Motoristas e cobradores esperam respostas

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18852Autor: Liliana Crivello – Matheus Moraes

Manifestação de funcionários do transporte público durou mais de quatro horas e foi encerrado após conversa com comandante da Brigada Militar. Um abaixo assinado será entregue ao Ministério Público para pedir mais segurança à categoria

Motoristas e cobradores de ônibus de Passo Fundo realizaram uma manifestação em frente ao Fórum nessa sexta-feira (8) para exigir mais segurança em razão da onda de assaltos ao transporte coletivo nos bairros do município. A categoria paralisou as atividades às 10h e só retornou ao trabalho às 14h30min.

O ato, que terminaria às 12h, foi prolongado pela categoria por causa da liberação de um suspeito assaltante de transporte coletivo, que havia sido abordado pela Brigada Militar na tarde de quinta-feira (7).

Sem ônibus por mais de quatro horas, as paradas de ônibus da cidade estavam lotadas de pessoas que aguardavam pelo transporte público. Enquanto isso, em frente ao Fórum, o protesto prosseguia até a chegada de algum representante da Brigada Militar. De acordo com o presidente do Sindicato das Trabalhadores em Transportes coletivos Urbanos (Sindiurb) de Passo Fundo, Miguel Valdir dos Santos Silva, a decisão dos funcionários aconteceu em virtude de uma informação que chegou perto do meio-dia.

”Nós queríamos voltar ao trabalho às 12h, como estava combinado. Mas chegou a informação de que um indivíduo, do bairro Ipiranga, que frequentemente assalta os ônibus havia sido preso ontem à tarde, à vista dos trabalhadores e da população. Só que ele foi para a delegacia e logo depois foi solto. Os manifestantes se revoltaram com isso e decidiram esperar uma resposta do poder público sobre o ocorrido”, afirma.

O protesto dos motoristas e cobradores chegou ao fim às 14h30min, após um momento de diálogo com o comandante interino do 3º RPMon da BM, Major Carvalho. De acordo com ele, sete ocorrências foram registradas pela Brigada Militar nos últimos dias. ”Nós estamos trabalhando intensamente nisso, estamos com patrulhas móveis nas vilas e nos locais onde mais aconteceram esses delitos.

O nosso setor de inteligência também está buscando quem cometeu os delitos. Solicitamos a Polícia Civil e ao Poder Judiciário que seja expedido os mandatos de prisão para essas pessoas, para que nós possamos dar uma resposta mais rápida para essa categoria”, declara.

A maioria das ocorrências da Brigada Militar envolve os bairros Jaboticabal e São Cristóvão II, conforme o Major Carvalho. Na tarde de quinta-feira (7), um suspeito resistiu a uma abordado da BM e realizou um termo circunstanciado. Essa foi a principal causa da prorrogação do manifesto da categoria. ”Esse suposto delinquente, que estaria cometendo delitos foi abordado e acabou resistindo.

Fizemos um termo circunstanciado para ele, mas não foi comprovado que estava cometendo algum roubo, até porque não tivemos roubo no local”, explica.

A juíza diretora do Foro, Rossana Gelain, participou da manifestação da categoria e procurou ouvir as demandas dos motoristas e cobradores. Segundo ela, o Poder Judiciário trabalha ao lado da BM, Polícia Civil, Ministério Público e Defensoria para diminuir a segurança, mas ressalta que a legislação deve ser seguida e entendida pela comunidade.

”Às vezes, ficamos engessados em função da legislação, que é fundamental que sigamos. E, por conta dela, acabamos soltando algumas pessoas que a população, olhando de fora, não compreende. Talvez, se eu estivesse do lado de fora, também não compreenderia. Nós trabalhamos com o que temos de processos dentro do país, mas temos uma constituição a respeitar”, pontua.

Abaixo assinado será entregue ao Ministério Público
O presidente do Sindiurb relata que a onda de assaltos nos bairros da cidade cresceu neste ano. Em março, de acordo com Santos, foram cerca de 15 a 20 assaltos em transporte coletivo.

Por isso, a medida a ser tomada pelo sindicato é realizar um abaixo assinado para ser entregue ao Ministério Público e cobrar por mais segurança do Estado. ”Essa onda de assalto está em crescente, mas a partir de março se intensificou. Diariamente, tem um ou dois coletivos assaltados.

Nós vamos acionar o MP para buscar mais segurança e cobrar o Estado por nós, pelo nosso direito de segurança”, completa.

Após assalto, o trauma
O motorista de uma empresa de ônibus da cidade, Evandro Santana Flores, já sofreu diversos assaltos no município e cobra uma resposta da segurança do Estado para a população. ”A situação atual está difícil para nós continuarmos. O que nós estamos vendo em Passo Fundo, na área da segurança, é para ficar aflito.

Se um familiar sai de casa, você não sabe se ele volta em segurança. A questão da segurança é para todos nós, não somente para os trabalhadores. Eu venho aqui protestar como motorista, mas também como cidadão. Precisamos de uma resposta do poder público”, destaca.

Em um dos assaltos que o motorista sofreu, o tempo foi aliado para que esquecesse do episódio. Flores foi afastado da empresa por um ano, porque precisava reconquistar a confiança psicológica para voltar à rotina. ”Em um dos assaltos que sofri, fiquei traumatizado.

Cheguei a me afastar da empresa por um ano, porque abala o psicológico da gente. Hoje, se entra um passageiro suspeito no ônibus, começo a ficar nervoso, aflito. É algo que você não consegue se libertar”, admite.

Diário da Manhã