VENDA DA FOLHA PREOCUPA ACIONISTAS

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17628762No governo, a expectativa é de que o dinheiro da venda da folha de pagamento do Banrisul entre nos cofres públicos ainda neste ano e ajude a tapar uma parte do déficit, estimado em mais de R$ 4 bilhões.

Uma das poucas fontes extraordinárias de receita previstas para 2016 pelo governo estadual, a venda da folha de pagamento para o Banrisul esbarra na desconfiança dos acionistas minoritários em relação ao valor da operação. No governo, especula-se que a negociação poderia render R$ 1,5 bilhão por cinco anos e até R$ 2,5 bilhões em um contrato de 10 anos. O Banrisul não avaliza esses números e diz que o preço será definido por avaliadores independentes.

Em carta datada de 1º de fevereiro, Claudio Andrade, gestor dos fundos Polo Norte FIM e Polo FIA, titulares de mais de 3 milhões de ações do Banrisul, faz uma série de ponderações que sintetizam a preocupação com a forma como o negócio será feito. Endereçada ao presidente do conselho de administração do Banrisul, Luiz Antônio Bins, e ao diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Ricardo Hingel, a carta diz que a cessão onerosa da folha enseja uma série de conflitos de interesse. Os acionistas minoritários temem que os representantes do controlador (o Estado detém 57% das ações) no conselho de administração acabem concordando em pagar mais do que a folha vale. Sugerem que se crie um comitê independente para negociar a operação.

Os investidores concordam com o pagamento pela manutenção da folha, mas lembram que existe um contrato vigente até 2017. Reconhecem que é um bom negócio manter uma carteira cativa de clientes com estabilidade, mas lembram que esse ativo perdeu valor a partir de 2012, quando passou a valer a portabilidade – o trabalhador pode escolher o banco com o qual quer trabalhar.

Secretário adjunto da Fazenda, Bins não vê motivo para preocupação. Diz que o valor será definido por uma consultoria. A direção do Banrisul reforça que estão sendo feitos estudos para cumprir as determinações da Comissão de Valores Mobiliários e preservar os interesses das partes.

Bins lembra que, se a preocupação do governo fosse exclusivamente reforçar o caixa, teria feito leilão da folha de pagamento, em vez de aprovar uma lei garantindo a exclusividade ao Banrisul.

Cenário pessimista

Repleta de informações técnicas sobre a situação financeira das contas públicas que devem manter a apreensão dos gaúchos sobre o futuro do Estado, a mensagem do Executivo à Assembleia foi entregue ontem pelo governador José Ivo Sartori.

O documento de 256 páginas traça um cenário assustador para as finanças em 2016, com a perspectiva de manutenção da recessão e possibilidade de agravamento da crise.

“Em 2016, mesmo com o aumento de alíquotas tributárias haverá déficit orçamentário significativo. Pelo lado da despesa: há uma estrutura de gasto já instalada. Pelo lado da receita: a pior crise econômica dos últimos tempos”, descreve o texto.

Um dos principais motivos para o desequilíbrio é o déficit previdenciário, que se multiplicou nos últimos 10 anos. Em 2005, o rombo era de R$ 2,5 bilhões. Em 2015, encerrou o ano na casa dos R$ 7,7 bilhões.

Ao entregar a mensagem à presidente da Casa, Silvana Covatti, Sartori destacou que a prioridade do governo é recuperar o equilíbrio fiscal e citou a aprovação de projetos nesse sentido em 2015.

ZERO HORA