ZERO HORA: INVESTIMENTOS ESCASSOS NO HORIZONTE DA SEGURANÇA

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17914664A troca no comando da Polícia Civil, com a saída do delegado Guilherme Wondracek e a entrada de Emerson Wendt, serviu para o governo Sartori criar um fato novo em uma área problemática da administração estadual, mas dificilmente vai alterar o quadro de sucateamento da segurança pública no Rio Grande do Sul. Com efetivos reduzidos, instalações e materiais de trabalho envelhecidos, órgãos como a Polícia Civil, a Brigada Militar, o Instituto-Geral de Perícias e a Susepe terão investimentos escassos em 2016, seguindo a tendência dos últimos anos.

Em 2015, o orçamento previa a aplicação de R$ 248 milhões na pasta, a partir de convênios e injeção direta de recursos do Tesouro. Do total, o governo conseguiu colocar pouco mais de R$ 55 milhões na compra de viaturas, armas, munição, construção de presídios, reforma de quartéis e delegacias, entre outras atividades importantes. O motivo para a diferença entre o orçado e o executado é a crise financeira, que esgoelou os cofres públicos e é influenciada pela queda da arrecadação (a peça orçamentária, elaborada em 2014, inflou receitas e subestimou despesas).

Para 2016, o Estado prevê investir R$ 183 milhões na área, mas a crise não deu sinais de recuo e a tendência natural é de que a meta fique longe de ser alcançada. Em um cenário de recessão, é difícil imaginar que o governo consiga triplicar os investimentos em segurança. Mais grave do que limitar melhorias nas estruturas dos órgãos, a crise paralisou o Piratini na tarefa de recompor efetivo. Mesmo sem colocar um policial militar a mais nas ruas em 2015, a folha de pagamento da segurança pública teve incremento de R$ 409 milhões. Até 2019, ainda sem acrescentar servidores, serão quase R$ 4 bilhões a mais em gastos.

A cobrança pela nomeação de mais policiais civis e militares é forte no Piratini, mas nem mesmo o aumento das alíquotas de ICMS deve oferecer alívio nas contas. As projeções da Secretaria da Fazenda para fevereiro, mês em que já começa a ter efeito a elevação dos impostos, não são nada animadoras e nem mesmo um novo parcelamento de salários está descartado.

A mudança do chefe de Polícia e a eventual substituição do secretário da Segurança, Wantuir Jacini, cobrada até por aliados de Sartori, nem de longe resolvem o principal problema da área, que é financeiro.

ALIÁS

Entra governo, sai governo, e as autoridades vendem como panaceia para reduzir a criminalidade a ideia de retirar policiais militares de serviços administrativos e colocá-los nas ruas. A administração atual disse que faria o mesmo, mas o projeto ainda não vingou.

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