“É desesperadora a falta de servidores”, diz ex-chefe da Polícia Civil

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17941027Delegado Guilherme Wondracek foi informado de sua exoneração do cargo nesta quarta-feira

Exonerado da chefia da Polícia Civil no Estado nesta quarta-feira, o delegado Guilherme Wondracek avaliou sua gestão como positiva. Ele se queixou do pequeno contingente de policiais e destacou que, mesmo com a falta de investimentos, conseguiu ampliar o número de inquéritos de 157 mil, em 2013 (ano anterior ao de sua posse), para 185 mil em 2015. À frente da Polícia Civil desde março de 2014, Wondracek admitiu também que chegou a ouvir rumores sobre um possível descontentamento do governo com relação à sua atuação.

— Rumores sempre existem. Mas talvez o governo estivesse descontente pelo fato de estarmos fazendo mais inquéritos e prendendo mais. Em 2015, por exemplo, a Polícia Civil encaminhou para presídios aproximadamente 11 mil pessoas.

Ainda sobre sua gestão, ele afirmou que poderia ter feito mais e que se sente frustrado por isso.

— Eu não consegui fazer mais por falta de recursos humanos, que é o principal problema da Polícia Civil. É desesperadora a falta de servidores. Para se ter ideia, até o final do ano haverá mais 1,2 mil servidores aptos à aposentadoria, e eles não serão substituídos porque não se faz concurso. A polícia faz muito mais do que deveria. Os policiais trabalham acima da carga horaria porque gostam do que fazem.

Além de criticar a falta de investimentos na segurança pública por parte do Estado, o delegado também culpou a legislação pela não redução dos índices de criminalidade.

— A segurança pública atravessa momentos difíceis no Estado. Com a falta de investimentos, os policiais ficam em posição difícil, desmotivados e sem perspectiva de novos colegas, além dos problemas nos salários. Apesar disso, até conseguimos fazer mais do que em anos anteriores, mas enquanto a lei não mudar e deixar de ser tão branda, a polícia de todo o Brasil vai sofrer.

Seu destino, após a saída oficial do cargo, será o Conselho Superior de Polícia, onde passará a presidir processos administrativos.

— Eu cheguei ao ponto alto da minha carreira e, claro, ninguém gosta de sair. Mas fico tranquilo porque agora vou ter mais tempo com a minha família.

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