DIFERENÇAS: A morte de um PM no CATE e as instruções de investigadores dos EUA na Acadepol-PB

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30-03-2016.073621_cateA imprensa paraibana noticiou neste início de semana a ‘baixa’ de três policiais durante o Curso de Ações Táticas Especiais (CATE), da Polícia Militar da Paraíba. Os PMs desmaiaram após um treinamento físico e foram encaminhados ao hospital. Na manhã desta quarta-feira, 30, foi anunciada a morte do cabo Heide Carlos Gomes, 28 anos, “em decorrência de complicações renais”.

Nos bastidores da corporação, as opiniões se dividem. Alguns acham que determinadas etapas desse tipo de curso exageram na dose, quando esgotam o condicionamento físico e psicológico dos participantes. Já outros, sustentam a tese de que “o curso é para voluntários, e estes já sabem o que poderão enfrentar no treinamento”.

O fato é que, quase sempre – e não apenas na Paraíba –, muitos inscritos no desafio não suportam a carga de atividades físicas. No geral, a maioria não chega a concluir as etapas. Alguns saem porque desistem. Outros, acabam se machucando. E em último caso, os óbitos.

OS EUA NA PARAÍBA

Nessa segunda-feira, 28 de março, a Acadepol (Academia de Polícia Civil da Paraíba) iniciou um curso de investigação de homicídios para delegados, em João Pessoa. As instruções são ministradas por investigadores dos Estados Unidos, que, durante as aulas, ‘soltam’ algumas curiosidades de como as coisas funcionam no país mais rico do mundo.

Informalmente, o PARAÍBA EM QAP soube de um dos participantes do curso que lá nos EUA, se a testemunha de um crime mentir ou se negar a depor, poderá ficar presa durante todo o andamento do processo em questão. Um suspeito de homicídio, lá, pode ser preso a qualquer tempo e só apresentado ao juiz 30 dias depois, se assim a polícia investigativa achar necessário.

Contar mentiras ou não dizer absolutamente nada é o que mais acontece nas delegacias brasileiras, quando a testemunha de um crime qualquer é intimida a comparecer diante do delegado. Para nós, prender essa testemunha silenciosa é um verdadeiro absurdo (a pena de morte imposta pelos criminosos aos ‘caboetas’ nos adestrou nesse sentido). E “prender suspeitos a qualquer tempo” aqui no Brasil é sinônimo de tortura. Quem fica preso mesmo é o delegado que assim agir.

Outro ponto bem diferente diz respeito a outras leis de cada país. Nos Estados Unidos, as penas são severas para quem tira a vida das pessoas sem motivo que justifique o ato. No mínimo, prisão perpétua em muitos estados americanos. Por aqui, vemos condenados por dois latrocínios deixarem o regime fechado em menos de 10 anos.

COMPARAÇÕES

É claro que comparar o Brasil aos EUA exige muito mais do que estas míseras linhas aqui postas. Requer análises históricas, sociais e etc. Mas não poderíamos deixar de fazer esse registro comparativo. Enquanto vemos, por aqui, policiais ‘se matando’ (literalmente falando) durante um treinamento rigoroso, para combater de forma mais eficaz a violência (será?), lá na potência das Américas o esforço vem de cima – dos legisladores –, como forma de não deixar muitas brechas para os criminosos agirem continuamente. Essa garantia jurídica, para quem não entendeu ainda, ajuda a poupar o sangue dos policiais nas ruas.

Nas redes sociais da internet, um policial disse, sobre o curso do CATE, que “não me inscrevo nesses treinamentos porque, no final, vai acontecer a mesma coisa que acontece com qualquer policial: enxugar gelo na rua.”

Se os políticos brasileiros fizessem o mínimo esforço na hora de aprovar leis contra o crime, talvez as maratonas exaustivas do CATE tivessem mais sentido para uma parcela maior da corporação policial.

Nossas condolências à família de mais um policial a ‘morrer por nada’ no Brasil.

PARAÍBA EM QAP