas e ainda não periciadas. Há ainda carros roubados que são recuperados, mas que ficam meses também aguardando a coleta de material por peritos.

“Vários crimes, como os de violência doméstica, contra crianças, que são crimes que nos revoltam tanto. Tivemos latrocínios nos últimos dias. Os próprios roubos de carros. São várias as perícias que afetam o trabalho da investigação”, destaca a presidente da Associação dos Delegados de Polícia do RS (Asdep-RS), Nadine Anflor.

Decreto

Nesta quarta-feira (13), o governador José Ivo Sartori vai assinar um decretorenovando por mais 180 dias as medidas de contenção de despesas adotadas peloExecutivo desde o início de 2015. Entre elas, está o congelamento de nomeações, inclusive de pessoas aprovadas em concursos públicos.

GAÚCHA