Sabe aquele policial que mora vizinho à sua casa? Ele está ‘indo embora’…

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IMAGEM ILUSTRATIVA
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Moreira é um policial. Mora na Rua da Esperança desde que nasceu, há 32 anos. Cidadão tranquilo. Mas não tolera ‘malocagem’ no trecho onde reside. Outro dia, botou dois assaltantes para acelerar a moto em que estavam. A dupla tentou roubar o celular de uma menina bem no momento em que Moreira estava chegando em casa. Não deu outra: o policial sacou a pistola e ‘pipocou’. Os ladrões fugiram sem levar nada. A vizinhança gosta de Moreira.

Caso idêntico é o de Gonçalves. Só muda a rua e o bairro. Numa tarde de domingo, o policial ouviu gritos lá fora. Já saiu ‘em QAP’, de arma em punho, e viu quando três elementos desciam a rua correndo. Mais atrás, dois moradores gritavam desesperados “é ladrão, Gonçalves!” O policial mirou no que estava carregando uma mochila e escalou o cara (não deu para abordar os três ao mesmo tempo). O assaltante, inteligente, jogou-se ao chão com as mãos na cabeça. A vítima recuperou os objetos. A vizinhança agradeceu ao policial.

A história de Batista, também policial, é mais robusta ainda. No dia em que seu vizinho da terceira casa subindo a rua foi surpreendido com a invasão de quatro assaltantes, pelo menos três viaturas chegaram às pressas. É que um dos moradores da casa invadida estava no banheiro no momento do ataque. Ele ouviu o terror imposto pelos assaltantes a quem estava na sala e se manteve trancado. Ao invés de acionar a PM pelo 190, o refugiado no banheiro ligou para Batista. E este, benquisto na tropa, convocou os colegas de plantão. ‘Choveu’ policial na rua. Os bandidos, cercados, foram todos presos. A vizinhança deu o maior valor a Batista.

ADEUS…

O tempo passou. A violência foi aumentando na cidade (no estado e no país), a ponto de muitos profissionais da segurança pública começarem a sentir ‘medo’ também. Entre os receosos estavam Moreira, Gonçalves e Batista. Para amenizar os efeitos da pressão psicológica que os consumiam, eles resolveram investir suas economias em uma nova moradia, localizada bem dentro de um condomínio fechado.

Nada de muito luxo (não têm dinheiro para tanto). Mas reforçado com muralhas, cerca elétrica, circuito de câmeras, portaria e seguranças fazendo rondas constantemente no bairro fechado. Ou seja, um lugar muito mais seguro do que o antigo setor onde moravam.

Sabe quem perdeu com isso? Os antigos vizinhos de Moreira, de Gonçalves, de Batista e do verdadeiro batalhão de policiais que, paulatinamente, vão abandonando suas residências de origem para adquirir uma casa no grande negócio que se tornou o condomínio fechado. Um fenômeno migratório que só cresce a cada novo lote posto à venda. Aquela viatura que corriqueiramente proporcionava uma sensação de segurança na sua rua agora deixou de passar.

A sociedade já deve ter percebido que, na atual conjuntura brasileira, não existe polícia para todo mundo. A população aumenta, e o efetivo policial NÃO cresce na mesma proporção. Por vezes, uma viatura acionada através do 190 não chega em tempo hábil para resolver a situação. O elo entre o cidadão e o policial vai ficando cada dia mais distante.

E a ‘vizinhança’ perdendo aquele policial camarada que, vez por outra, resolvia as broncas da rua de forma rápida e eficiente.

É pura realidade. Pode pesquisar que rende uma ‘tese’.

Paraiba EM QAP