DIÁRIO POPULAR: Grupo pede justiça ao tenente Nélson na tarde desta sexta em Pelotas

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54107a3dae66b853ec9043bf7a9c88eeEm carros e a pé, portando a famosa placa da empresa que é considerada “milícia” pelo MP, manifestantes dizem que cidade está “à mercê dos bandidos”

Por: Giulliane Viêgas

Uma manifestação que contou com passeata e carreata na tarde desta sexta-feira (8) pediu justiça ao tenente reformado da Brigada Militar, Nelson Antônio da Silva Fernandes, o Tenente Nelson. Ele foi preso na última terça-feira durante a operação Braço Forte, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. Além dele, outras 15 pessoas que prestavam serviços de segurança pela empresa Nasf Portaria e Segurança também foram presas.

Amigos, familiares do Tenente Nelson e funcionários da Nasf participaram do protesto, que começou em frente ao 4º BPM, na avenida Bento Gonçalves, e seguiu pela avenida Ferreira Viana até a frente do Ministério Público, onde ficaram concentrados. Portando as conhecidas placas da empresa, com fundo amarelo e uma pantera preta sobre o slogan O braço forte da comunidade, os manifestantes acusaram o Ministério Público de deixar a cidade “à mercê dos bandidos” e, em sinal de ironia, aplaudiram o promotor Reginaldo Freitas, do Gaeco, que comandou a investigação. “Eu apoio a Nasf porque ela nos dá a segurança que o Estado não garante. Não acredito nisso que estão dizendo sobre a empresa”, disse uma manifestante.

Operação Braço Forte
A organização foi desarticulada após três meses de investigações do Ministério Público. De acordo com as apurações do Gaeco, o que era para ser um serviço de segurança se organizou em um grupo paraestatal que recorria a torturas de suspeitos e até pessoas sem nenhuma vinculação com delitos que a Nasf procurava coibir. Por ser policial militar reformado, o Tenente Nelson está preso temporariamente no presídio da Brigada Militar, em Porto Alegre. A ação respingou também no comando da Brigada Militar do município. O tenente-coronel André Luis Pithan, então comandante do 4º BPM, foi afastado do cargo. Ele é suspeito de acobertar os crimes praticados pela empresa – considerada milícia pelo MP.

Conforme o MP, aqueles que ousassem entrar em propriedades protegidas pela Nasf eram perseguidos e torturados. Além disso, pessoas e empresas que não utilizavam os serviços da organização eram forçadas a contratá-la, através do arrombamento de suas residências e estabelecimentos comerciais. Ameaças verbais também foram feitas, algumas interceptadas pelo MP – com autorização judicial – ao longo das investigações.

As apurações do Gaeco também mostram o lado justiceiro do Tenente Nelson. Segundo o Ministério Público, ele seria o mandante de torturas, sequestros, agressões e o “cabeça” da organização. As viaturas usadas pelos integrantes da Nasf eram vistas com a seguinte descrição na parte externa: Eu sou o castigo de Deus. E se você não cometeu grandes pecados, Deus não teria enviado um castigo como eu.

Manifestação contou também com carreata em defesa do tenente Nélson, líder da Nasf - desmantelada terça-feira passada pela operação Braço Forte, do Ministério Público; Nélson Antônio da Silva Fernandes está preso temporariamente no presídio da Brigada Militar em Porto Alegre - Carlos Queiroz - DP
Manifestação contou também com carreata em defesa do tenente Nélson, líder da Nasf – desmantelada terça-feira passada pela operação Braço Forte, do Ministério Público; Nélson Antônio da Silva Fernandes está preso temporariamente no presídio da Brigada Militar em Porto Alegre – Carlos Queiroz – DP

DIÁRIO POPULAR

Major Eduardo Perachi passa a comandar o 4° Batalhão de Polícia Militar

Na última quarta-feira (6), o 4°BPM, em Pelotas, recebeu seu novo comandante, major Eduardo dos Santos Perachi, designado pelo Comando Geral da Brigada Militar, deixa seu cargo de chefe do Estado Maior do Comando Regional de Polícia Ostensiva Sul e passa a responder pelo comando do Batalhão Coronel Camilo. Na ocasião, o novo comandante reuniu-se com os oficiais do 4° BPM, para traçarem metas de trabalho.

O major, que ingressou na Brigada Militar em 1990, após sair da academia, teve sua primeira atuação no 4° BPM, como tenente comandante de pelotão. Como capitão, comandou a companhia de São Lourenço, em 1998; a partir de 2008, como major, foi subcomandante do 4° BPM, e também comandou o Colégio Tiradentes de Pelotas, de 2010 a 2014,  e o Batalhão de Fronteira de Jaguarão.

O militar irá prosseguir com as atividades já implementadas no batalhão, tais como o policiamento comunitário, Maria da Penha e,  principalmente, intensificando as operações do Projeto Avante, da Brigada Militar, procurando alcançar os indicadores propostos.

CRPO/Sul decide transferir comandante do 4º BPM

O Comando do CRPO/Sul (Comando Regional de Polícia Ostensiva Sul), em razão dos fatos ocorridos durante a última terça-feira (5), em Pelotas, durante a Operação “Braço Forte”, do Ministério Público e da Corregedoria Geral da Brigada Militar, em ação direcionada a uma empresa de segurança privada, e que restou na decisão por parte do Comando Geral da Corporação, a transferência do comandante do 4ºBPM (Batalhão de Polícia Militar), tenente coronel Andre Luis Ottonelli Pithan, vem a público esclarecer.

Segundo a nota, em procedimento penal e administrativo a ser realizado pela Brigada Militar, será apurada a conduta e eventual responsabilização por parte do oficial, que – por decisão do Comando Geral da Corporação, decidiu transferi-lo do Comando do 4ºBPM, procedendo sua movimentação da cidade de Pelotas, devendo assumir outra função em local ainda não informado.

A nota salienta, também, que o tenente coronel Pithan, nestes quase dois anos que esteve à frente do 4ºBPM, “implementou atividades e desenvolveu o trabalho prioritário de policiamento, com diversas operações de rotina, especiais, além da continuidade de programas como policiamento comunitário, patrulha Maria da Penha”.

Jornal Agora