Brigada defende fechamento de postos: “Falsa sensação de segurança”

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O posto da Vila Elizabeth, bairro Sarandi, abre somente das 18h às 6h devido á carência de efetivo Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS
O posto da Vila Elizabeth, bairro Sarandi, abre somente das 18h às 6h devido á carência de efetivo
Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Comando de Policiamento informa que a Capital tem 15 unidades que demandam cinco PMs em turnos alternados para cada uma

Com o menor efetivo em 33 anos, a Brigada Militar busca alternativas, que não passam pela contratação de novos servidores, para priorizar o policiamento ostensivo e diminuir a sensação de insegurança que assusta a população gaúcha. Uma delas é o fechamento de postos e a realocação de PMs em viaturas para circulação nos bairros.

A estratégia é discutida pelos comandos da corporação e já foi colocada em prática na zona norte de Porto Alegre com o encerramento das atividades no prédio da Avenida Gamal Abdel Nasser, localizado no Rubem Berta. A Capital tem outras 14 unidades espalhadas em diferentes áreas.

Segundo o Comando de Policiamento (CPC) da cidade, cada uma demanda cinco PMs em diferentes turnos para funcionar plenamente. Alguns postos abrem parcialmente, como o da Rua do Amparo, na Vila Elizabeth, também na Zona Norte — das 18h às 6h. Outros, a exemplo da Vila Nova, na Zona Sul, avisam os moradores quando não há ninguém devido a questões pontuais.

— A cada 12 horas, destinamos um policial para trabalhar como zelador. É uma falsa sensação de segurança que propicia para a comunidade. Com quatro homens, tenho uma viatura. Se para atender a maior parte das pessoas eu preciso fechar um posto, vou fechar — salienta o tenente-coronel Carlos Andrade, que responde interinamente pelo CPC.

Guerra contra o crime dinâmico

O único posto completamente fechado até agora fica no bairro Rubem Berta, um dos mais violentos da CapitalFoto: Carlos Macedo / Agencia RBS

De acordo com ele, alguns locais são “inoperantes” e estão com as estruturas danificadas. O objetivo é transferir os servidores que lá estão para as ruas, mas isso será analisado por cada comando. Ainda não há uma definição de quantos postos devem fechar neste ano.

— O crime hoje é dinâmico, se movimenta, e eu tenho que acompanhá-lo. Se eu ficar zelando uma rua, vou perder essa guerra  — complementa Andrade.

Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade desta quinta-feira, o subcomandante da Brigada Militar, coronel Andreis Dal’lago, disse que os fechamentos não serão definitivos e que as medidas voltarão a ser discutidas.

Na área do 20º BPM, que atende diversos bairros da Zona Norte, estudos da BM concluíram que o posto do Jardim Lindoia deve servir apenas para cartório e inteligência. O guarda que cuidava do local foi cedido para uma viatura. A Brigada espera remover mais 16 PMs para o policiamento ostensivo com a mudança em outras unidades da região.

— A comunidade acha que está perdendo, só que na verdade está ganhando. No veículo, o policial fica mais próximo e faz a patrulha melhor — argumenta o major Dagoberto Albuquerque, que responde atualmente pelo batalhão.

Para Leonel Lucas, presidente da Abamf, entidade que representa os funcionários de nível médio da BM, a carência de efetivo está sendo “maquiada”:

— Nessa situação emergencial de carência de gente, não podemos criticar essa atitude, apesar de saber que ela é “maquiada”. A nossa preocupação é que esse soldado que saiu de dentro do posto não fique sozinho na viatura.

O especialista em segurança estratégica Gustavo Caleffi entende que a diminuição de atividades burocráticas dá mais objetividade para a polícia e traz um reflexo para a sociedade. Ele pondera, no entanto, que a população tem de cobrar a efetividade da mudança:

— Se puderem colocar mais gente nas ruas, sem sombra de dúvidas é benéfico. Resta saber se o pessoal estará empregado no efetivo operacional. Temos de dar um voto de confiança para a BM e acompanhar se surtiu efeito ou não.

ZERO HORA