Uso da Força Nacional volta à pauta após tiroteio

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sartori4-1024x682VICE-PREFEITO PARTICIPAVA de reunião quando criminosos executaram homem próximo ao local

Diante da insegurança que ronda a Capital, configurada por assaltos, homicídios e tiroteios frequentes – entre outros crimes –, o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (PMDB), cobrou uma postura diferente do governador José Ivo Sartori, seu colega de legenda. Na noite de terça-feira, Melo ouviu uma série de disparos de arma de fogo enquanto participava de reunião do Conselho Distrital de Saúde no posto da Cruzeiro. Entre os pedidos feitos ao governador, está o uso da Força Nacional de Segurança Pública.

Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, na manhã de ontem, Melo descreveu o tiroteio que escutou na noite anterior e defendeu medidas mais efetivas para o combate à criminalidade.

– O governador deveria criar uma sala de crise, chamar o governo federal, especialistas (em segurança), e pessoalmente comandar esse tema, e não afastando de pronto o uso do Exército, da Força Nacional e de todos os instrumentos disponíveis – sugeriu o vice-prefeito.

Segundo Melo – que participava da reunião quinzenal do Conselho Distrital, com a presença de autoridades, trabalhadores do local e a comunidade –, mais de cem pessoas estavam no posto de saúde no momento em que eram efetuados os disparos.

– Estava na fila da frente, com delegados, secretários da saúde. Aí começou uma gritaria no fundo da sala, as pessoas se atiraram no chão. O comandante do 1º BPM, tenente-coronel Kleber Goulart, estava lá e pediu calma. Sensação terrível – contou.

Os tiros ouvidos foram disparados contra um jovem de 27 anos, identificado como Norberto Soares Vieira, morto em uma via lateral à Avenida Moab Caldas, próxima ao posto de saúde.

Pelo Twitter, Sartori informou que participará de reunião hoje, no Palácio Piratini, com os comandos dos órgãos de Segurança Pública. O encontro contará com uma avaliação das últimas operações policiais realizadas em Porto Alegre e na Região Metropolitana.

Sebastião Melo garante que posto de saúde não será fechado. Com relação à segurança, o vice-prefeito descartou o fechamento e anunciou que a Guarda Municipal terá plantão durante 24 horas no local.

– Se a Guarda tiver de sair, encosta um carro da BM. Autorizamos a contratação de dois seguranças – disse.

COMO FUNCIONA A AJUDA FEDERAL
No ano passado, Sartori chegou a fazer consulta sobre a utilização da Força Nacional, mas não fez o pedido. Criada para atender chamados emergenciais e pedidos de reforço urgente dos Estados, só atua se for feita solicitação oficial pelo governador. Depois, a Secretaria Nacional de Segurança Pública tem até 48 horas para enviar os policiais. Antes, espécie de triagem é feita para saber qual o tipo de efetivo necessário: policiamento ostensivo, bombeiros, perícia ou polícia judiciária. O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, e o secretário estadual de Segurança Pública, Wantuir Jacini, discordam sobre o tema.

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