Olimpíadas do Rio: desistência de Sartori em ceder policiais cancela contrapartidas, mas não prevê sanção

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1665d8773Conforme o governo gaúcho, o estado de Mato Grosso também já tomou medida semelhante

Após o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, ter anunciado, nesta quinta-feira, que não vai mais ceder policiais para atuar nas Olimpíadas do Rio, o Palácio Piratini retoma as negociações para tentar colaborar com a força-tarefa que vai atuar no segurança do evento esportivo. A negativa de Sartori foi confirmada via Twitter e Facebook, no início da tarde.

Com a decisão, o Rio Grande do Sul deixa de receber as contrapartidas prometidas pelo governo federal, como viaturas e armamentos em troca do envio temporário temporário de 112 agentes – cem policiais militares, oito civis e quatro peritos. Apesar disso, não há previsão de sanções por parte da União ao Executivo gaúcho em razão da desistência. Conforme a assessoria do governo gaúcho, o estado de Mato Grosso também já tomou medida semelhante.

Conforme a Secretária da Segurança Pública, as negociações voltaram à fase inicial, devendo ser aprofundadas na próxima semana. Pelo Twitter, Sartori assegurou que a prioridade do Piratini é com a segurança dos gaúchos e disse que a Secretária de Segurança vai tentar colaborar com os jogos de outra maneira.

“A segurança dos gaúchos é a nossa prioridade absoluta. Não temos como autorizar a retirada de nenhum policial da atividade de rua. Isso não impede outras formas de colaborar. A Secretária de Segurança do Estado está empenhada em verificar outras possibilidades”, disse Sartori. Segundo governador, a meta era ceder policiais militares que exercem funções na área administrativa, mas um estudo técnico que foi apresentado a ele “mostra que isso não é possível”.

Inicialmente, o Rio Grande do Sul se comprometeu a ceder cerca de 500 policiais para os Jogos Olímpicos, em troca das contrapartidas da União. Após negociações, o número foi reduzido para 112.

Para OAB, decisão teve bom senso

A decisão de Sartori ocorre dois dias após a manifestação da OAB/RS contra o envio de policiais para os jogos do Rio. Para o presidente da entidade, Ricardo Breier, o governador teve bom senso ao voltar atrás. “Foi uma demonstração de consideração com o cidadão gaúcho já amedrontado. Agora, temos que dialogar para construirmos uma política permanente de segurança pública”, frisou.

Na terça-feira, Breier reforçou que o Rio Grande do Sul enfrenta a maior crise de segurança pública da história. “Não há policiamento ostensivo, e estamos vivendo um verdadeiro caos prisional”, afirmou, em nota.

Fonte:Lucas Rivas/Rádio Guaíba