SUL21: Fechamento de postos da BM pode acontecer por falta de segurança para os policiais

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20160106-jornal-sul21-1550cf060116-021Débora Fogliatto

A população de Porto Alegre tem reclamado, desde o início desta semana, do fechamento de postos da Brigada Militar em algumas regiões, especialmente as mais periféricas. Na Vila Elizabeth, no Bairro Sarandi, por exemplo, o posto deve ser fechado, o que causou preocupação à população. Aberto dia e noite, o local era o “ponto de segurança” da comunidade, segundo a Associação de Moradores.

Para esclarecer a situação, os moradores irão se reunir no final de março com o comando do 20º Batalhão, responsável pela região. O posto do Parque dos Maias também já teria fechado, conforme informou a Associação, assim como dois outros na zona Sul da cidade.

Segundo o tenente-coronel José Henrique Botelho, do Comando-Geral da Brigada Militar, as decisões de fechamento dependem de cada comando regional, os quais têm autonomia para “seguir dentro das suas estratégias de melhor aproveitamento de recursos humanos e materiais”. Dentro dessas estratégias, estaria a possibilidade de fechamento para “otimizar” os serviços.

Botelho aponta que um policial “parado dentro de um prédio” por vezes pode estar sendo subutilizado, e cumpriria melhor suas funções trabalhando na rua. Ele destaca, porém, que esta ideia tem que ser debatida amplamente com a comunidade pelos comandantes regionais, levando-se em conta que os postos servem como referência para a população. “Algum outro serviço numa proporção semelhante tem que ser oferecido e explicado. O Comando Geral orienta os comandantes nesse sentido, de dialogar com a comunidade”, afirma.

A Associação de Praças da BM (Abamf) vê com preocupação a medida e tem uma estimativa de sete postos que estariam sendo fechados na capital gaúcha, embora o número não seja confirmado. Para o presidente Leonel Lucas, a medida não é necessariamente prejudicial, mas a forma como ela será aplicada deve ser visando a proteção do policial. “Nos preocupamos no que se refere à segurança do brigadiano. Se estiver sozinho nesse posto e, com o fechamento, for ficar com outro colega em uma viatura, seria positivo. O problema é se ele continuar sozinho, como ele está no posto”, aponta.

Ramiro Furquim/Sul21
Para o presidente da Abamf, é mais seguro para os próprios policiais estarem acompanhados | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Segundo ele, não é seguro para os policiais permanecerem sozinhos nos postos, o que pode ter sido um dos motivos pelos quais as decisões de fechamento estão sendo tomadas. Com isso, os brigadianos ficariam circulando pelo local, sempre com um ou mais colegas.

Lucas destaca, porém, que se houvesse o efetivo necessário na corporação, a medida não seria necessária. “Estamos sempre batendo que temos menos da metade do efetivo que a Brigada Militar precisaria. Com certeza, se tivesse efetivo maior, não precisariam fechar os postos, porque haveria mais policiais para ficar tanto dentro deles quanto nas ruas, sem se preocupar em ficarem sozinhos”, defende.

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