SEM VERBA, SECRETÁRIO DE SEGURANÇA CHAMA SOCIEDADE A CONTRIBUIR

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Debate sobre Segurança Pública: secretário Jacini (ao centro da mesa) não trouxe anúncios, nem novidades, e ainda chamou a sociedade a contribuir / Foto: Milos Silveira
Debate sobre Segurança Pública: secretário Jacini (ao centro da mesa) não trouxe anúncios, nem novidades, e ainda chamou a sociedade a contribuir / Foto: Milos Silveira

ESTADO NÃO TEM COMO APARELHAR AS POLÍCIAS

O secretário estadual da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Wantuir Jacini, veio nesta quarta-feira, 23, a Cachoeira do Sul para o 3º Debate sobre Segurança Pública do Sindilojas Vale do Jacuí. Ele recebeu uma carta das lideranças setoriais e empresariais com pedidos na área de segurança, como contratação de mais policiais, aquisição de câmeras de monitoramento e ampliação do Presídio Estadual de Cachoeira do Sul.

Jacini explicou que hoje o Estado não dispõe de recursos financeiros para aparelhar a Polícia Civil e a Brigada Militar. Embora o governo estadual tenha definido um programa de aparelhamento das polícias, que prevê a aquisição de viaturas, armamento e outros equipamentos, esse programa é executado de acordo com os recursos disponíveis no orçamento do Estado. “O problema é que o orçamento não está dando nem para pagar os salários dos servidores”, ponderou o secretário Jacini, anunciando, de antemão, o parcelamento da folha de março dos servidores estaduais.

SOCIEDADE – Jacini fez um chamamento para que a sociedade contribua com a Polícia Civil e a Brigada Militar por meio do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGI-M), pelo qual entidades e mesmo pessoas físicas podem destinar recursos para um fundo de aquisição de viaturas, armas, entre outros equipamentos necessários à rotina policial. “O melhor caminho é o GGI”, declarou o secretário de Segurança.

FALA, SECRETÁRIO

A realidade de Cachoeira

O secretário Wantuir Jacini frisa que Cachoeira do Sul se caracteriza como uma cidade de crimes de menor potencial ofensivo. Questionado pelo presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Hilton De Franceschi, sobre a relação de “prende e solta” das polícias e os ladrões, ele frisou que as instituições “cumprem a lei”.

O sistema penitenciário

O presidente da União dos Servidores Penitenciários de Cachoeira (Ucasp), Nelson Azevedo Júnior, cobrou do secretário Jacini a ampliação do presídio local, que está com um volume de presos 140% acima de sua capacidade, mesmo volume do Presídio Central, na Capital. “Há celas com capacidade para quatro pessoas com 21 presos”, desabafou Azevedo, lembrando a existência de um projeto de 2005 que prevê a construção de nova galeria com quase 90 vagas no regime fechado.

O secretário Jacini disse que os problemas do presídio de Cachoeira são os mesmos do sistema penitenciário do Estado e do país. Ele voltou a usar o discurso da falta de recursos como argumento para a não execução da ampliação do Presídio e jogou a culpa no governo federal, que contingencia os recursos das loterias oficiais num caixa que hoje teria cerca de R$ 8 bilhões. “Com esse valor, seria possível construir 90 novos presídios no país”, disse Wantuir Jacini.

Policiamento na área rural

O policiamento na área rural do município também foi debatido no encontro. O presidente do Sindicato Rural, Paulo Schwab, e a coordenadora do GGI-M, Luciane Pedroso, cobraram do governo investimentos em viaturas, mais policiais, combustível e sistemas de monitoramento no interior. Com o mesmo discurso da falta de capacidade de investimento, Jacini voltou-se para o comandante do 35º Batalhão de Polícia Militar (35º BPM), major Jaime Soligo Filho, pedindo que ele dê atenção especial para a zona rural para coibir crimes assaltos a propriedades rurais e abigeatos.

O CORREIO