Viúva comenta assassinato de PM pelo primo: “É uma cilada que a vida prepara”

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Viúva e o filho caçula do sargento morto em janeiro Foto: Luiz Armando Vaz / Agencia RBS
Viúva e o filho caçula do sargento morto em janeiro
Foto: Luiz Armando Vaz / Agencia RBS

Arilson Silveira dos Santos, 42 anos, foi morto em um assalto no dia 23 de janeiro, em Dois Irmãos

A viúva do primeiro sargento Arilson Silveira dos Santos, 42 anos, morto em um assalto no dia 23 de janeiro em Dois Irmãos, no Vale do Sinos, procura entender o que aconteceu naquela madrugada.

Claudia Tatiana de Britto dos Santos, 41 anos, se refere ao que a Polícia Civil concluiu: o tiro que matou o policial teria partido de Elias Juliano Oliveira dos Santos, 26 anos, primo em terceiro grau da vítima.

Os dois suspeitos foram presos, sendo o da esquerda, o primo do PM – Foto: Polícia Civil / Divulgação

— É uma cilada que a vida prepara.

Para a polícia, foi uma coincidência os familiares, que nunca conviveram, se encontrarem em lados opostos. O PM, de folga, tentou impedir que três criminosos assaltassem um bar, no Bairro Moinho Velho, mas acabou baleado pelas costas. Elias, que nega ter atirado, foi preso com outro suspeito do crime, Douglas Menzel,
24 anos.

Segundo a polícia, outros dois, já identificados, seguem foragidos. Todos foram indiciados por latrocínio, roubo com morte, e o inquérito já foi remetido à Justiça. Para Claudia, o trabalho da polícia trouxe alívio.

Arilson Silveira dos Santos, 42 anos, era primo de terceiro grau do seu assassino – Foto: Reprodução

— Meu medo era o esquecimento, e que os bandidos seguissem por aí. Essas prisões estão sendo um alívio — contou ela em entrevista ao DG.

Leia a entrevista:

Diário Gaúcho – Como foi saber que um dos envolvidos, suspeito de ter atirado, era um primo?
Claudia Tatiana de Britto dos Santos – Foi uma surpresa muito grande. Esse rapaz nunca passou perto da nossa família antes. E surgir logo assim, desse jeito. É uma cilada que a vida prepara.

Diário – O sargento nunca falou desse primo antes?
Claudia – Não, nunca comentou nada. Nem sabia que tinha esse primo. Essa notícia nos impressionou mesmo. Foi totalmente fora de contexto.

Diário – Como está sendo enfrentar o assassinato dele?
Claudia – Eles (os assaltantes) não tiraram apenas um marido. Fazia mais de 20 anos que estávamos juntos. Tiraram um exemplo de pai em casa, tiraram um filho que cuidava dos pais idosos. O Arilson era o único filho homem, tinha três irmãs.

Diário – E para a senhora e os filhos?
Claudia – Agora é tudo comigo, né? E não é fácil ter de assumir as rédeas por inteiro assim. Antes, ele resolvia tudo, ele tomava conta de tudo…

Diário – Houve uma comoção grande em Dois Irmãos. Isso foi uma surpresa?
Claudia – Sabíamos que ele era muito querido. A demonstração da comunidade foi reconfortante. Sempre moramos aqui, as pessoas conheciam ele. O Arilson era sempre a mesma pessoa, de farda ou de bermuda, era igual. Digo para os meus filhos que podem sair e dizer que são filhos do sargento Silveira, era um exemplo.

Diário – O que a família espera a partir de agora?
Claudia – Meu medo era o esquecimento, e que os bandidos seguissem por aí. Essas prisões estão sendo um alívio. Agora, a gente espera que seja feita justiça. Que fiquem presos pelo maior tempo possível.

* Diário Gaúcho